Dias de amor e ódio

Eu pensei em escrever sobre o Dia do Trabalho, mas agora já está chegando o Dia das Mães e logo mais outros “dias” comemorativos virão e, talvez, não digam nada para você e nem para mim. Talvez digam mais sobre comércio e consumo, sobre um falso reconhecimento ao trabalhador cansado, recompensado com um salário mínimo irrisório.

Trabalhar, aliás, é o que fazemos todos nós a maior parte de nossas vidas, assim como nossas mães, desde que nascemos, para nos sustentar. Por isso, não idolatro datas e nem dias específicos. Melhor estar presente e homenagear quando convém ao coração, à alma, à vontade genuína de reconhecer quem trabalha, quem gera, quem produz, quem se aposentou, quem é criança, idoso e até já falecido.

Porque um dia só é pouco, em qualquer situação, para reverenciar aqueles que estão conosco todos os dias, todas as semanas, todos os anos, seja por meio dos serviços prestados ou do amor incondicional de nossas mães, que não tem preço e nunca será pago como deveria.

Mas a reflexão desta semana, às vésperas de mais um Dia das Mães, me leva a pensar nas centenas de crianças órfãs de mulheres assassinadas pelos maridos ou companheiros. Órfãos de pais e padastros, que também cometem suicídio, em algumas situações, depois de exterminarem a mãe de seus filhos.

Talvez uma década, um século seja pouco para lembrar a todos que essas crianças e adolescentes nunca mais saberão o que é ter mãe. Carregam, isto sim, o olhar petrificado do horror que deve ter sido presenciar a morte de quem mais amavam. Um dia é muito pouco, mas talvez seja o momento de transformar esta data, este Dia das Mães, em algo bem mais profundo e solidário a esses pequenos que sobreviveram e morrerão em vida, aos poucos, com o trauma sem fim.

Dias perfeitos não existem, nem mães! Mas são elas que amparam, embalam, rezam e protegem seus filhos, mesmo à distância, mesmo depois de assassinadas, tenho certeza. Porque mãe não morre! Mãe existe todo o dia dentro da gente até o nosso último instante da nossa vida. Pena que estes órfãos não terão a oportunidade de ver suas mães envelhecerem. Alguns deles, tão pequenos, nem lembrarão do seu rosto, mas talvez um anjo vai lhes dizer que, no Dia das Mães, e em todos os outros, elas sempre estarão junto deles e bem longe dos seus assassinos que jamais saberão o que é amar.

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