As minhas três maiores lições de 2019

Todo o fim de ano renovamos nossas esperanças. Nossa mente precisa de um botão imaginário de reset – uma falaciosa sensação de recomeço, de pausa e de reflexão para o renascimento de algo maior, melhor, mais forte, que traga o significado perdido nos anos passados (e nos quais falhamos miseravelmente em cumprir com nossas antigas promessas, metas, planos).

Somos tão inteligentes quanto ingênuos. Passamos a vida querendo mais, mais, mais. Nunca basta, nunca é o suficiente, nunca estamos contentes. Não é este o sentimento que aflorou mais dentro de ti, em 2019? Vemos alguém estando bem em alguma coisa, já pensamos logo algo como “poxa, está melhor que eu”. Não precisa me responder nadica. Apenas reflita. Responda a ti mesmo.

Eu, capricorniana que não entende nada de astrologia ou de signos – sempre me cobrei muito. Fui criada em uma sociedade que não tolera fracassos e nem fraquezas. Interessante é ver que apenas agora, mais perto dos 40 que dos 30, o que era tido por fraqueza virou motivo de elogio e de admiração. Interessante, isso. Escrevi mais sobre o assunto, sobre soft skills e reais pontos fortes nesse texto que você pode ler aqui.

E mais interessante ainda, é perceber que mesmo em meio a tantas cobranças – impostas por mim ou pelos demais – eu sigo apreciando a vista e percebendo que cada passo dado conta. Em uma jornada, não importa o número de passos ou o tamanho das passadas com as quais tu caminha: o importante mesmo, é não deixar de caminhar. Escrevi sobre isso aqui, acredito que possa gostar desse texto também.

O ano de 2019 foi um ano de muito trabalho, de muito estresse, de muita correria, de muitas alegrias, de algumas tristezas e decepções, de saúde, de despedida, de amor, de estudo, de partilha, de família, de narrativas criativas lindas e de muita realização. Foi em 2019 que pela primeira vez eu consegui cumprir as minhas 10 metas estabelecidas ao final de 2018. Fiquei orgulhosa de mim, pois isso era um desejo de anos! Mas para conseguir cumprir essas promessas que fiz a mim, do fundo do coração, precisei abrir mão de algumas coisas e pessoas, deixando-as partir – literalmente e metaforicamente. O real amor, é aquele que não prende, não cobra e não sufoca. É aquele que existe sempre dentro da gente, no constante ato de uma existência cuja flama não se apaga nunca. E se este bem-querer for real, verdadeiro e forte, existe dentro da gente e nada é capaz de fazer com que se apague.

Seguimos amando, sentimos falta, mas deixamos partir. Os anos que passam, os momentos que vivemos, as pessoas que fazem parte de nossos dias.

Em 2012 eu perdi o meu avô. As últimas palavras que ouvi dele, já bastante debilitado e ainda em sua cama na sua casa, foram as palavras que para sempre ecoarão dentro do meu coração: “Minha neta querida. Não perca esse teu jeito, cuida de ti. O mundo vai tentar te destruir, ele não entende. Não permita isso. Tu és uma menina boa”.

Mesmo agora, escrevendo esta coluna passados 7 anos, choro ao lembrar desse dia, das mãos enrugadas do meu avô segurando as minhas, ele deitado na cama, minha mãe, avó e tias ao redor dele, eu sentada na beira da cama, chorando e ouvindo com atenção. Meu avô não foi perfeito. Quem o é? Desconheço. Mas meu avô foi a melhor pessoa que eu já conheci nesse mundo e pude conviver com ele por 28 anos. Eu não consegui ir vê-lo no hospital. Fui egoísta e preferi guardar no coração a lembrança dele falando comigo, ainda em sua casa. Hoje percebo que isso foi ruim e fez minha mãe sofrer, pois a ela coube o peso de sozinha segurar a barra da despedida e ainda de quebra, proteger as suas filhas já adultas de um evento que é comum onde há a vida: a hora da morte.

Eu sigo procurando cumprir a promessa que fiz ao meu avô, todos os dias da minha vida. Confesso que em alguns deles eu não consegui ser forte ou corajosa. Não é fácil ser corajoso, não é? Ter coragem não é ser destemido, pois pensem comigo: quem não teme a nada, não tem nada a perder. Sendo assim, não há bravura e nem coragem… apenas imprudência, em alguns casos… e noutros, arrogância. Mas o corajoso faz o que deve ser feito, mesmo com muito medo.

