INVESTIMENTOS: Não existe dica quente no mercado financeiro

Para quem acompanhou as notícias do mercado financeiro nas duas últimas semanas, percebeu que a taxa Selic caiu novamente, para 4,25%. Mas não se desespere! Hoje, mesmo ela estando baixa, ainda assim vale a pena guardar dinheiro em renda fixa para sua reserva financeira, já que para ela precisamos de liquidez diária. Mas para que você possa diversificar a sua carteira de investimentos, hoje falaremos sobre investimentos de renda variável.

Coluna Adina

Relembrando as três análises que precisamos considerar ao investir (apresentadas na coluna anterior):
– RISCO
– RENDIMENTO
– LIQUIDEZ

Quando falamos de mercado financeiro e de bolsa de valores é difícil não ser influenciado por uma massa de pessoas, mesmo que na hora isso nem seja percebido. Investir em renda variável deve ser uma decisão baseada em contas e fatos reais, sempre racionais. Quando investido diferente disso, o resultado é desastroso. É por isso que,  muitas vezes, vemos pessoas que investiram na bolsa tendo arrependimentos. Se a ação sobe, ela se arrepende por não ter comprado mais desse título. Quando ela cai, lamenta o dinheiro perdido. Quando não faz nada e vê os outros ganhando dinheiro, se arrepende de não ter investido antes. Esse tipo de investidor é movido primeiro pela ganância, depois é desarmado pelo medo.

Coluna Adina (2)

Mas se não entendemos como funciona, como podemos avaliar os nossos investimentos a longo prazo? Uma boa carteira de investimentos não é aquela que promete o maior rendimento, mas sim aquela que atende melhor, tanto as suas necessidades de curto prazo quanto as de longo prazo. Por mais que a rentabilidade possa ser atrativa, o fato de haver a possibilidade do investimento dar errado pode potencializar ainda mais os danos.

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Com o aumento da procura por investimentos melhores que a poupança, os serviços financeiros cresceram absurdamente:

  • Bancos – Seu principal negócio é lucrar com empréstimos, não com investimentos;
  • Corretoras – Oferecem maior poder de escolha aos clientes. Ganham na taxa de corretagem de alguns produtos;
  • Banco Digital – Para o pequeno investidor é uma boa opção com baixo custo e que apresenta títulos com rendimentos superiores aos dos bancos convencionais;
  • Gestora – São empresas do setor financeiro que criam um fundo e decidem para onde vão os seus recursos. Um ponto positivo das gestoras é que elas não cobram comissão;
  • Robôs – É bom para leigos. Um sistema avalia seu perfil de investidor e faz as escolhas por você.

Uma das coisas mais importantes para o investidor ter sucesso é a capacidade de separar o que é RUIDO do que é SINAL.

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Bem, agora vamos a alguns tipos de investimentos da renda variável:

Fundos Imobiliários

Conhecidos como FIIS, são ativos negociados na bolsa de valores que levam o investidor ao mercado imobiliário. Ao investir num fundo imobiliário, você estará se associando a outros investidores com o mesmo intuito, o de fazer uma série de compras no mercado imobiliário.

Os fundos imobiliários repassam dividendos, que são equivalentes ao capital que temos no FIIS. Mas existem FIIS diferentes, que é importante você saber:

Fundos de tijolos: compram empreendimentos já construídos;
Fundos de títulos e valores mobiliários, concentrados em CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários): Eles são títulos de renda fixa, nos quais os investidores cedem seu capital com a promessa de que receberão o valor corrigido por um índice do mercado (IGP-M ou IPCA), somado a uma taxa definida no momento da aquisição do CRI;
Fundos Híbridos: mistura entre empreendimentos imobiliários, títulos e até outros fundos.

As vantagens de investir nos fundos imobiliários:

  • Podemos investir com pouco capital;
  • O imposto de renda é diferenciado;
  • Para vender você só precisa ir à bolsa de valores e colocar a ordem de venda;
  • Menos burocracia, a sua única preocupação será com a compra e a venda das suas cotas;
  • O reinvestimento do fundo é fácil, você consegue investir o dinheiro em mais cotas nos fundos imobiliários;
  • Caso você não se sinta confiante investindo em fundos imobiliários sozinho, contrate um gestor profissional pois ele poderá fazer algo mais assertivo.

Para fazer a escolha de um bom fundo imobiliário temos alguns detalhes para olhar atentamente:

  • Taxa de vacância: Ela é a relação entre o volume de imóveis disponíveis e o volume total existente. É uma taxa que mostra os imóveis que estão vagos e por isso não estão rendendo;
  • Gestão do fundo: Precisamos saber se o gestor tem experiência no mercado e se as experiências foram positivas. Ou seja, se ele tem histórico de boa gestão de fundos imobiliários;
  • Yield: É a relação do quanto o FII distribui em relação ao preço de sua cota. Quanto maior o ‘yield’, melhor pro investidor;
  • Rentabilidade garantida: Alguns fundos tem a rentabilidade garantida, isso quer dizer, uma garantia de determinado rendimento em dinheiro durante um período firmado pelo fundo imobiliário com os seus cotistas;
  • Taxas: Muitas vezes há incidência de taxas que são cobradas pelas partes envolvidas nas transações;
  • Aplicação do FII: É importante entender a carteira do fundo, porque
    o dinheiro estará em uma dessas aplicações. Entender se a carteira é boa ou não, é entender se o seu dinheiro está ou não bem investido;
  • Valor patrimonial: Saber o valor do patrimônio é importante pois, é por meio dele que nós encontramos boas oportunidades;
  • Cap rate: É a relação entre o preço do aluguel e o preço do imóvel. Pode servir de comparativo entre os seus próprios imóveis em carteira, assim você pode melhorar as suas decisões ao escolher fundos imobiliários mais eficientes.

