INVESTIMENTOS: As pessoas empobrecem muito mais pela falta de conhecimento do que pela falta de dinheiro

Olá leitores, tudo bem com vocês? Estou curiosa para saber se, o que tenho escrito aqui, vocês estão colocando em prática (ao menos parte daquilo que escrevo) ou se, ao menos, está fazendo você ter uma visão mais clara da sua vida financeira. Hoje vou falar sobre investimentos. A verdade é que gastar dinheiro é muito bom, mas gastar, quando se tem dinheiro, é muito melhor.

Coluna adina 02022020

Na cultura do nosso país, a noção sobre riqueza e investimento vem sendo há muito tempo ensinada e discutida de maneira distorcida, gerando crenças infundadas sobre acúmulo de patrimônio. Esses erros, repetidos geração após geração, criaram pessoas endividadas, que não conseguem destinar nenhuma parte do que ganham para investimentos. É natural que o tamanho da nossa carteira de investimento seja menor do que os nossos sonhos. Pela falta de aprendizado de finanças e questões culturais, o brasileiro acostumou achar normal parcelar tudo e não colocar na ponta do lápis os custos desse hábito.

O raciocínio é bem simples! Nenhuma instituição coloca um bem em suas mãos ou empresta dinheiro porque é bonzinho. A moeda de troca são sempre os juros e, pagar juros é o que diferencia os ricos dos pobres. O pobre paga juros para sempre, já o rico recebe os juros.

A verdade é que não há uma resposta única e simples para cada decisão financeira tomada. É comum ouvirmos de diversos especialistas conclusões superficiais e que não correspondem a realidade de todas as pessoas. Não existe momento certo para guardar dinheiro. Na verdade, quanto mais cedo, melhor! Você precisa pegar as rédeas da sua vida financeira e entender exatamente para onde vão suas finanças, e eu não estou falando de você saber o que o seu gerente do banco está fazendo com seu dinheiro, mas sim, você saber e questionar o seu gerente sobre onde e porque ele está investindo naquilo que investe, para guardar e não fazer gastos de alto impacto na sua vida financeira que depois possa ter algum arrependimento.

Agora, pense nisso:

  • De qual lado estão os juros? Do seu ou do banco?
  • Você está antecipando um sonho que pode ser usufruído com mais tranquilidade no futuro?
  • Com esta decisão conseguirá manter sua meta de investir todos os meses? Lembre-se que para começar pode ser com 5% ou 10% no primeiro ano, depois você vai aumentando.
  • A motivação para este gasto é realmente importante ou só consumismo?
  • Avalie o gasto e espere alguns dias para reavaliá-lo. A pressa não é só inimiga da perfeição mas também do seu bolso.

Coluna adina 02022020 (2)

Mas, então vamos lá, vamos falar hoje sobre investimentos de renda fixa.

Antes de começarmos, quero falar três análises que precisam ser consideradas ao investir: Qual o risco do investimento? Qual o rendimento do investimento? Qual a liquidez (isto é, período de vencimento)?

O mais conhecido dos investimentos aqui no Brasil é a poupança, mas pela baixa rentabilidade já não podemos mais considerá-lo tanto. Ainda assim, é melhor deixar na poupança do que deixar dinheiro parado na sua conta corrente (ou em casa).

  • Para quem está começando ou deseja sair da poupança, o Tesouro Direto é considerado o melhor caminho. A plataforma do Tesouro Direto é o destino de muitos pequenos investidores. O Tesouro Selic é o título público que tem seu rendimento atrelado à taxa Selic Over, possuindo pouca oscilação ao longo do tempo e seu rendimento segue uma linha praticamente crescente.
  • Temos também o Tesouro IPCA. É o título público com rendimentos atrelados a inflação (tendo como base o índice IPCA), juntamente a uma taxa fixa. O Tesouro IPCA é mais indicado a longo prazo por dois motivos muito importantes: As datas de vencimentos são maiores e essa modalidade de investimento garante uma rentabilidade acima da inflação, o que torna esse título interessante para segurar um aumento do poder de compra no longo prazo.

Ele é interessante também para investidores focados em aposentadoria, uma vez que consegue levar o padrão de vida de acordo com a inflação. Isso à primeira vista, pode não parecer tão impactante, mas segundo dados do IBGE, apenas 1% da população brasileira consegue se aposentar com o padrão de vida igual ou maior ao que tinha como trabalhador ativo.

  • Também temos um terceiro tipo de Tesouro Direto: o Tesouro prefixado. Sendo um título público que tem o seu rendimento atrelado a uma taxa fixada, o tesouro prefixado é o mais indicado para quando entramos em uma situação em que vale a pena fixar a taxa de juros, por acreditar que esse valor vai cair no futuro. Ele também é muito simples. Como sua taxa é prefixada e vai até o vencimento, se você investir no tesouro prefixado de 10%, por exemplo, independente da oscilação da taxa de juros ou da inflação o seu título renderá 10%.