O jardim dos meus avós mudou muito após as suas partidas. Logo após meu avô materno, minha avó começou a regredir. Ela me disse algumas vezes que ouvia meu avô a chamando. Não sei se era delírio ou se realmente ela ouviu algo, mas eu acredito sim que o amor, mesmo que cessada a vida, siga nos regendo em forma de energia e através das lembranças. O orquidário do meu avô acabou ficando muito velhinho, as madeiras apodreceram e foi desmontado. Mas eu gosto de pensar nele assim como nesta foto, de 2013. Este orquidário, meu lugar favorito de todo o mundo. Repleto de luz, de orquídeas, da presença do meu avô.

Colna Martina -Foto 01
Orquidário de Rudi Alsiro Kirsch (acervo da autora)

Caminhamos muito, não é? Que ano! Vivemos bastante, vimos muitas coisas, descobrimos outras tantas. 2019 me trouxe diversos ensinamentos, mas elenco três deles como os principais:

  1. Seja grato, mas não se obrigue
  2. Adquira menos e vivencie mais
  3. Aprenda a envelhecer e a deixar partir

 

Seja grato, mas não se obrigue.

“Muito obrigada!” – poft, sai quase que sem pensar, automaticamente, após a um elogio qualquer. Não é? Eu não sei lidar com elogios. Não que eu não fique feliz, não que eu não me sinta agradecida. Longe disso. Eu apenas sinto que fazer o bem e o que é o certo, é algo como respirar. Não agradeço a cada respirada forte e tragada de ar que meus pulmões recebem, certo? Mas nem por isso deixo de ser grata pelo ar que entra e que sai, pelo oxigênio e pela vida que segue soprando dentro de mim.

Em 2019 eu ajudei algumas pessoas e isso foi o maior presente que eu poderia ter recebido. Indiquei  pessoas a vagas de emprego e estão todas bem, atuando na área criativa, crescendo e ampliando seus saberes. Eu já fui uma dessas pessoas ajudadas por outra pessoa, há anos atrás. O modo que eu encontrei para retribuir ao Universo, foi tentando fazer algo por outras pessoas também. Fazemos parte de uma corrente do bem invisível e poderosa. Cada uma de nossas ações, da menor até a maior de todas, conta. E se podemos ajudar, que o façamos. A vida é uma roda gigante, caros amigos. Estar lá em cima hoje, não é estado permanente. É a inconstância da vida o ingrediente que faz dela, especial… e a cada momento muito, mas muito único. Façamos valer a pena.

E dia desses, lendo alguns textos no LinkedIn, cheguei até esse de Suzi Possenti e o transcrevo aqui, pois merece ser lido na íntegra:

“Seja grato sempre, mas faça por obrigação, só se você quiser. Que mulheres dizem obrigada e homens dizem obrigado, vocês já sabem, né? Mas vocês sabiam que nem sempre devem dizer isso? Aliás, no Brasil temos o costume errado de nos obrigarmos a coisas que não precisamos. Obrigado vem do latim obligatus. Verbo obligare, ligar, amarrar. Diga que está obrigado ou muito obrigado apenas quando conscientemente queira retribuir e pagar o favor com a mesma “moeda” ou outro esforço similar. Diga GRATO ou AGRADECIDO para a maioria das coisas que as pessoas fizerem, pois é isso que realmente quer dizer. Nem sempre você conseguirá pagar na mesma moeda, então se liberte dessa obrigação já. Quando receber um serviço pelo qual esteja pagando e quando alguém lhe prestar um benefício, auxílio ou favor diga “eu estou agradecido” ou “eu estou grato”. Em relacionamentos familiares, na comunidade em que vive e na empresa, você também atua ou atuará a serviço da pessoa, então agradeça e retribua com leveza da gratidão. Em inglês thank you significa agradeço; Em espanhol, gracias quer dizer agradeço; E os franceses? Merci é agradeço! Italiano? Grazie é agradeço! Ah, mas e os alemães? Danke é, adivinha…agradeço! Desamarrem os nós da obrigatoriedade, preencham o mundo com gratidão!”

Uau. UAU. A mágica das palavras é algo incrível. Eu nunca tinha pensado nisso, na obrigatoridade de um agradecimento. Então desde que li este fabuloso texto no perfil de Suzi, procuro cuidar para agradecer de modo não-obrigado, mas repleto de gratidão.

E este foi o meu primeiro grande ensinamento de 2019.

