O que te entorpece?

Todo mundo tem um vício. Não acredito que alguém passe uma vida inteira em branco, incólume, sem um entorpecimento da realidade em algum momento, um “viciozinho” sequer. Duvido!

Do cigarro ao álcool, legalizados, às drogas ilícitas ou ao consumo excessivo de chocolate, sempre haverá um deslize ou uma compulsão por alguma coisa. Quem não comete seus excessos, até por querer ser certinho e moralista demais ou rebelde ao extremo?

Favorito ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Druk – Mais uma Rodada” estreou esta semana com um roteiro um tanto curioso. O protagonista e outros amigos passam a botar em prática a teoria do psiquiatra norueguês Finn Skarderud. Segundo ele, um acréscimo de 0,05% na quantidade de álcool no sangue seria o segredo para uma vida mais feliz e produtiva.

‘Druk – Mais uma rodada’ / Divulgação

Acontece que eles resolvem ficar um pouquinho bêbados o dia todo, numa apologia às bebidas e aos famosos também adeptos do método etílico, se envolvendo em cenas hilárias e outras encrencas que desnudam a nossa hipocrisia.

Claro que os excessos têm causa e consequência, mas poucos têm a coragem de assumir do que gostam, realmente. Eu, por exemplo, não sou viciada em chocolate e nem em entorpecentes, mas gosto de um bom vinho e cerveja, em doses homeopáticas (dependendo do dia, porque ninguém é de ferro). Já estou achando que a teoria do filme pode fazer sentido, desde que você não saia dirigindo por aí depois de beber e nem resolva comprar briga na rua ou bater no primeiro que aparecer na sua frente, por favor!

Outros filmes já abordaram temas semelhantes, como “Se beber, NÃO case”. E hoje, eu acrescentaria algo bem pior: “Se beber, DESLIGUE o celular”. Esse sim, o mal do século, quando utilizado de forma irresponsável, em todos os sentidos.

Quantas vezes você foi acordado por aquele áudio hilário da sua melhor amiga, totalmente bêbada, filosofando ou praguejando contra a humanidade? Você mesmo, quantas vezes enviou mensagens que só vai lembrar uma semana depois (ou nunca mais), em estado de choque, quando for reler o que escreveu ou falou, numa amnésia sem precedentes?

Tenho uma amiga que, ao longo dessa longa pandemia, alegra meus dias com seus relatos pelo whats que já renderiam, sem sombra de dúvida, um roteiro fantástico para umas 59 temporadas de uma saga autobiográfica. Some-se a isso as minhas respostas e outros comentários totalmente irrelevantes para a posteridade, e concorreríamos em várias categorias do Oscar (talvez com mais chances na de ficção, embora todos os relatos sejam verdadeiros… ou quase, dependendo do dia e da quantidade de álcool no sangue, se seguirmos a lógica da teoria psicanalítica de “Druk”).

Claro que há dias em que nos debruçamos a comentar assuntos pesados, lúcidos, sérios, dramáticos, sóbrios, tristes e apavorantes, para não dizer que não falamos do horror desta peste que assola o mundo. Mesmo assim, essa é uma amizade que tem nos mantido a sanidade, como o vinho.

São essas doses de parceria, mesmo virtuais, que aumentam a nossa imunidade contra os chatos, os politicamente corretos demais, os parentes que mandam 10 vídeos por dia com soluções milagrosas para eliminar o coronavírus e os maus políticos, esses sim uma verdadeira praga que termina com qualquer um, mesmo os já vacinados.

Enquanto isso, continue fazendo exercícios físicos on-line, lives, pão caseiro, receitas exóticas, plantação de aipim e de tomate, enfim, coisas para não enlouquecer. Mas não todo dia, claro, porque ninguém aguenta mais isso, vamos combinar.

Reserve um tempo para continuar bebendo da eterna fonte da juventude, entre risos e devaneios, com o seu melhor amigo, além, é claro, daquela inseparável taça de vinho ou de sua “droga” favorita, que pode ser qualquer coisa, desde que você não morra disso.

Se beber demais, você até pode desligar o celular para evitar problemas futuros, mas não se desligue nunca do que te faz bem porque já temos coisas demais intoxicando a vida.

Saúde, queridos leitores!!!

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