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Tomar decisões sobre o que fazer com o dinheiro é algo muito pessoal e pode variar muito de uma pessoa para outra, conforme o seu propósito e o prazo que ela tem. Às vezes erramos, mas o importante é se manter focado no resultado final.

Ações

Ações não são difíceis de serem compreendidas, são apenas um tipo de investimento que representa o capital social de uma empresa. As empresas que vendem suas ações na bolsa são conhecidas como empresas de capital aberto. Comprar ações exige conhecimento de alguns conceitos, vamos citá-los:

  • Initial Public Offering (IPO): A empresa coloca pela primeira vez suas ações na bolsa de valores, visando ganhar capital para expandir seus negócios. O mercado acionário serve como porta de entrada para a capital empresas que estão crescendo e acelerando seus planos de investimentos;
  • Ações ordinárias: São as ações que dão direito a voto na assembleia geral da empresa;
  • Ações preferenciais: São as ações que garantem prioridade no repasse de dividendos feitos pela empresa, mas que não dão direito a voto;

Vale lembrar que existem duas maneiras diferentes dos acionistas ganharem dinheiro com ações:

Dividendo: São isentos de IR pois vem do lucro líquido;
JSCP (Juros Sobre Capital Próprio): Não possuem incidência de IR para a empresa, pois são tratados como despesa, mas o IR é cobrado do investidor.

Assim como no fundo imobiliário, uma boa estratégia é investir o dinheiro que se ganha com os dividendos de uma empresa. Assim, o investidor vai aumentando tanto seu patrimônio quanto os aportes ao longo do tempo. No futuro, os dividendos poderão se tornar uma fonte de renda extra. Nunca esquecendo que o mercado de ações faz parte do mercado da renda variável e, por isso, é importante entender que não é um rendimento fixo, ele vai depender das oscilações do mercado.

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Agora vamos ao conceito de algumas palavras conhecidas no mercado da renda variável, para que você conheça um pouco mais sobre o assunto:

  • Valoração: Sem saber se determinado ativo está caro ou barato, o investidor não saberá de forma mais exata sobre o risco que está assumindo no longo prazo, por isso, precisamos analisar o Preço sobre Lucro (PL). Na prática, quanto menor ele for, mais barato está o ativo. Apesar de ser um indicador muito importante, o PL não diz tudo.
  • Indicadores macroeconômicos: Servem para averiguar o pulso do mercado no médio e longo prazo. São dois tipos de indicadores diferentes: um deles, chamado de ‘antecedentes’ – que antecipa o andar da economia – e o outro chamado de ‘atrasados’ – que mostram algo que já aconteceu.
  • Sentimento: Revela o ânimo dos investidores em relação as perspectivas de mercado. Sua aplicação se dá, no médio e longo prazo. Normalmente é notada quando alguma aplicação começa render muito.
  • Ação dos preços: Serve para avaliar a saúde de uma tendência no curto prazo, chamado de ‘timing’ – no jargão do mercado trata-se da análise técnica;
  • Suporte e resistência: Representam os pontos mais baixos e altos que a ação pode chegar. Quando uma ação bate muitas vezes no preço mais alto, chamamos de ‘resistência’ e, do contrário chamamos de ‘suporte’;
  • Índice de Força Relativa (IFR): Ilustra o fôlego de uma ação. Quanto mais baixo, melhor a oportunidade;
  • Volume financeiro: Indica a quantidade de dinheiro negociada em um determinado período;
  • Liquidez da Ação: Essa liquidez é D+3. Em 3 dias úteis, depois da compra ou da venda, ocorre a liquidação;
  • Ativo: Papel ou título que deseja comprar;
  • Lote Padrão: As ações são negociadas em lotes de 100 ações;
  • Mercado fracionário: Quando compramos ou vendemos menos do que um lote padrão, estamos no mercado fracionário;
  • Return on Equity (ROE): É um valor obtido por meio da divisão entre o lucro líquido e patrimônio líquido, conhecido como ‘retorno sobre o patrimônio’;
  • Preço sobre o valor patrimonial (P/VPA): Uma das melhores formas de usar esse indicador é em análises de setores. Comparar um banco com outro banco é o ideal, pois comparar um banco com uma empresa de tecnologia por exemplo, pode levar a conclusões erradas, dado que a dinâmica das duas empresas é muito diferente.
  • Dividend Yield: Indicador que mostra o quanto uma empresa paga de dividendos em relação ao preço da sua ação.
  • Corretagem: Você paga a corretagem sempre que compra ou vende um ativo na bolsa de valores;
  • Emolumentos: São o tipo de custo cobrado por operação na bolsa de valores;
  • Swing trade: Compra da ação em data diferente da sua venda;
  • Day trade: Movimentação da compra e da venda da ação realizada no mesmo dia;
  • Custódia: Taxa cobrada mensalmente pela corretoras. Muitas hoje em dia já não cobram mais a taxa de custódia;

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São muitas informações novas para a maioria das pessoas, mas não se desespere se, a cada dia você ler um pouco sobre o assunto e colocar em prática, logo estará investindo em muitos lugares diferentes e terá diversificado a sua carteira de investimentos com sucesso!

Hoje eu fico por aqui, lhes desejando uma ótima semana!
Forte abraço!

 

 

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