Colna Martina -Foto 02
Fotografia de Hian Oliveira

Adquira menos e vivencie mais

Em 2018 eu comecei a adquirir muitos cursos online. Eu amo estudar e amo aprender. Como também ministro workshops, creio que seja importante estar sempre atualizada nos saberes criativos. Foram muitos cursos online comprados e estudados. Ufa. Eu não acredito que estudo e conhecimento sejam demais. E que bom que eu pude adquirir a tantos cursos e estudar tanto, mesmo em meio a um ano difícil para mim como foi 2018. Mas em 2019, eu pisei no freio. Eu poderia ter adquirido ainda mais cursos que em 2018, pois meu 2019 foi excelente. Mas eu optei por não adquirir tantos assim e por aproveitar de verdade os já adquiridos.

Vivemos a era da facilidade dos recursos e do acesso às informações. Isso é INCRÍVEL de tão bom. Se eu lembro como era difícil achar cursos há quase 14 anos atrás quando me descobri apaixonada pelo design de superfície, nossa! Impossível não abrir aquele sorriso e dar uma gargalhada! Eu precisava viajar de Igrejinha a Porto Alegre várias vezes durante a semana. Faria hoje a mesma coisa, se necessário, pois valeu cada centavo! Mas sim, foi bastante investimento financeiro e em tempo.

Hoje, tendo um smartphone e internet, pronto: busca-se tutoriais no Google ou em plataformas de ensino gratuitas ou pagas e já era. Um mundo de cursos estão ali, disponíveis.  Mesmo assim, sabe o que eu pensei muito durante todo o ano de 2019?

Na qualidade do conteúdo que eu consumo.

Eu cuido do alimento que como, eu cuido para não pegar muito sol e me torrar no verão, eu cuido para usar roupas quentes no inverno. Então me digam: qual o motivo de eu ser tão displicente com a minha saúde mental?

Percebi que um dos principais gatilhos para as minhas fortes crises de ansiedade, era o fato de acompanhar muito de perto a alguns profissionais da área criativa que sim, são ótimos, mas que nem sempre alimentam a minha cabeça com conteúdos que me fazem bem. “O melhor curso”; “Ganhe dinheiro!”; “Não precisa saber desenhar!”; “Comecei do zero e estou na abundância!”; “Passa por cima no desenho de outro e coloca ali um filtro e pronto, é teu!”; “Compre meu curso completo!”; “Compre o meu outro curso mais completo ainda!”; “Não perca a super oportunidade em adquirir o meu novo curso com desconto!”; “Será mesmo que tu já sabe de tudo, hein?”; “Vem aprender mais, vem!” […]

Foram cursos de marketing, foram cursos de desenho, foram cursos de design de superfície, design thinking, branding… foram cursos de técnicas de pintura, foram cursos de tudo que vocês podem imaginar. São cursos bons? São, claro que são. Eu me arrependi de tê-los feito? Não, de modo algum. Mas sabem o que eu sou contra? O consumismo desenfreado que te afirma que caso não faça o curso a, b ou c, tu não será um bom profissional. Sou contra o medo que existe nas entrelinhas do deixar passar algo, como se estivéssemos deixando passar uma grandiosa oportunidade e essa mesma oportunidade imperdível voltar a ser oferecida no mês seguinte. Sou contra o investimento em 12x que resulta em um valor quase 400 reais mais caro do que o inicial – quando nem sempre temos esse dinheiro para investir e mesmo assim o investimos sem pensar, amparados em promessas cujo cumprimento depende mais da gente do que de quem promete.

Cada um ensina muito. Cada um pode aprender muito. Voar em bando é maior do que voar solo. Mas talvez esteja na hora de repensarmos o que é mesmo a tal da transformação que desejamos na nossa vida e por onde é que ela realmente deva ser iniciada. Na área criativa hoje temos MUITOS ótimos professores. Eu teria uma lista imensa para citar aqui, de verdade. Mas mesmo eles sendo excelentes, talvez agora, nesse momento, não sejam a melhor escolha. E isso também está ok.

A tua jornada é diferente da minha. Estar cercada de pessoas que inspiram, é ótimo! Eu sou grata a todos que me ensinam algo, meus professores todos são muito incríveis. Os admiro, acompanho e desejo o melhor a cada um deles. Mas sabe? Eu me reservo ao direito de me fazer uma pergunta bem importante: quando estaremos prontos para andarmos com nossas próprias pernas, sem usarmos como muletas o marketing desenfreado que existe nessa maré de criativos ensinando as mesmas coisas, o tempo todo, com nomes diferentes mas mesmo conteúdo? Quando que nós, designers, artistas, criativos em geral, sentiremos que é possível sim, fazer algo, fazer algo MUITO bom!, com o que já temos em mãos? Preciso mesmo de mais um curso em 12x agora? Ou posso repassar o conteúdo de um curso já pago e extrair dele o melhor antes de sair comprando mais um? Será que um encontro entre amigos, regado a desenhos e conversas soltas, não pode render muito aprendizado também? Eu amo estudar e sempre pude ter acesso a bom estudo. Não estou dizendo que cursos online são ruins, viu? Exercitem aqui o raciocínio de interpretação que eu sei que habita essas cacholas ai! Estou dizendo que viver vale a pena. Estou dizendo que fazer algo com o que tu já tens em mãos HOJE, pode render muito mais do que te atolar em dívidas para ter retorno ANOS ADIANTE. Organizem e planejem os investimentos de vocês. E por mais que adorem o criativo a, b, c, ou d, acreditem um pouco mais em vocês antes de depositar tanto crédito nos outros – a real mudança começa ai dentro de vocês e curso nenhum faz milagre, por melhor que ele seja.

O tempo que a gente destina a assistir e a ouvir mais do mesmo, o tempo todo, poderia ser um tempo lindo de prática do que já sabemos. Ao invés de usar 3 horas de nossos dias para assistir a um modo de ‘aprenda a ser criativo’, poderíamos investir esse tempo sendo criativos, pensando sobre como ser mais criativos. Como? Caminha lá fora, fotografa o céu; pega uma folha que caiu da árvore e a desenha;  ao invés de voltar para casa pelo mesmo trajeto de sempre, suba uma rua antes ou desça uma rua depois; experimente um sabor novo de sorvete; faça um mesmo desenho 10 vezes em materiais e técnicas diferentes […].

E claro, se tu puder arcar com os investimentos de todos os cursos que desejar e tiver tempo para estudá-los, meu querido, vá em frente! Se puder assistir a todas as lives, a todas as aulas, beleza! Estude, aprenda, compartilhe, tudo bem! Mas só se realmente isso te fizer bem, promete? Combinado.

Colna Martina -Foto 03
Dia de desenho com minha amiga Tandara Hoffmann

Aprenda a envelhecer e a deixar partir

Em 2019 eu precisei dar adeus à minha melhor amiga. Ela faleceu poucos dias após completar 35 anos. Sandra Cassiana Damer  – engenheira civil graduada na UFRGS, loira, alta, linda, inteligente, engraçada, dona da risada mais gostosa, do cacoete com as mãos quanto pensava ou estava nervosa – ela esfregava os dedos polegar e indicador entre si. Sandra gostava de correr, era sempre muito exigente com tudo e todos e suas afirmações eram acompanhadas por um ‘ehhhhhmmm… sim…’ de vez em quando. Gostava de chiclete, fazia bolhas gigantes, era a pessoa que mais ficava linda quando vestia verde e azul. Usava as unhas quadradas, gostava de batons fortes e de muito rímel nos olhos. O temperamento era difícil, da gargalhada ia aos prantos em questão de poucos minutos.  Fomos batizadas juntas. Eu era a careta, a que não podia fazer nada, aquela da qual ela ria junto com as nossas amigas de infância quando, por exemplo, eu não podia ir ao Planeta Atlântida aos 14 anos, com elas. Hoje eu mal converso com as outras amigas, algumas já são até mães. Gostaria de conversar mais? CLARO QUE SIM! Mas eu não forço, deixo a vida seguir seu curso e me surpreender. Com uma delas, infelizmente por um grande mal entendido, a amizade foi rompida – e embora eu tenha tentado me reaproximar de todas as formas possíveis, não consegui sucesso.

Quando Sandra ainda estava podendo falar, ela me disse, chorando: “Perdoa ela. Peça perdão. Conversa com ela. Tenta fazer as pazes. Tu não foste convidada ao casamento dela, mas eu fui e estou aqui, em uma cadeira de rodas. Do que me serve?”

Eu tentei, Sandra. Uma, duas, muitas vezes. No teu velório, recebi um grande abraço dessa amiga e por alguns minutos eu pensei que estivesse tudo bem. Mas não… não estava. O calor do momento e a tristeza da tua morte prematura promoveram o abraço, mas a frieza do depois reforçou que não era nada além de um simples abraço, por mais que tenha significado muito para mim.

E nesse momento, quando eu te vi partir sem poder fazer nada a não ser chorar e lamentar, eu deixei também aquela outra amizade partir. Não deixei de me importar, ou de torcer por ela, ou de desejar o melhor do mundo àquela que de nós 6 sempre foi a mais inteligente e a melhor com as palavras. Apenas entendi que o amor se transforma e maior do que ser amado, é o poder que existe em seguir amando.

Eu dizia para a Sandra, muitas vezes – “Amiga, a vida é grande supermercado! Vai e escolhe o que tu quer!”

O que eu não sabia naquele momento, aos meus 17 anos, é que eu deveria ter acrescentado o ‘esteja preparada para pagar a conta!’ ao final. Tudo vem e vai. Tudo. De bom e de ruim. Mas essa matéria invisível a qual chamo de ‘energia das lições’, nos fortalece demais. A gente vive e aprende a dar sentido a cada dia de nossas vidas. É possível, real, mas não é fácil.

Hoje eu vivo por mim e por ti, também. E eu me despeço finalmente, tendo caído a ficha tardiamente, pois quando a saudade for maior do que tudo, basta fechar os olhos e lembrar. E é assim que quero lembrar de ti, minha amiga.

Colna Martina -Foto 04
Eu e minha amiga Sandra em 2016

Dia 01 de janeiro eu farei 36 anos. E foi em 2019 que eu finalmente aprendi a começar a aceitar o meu envelhecimento. Sim, temos que aceitar que estamos envelhecendo. Nascemos e já começamos a morrer. É geralmente um processo lento, gradual e progressivo… mas acontece. E sim, podemos adotar a postura de a) ficar contrariado com isso, enfiando botox em todas as rugas do rosto e tintas em todos os fios brancos do cabelo ou b) aprender a conviver com as mudanças do tempo.

Percebam que não há nada de errado em usar botox ou pintar o cabelo, ok? Cada um vive a sua vida do modo como bem entender e está tudo bem.

Mas eu, aos 35 anos e ainda nenhuma interferência cirúrgica, me sinto hoje muito mais bonita do que quando fui bem mais magra, cabelos castanhos sem brancos e sem as marcas de expressão de hoje, que aparecem quando eu sorrio.

De tanto rir e de me emocionar, as linhas de expressão tornam-se mais visíveis. E onde há tanto sentimento, há lugar para ter vergonha da passagem do tempo?

Claro que pela saúde, minha ansiedade e minha pressão alta, é fundamental que eu me cuide e emagreça, por exemplo. Por isso, por querer viver muito ao lado de todos a quem amo, eu ando me cuidando mais. Mas sem cobranças. Sem desesperos estéticos e ciente de minhas já visíveis limitações em alguns casos.

Ontem eu recebi uma propaganda de um aplicativo via Instagram, que dizia fazer maravilhas em fotos e vídeos nossos. Olhei aquilo e dei risada. Do que adianta parecer ter 15 anos nas fotos se na vida real eu tenho meus quase 36? A quem mesmo que eu quero tentar enganar? A quem me segue? Para que mesmo? Likes? Pssssss.

Eu decidi aprender a começar a aceitar o envelhecer esse ano, aos 35, para chegar aos 70 bem e feliz. Eu decidi ser feliz com o que eu já possuo – e que não é pouco! – ao invés de tentar alcançar aquilo que jamais terei. E isso em todas as esferas da vida.

Ser uma modelo linda, sem rugas e cheias de curvas? Ou ser a Martina que é feliz sendo como é, podendo e querendo melhorar a si e ao mundo que a cerca, mas sem que para isso seja necessário fantasiar-se de algo que não seja real?

Eu decidi aprender a me amar, mesmo que o mundo todo me aponte os meus inúmeros defeitos, todos os dias. E para isso, precisei deixar de querer controlar tudo, a todo o tempo. Sou falha, limitada, em constante evolução. Mesmo assim, cheia de pontos fracos, consigo hoje dar mais valor aos meus pontos fortes.

E o reflexo no espelho tem me dito que sim, eu tenho feito um ótimo trabalho – e hoje não ligo só para a aparência, mas também para a minha essência.

Um grande beijo estampado a todos vocês, agradeço a companhia em 2019. Foi um prazer compartilhar alguns de meus pensamentos com vocês. Agradeço muito à querida Lidi Lehnen, por esta oportunidade.

Se Deus quiser, em 2020 seguiremos nos lendo por aqui.

Com carinho,
Martina Viegas

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