É importante salientar que existem duas versões para o tesouro IPCA e para o tesouro prefixado. Os dois títulos possuem ainda uma modalidade que chamamos de cupom semestral. Basicamente, esses dois títulos permitem recebimentos de juros do investimento sempre ao fim de cada semestre, em vez de esperar para receber no vencimento da aplicação ou em seu resgate. A parte boa é que podemos utilizar esse retorno semestral para investir em mais títulos ou tê-lo como uma renda periódica garantida. Mas tem também o seu lado ruim, o de perdemos um pouco do poder dos juros compostos, já que esse rendimento acaba não sendo acrescentado no título.

Coluna adina 02022020 (3)

Títulos de Crédito Privado

É importante entender que os títulos de crédito privado representam um risco um pouco maior do que os títulos públicos, afinal de contas, estamos emprestando dinheiro não para o governo, e sim para as instituições financeiras do mercado.

O processo de decisão de investimento em crédito privado também é simples. Se temos um risco maior no crédito privado do que no título público, esse risco tem que ser justificado com uma rentabilidade maior. Como também, a liquidez no crédito privado pode ser bem menor do que no tesouro. Essa falta de liquidez tem que ser justificada por rentabilidade maior. Se essa rentabilidade maior não existir, então não temos uma boa justificativa para entrar nesse meio. Vou citar alguns investimentos de crédito privado:

  • Certificado de Depósito Bancário (CDB): No CDB, você empresta dinheiro para uma instituição bancária que usa esse dinheiro para financiar suas atividades e, em troca, vai remunerar você com juros. O CDB pode ter liquidez diária, permitindo resgate rápido, ou baixa liquidez, o que possibilita o resgate do investimento apenas na data do vencimento. A dica aqui é procurar pela chamada “data de carência”, que indica até quando investimento deve ser mantido pelo investidor.  No caso do CDB ligado ao CDI, o primeiro ponto é verificar se a sua taxa de rendimento é maior ou igual a, pelo menos, 100% do CDI. Em caso negativo, você pode estar dando de cara com um CDB não muito bom.
  • Debêntures: As debêntures são títulos emitidos por empresas para captação própria com objetivo de financiar algum projeto. Elas possuem vencimentos um pouco alongados. Muitas delas pagam juros semestrais ou anuais, ou seja, é possível aumentar muito a sua rentabilidade com esse produto. Mas como nem tudo são flores, as debêntures não possuem garantia do FGC (Fundo garantidor de Crédito), e é normal que os investidores acreditem que as debêntures representem um investimento de maior risco por este motivo. Mas nem sempre isso é verdade. Grande parte das debêntures tem prazos mais extensos e é atrelada ao IPCA, dando a oportunidade de garantia de rentabilidade real com os rendimentos advindos da debênture. Mas nunca é demais tomar algum cuidado, pois as debêntures podem representar, apesar de não sempre, um risco maior ao investidor.
  • Letras de crédito do agro negócio (LCA) e Letras de Crédito imobiliárias (LCI): As LCA’s e as LCI’s são títulos emitidos por instituições financeiras públicas e privadas. Uma é vinculada à direitos creditórios originários de negócios na área imobiliária (LCI) e a outra na área rural (LCA). A LCI/LCA é um dos instrumentos de renda fixa mais procurados pelos investidores pessoa física nos últimos anos, porque, ao contrário do CDB, conta com isenção de imposto de renda para esse público. Ela pode ser remunerada por taxa pós ou pré-fixada e ainda possui garantia do FGC.
    As rentabilidades das letras de crédito podem parecer nominalmente um pouco menores do que as dos demais investimentos, mas a isenção de IR, principalmente no curto prazo, tende a deixar estes títulos bem interessantes.

Coluna adina 02022020 (4)

Desejo ainda falar a vocês sobre o Fundo Multimercado. Com ele, a gente fica com um pezinho na renda variável, mas, o fundo multimercado. Hoje nos permite estratégias variadas, seja com ativos em renda fixa, ações, entre outros. A melhor parte é que você não precisa se preocupar se tem dinheiro o bastante para aplicar em todos os ativos investidos, basta você atingir a cota mínima de entrada no fundo para poder participar de uma série de investimentos interessantes.

O primeiro passo neste caso é definir o objetivo: se for reserva estratégica, um fundo de renda fixa/multimercado com alta liquidez é o ideal. Caso a procura por maiores rentabilidade, mesmo que representem riscos altos, seja o objetivo, o fundo de ações é interessante. Caso não queira tanto risco, mas ainda procure um rendimento acima do estipulado em renda fixa, um fundo multimercado pode servir.

Enfim, determinado objetivo, agora o próximo passo é saber como identificar se as taxas valem a pena ou não. Temos as seguintes taxas e você deve ficar atento à elas:

  • Taxa de rendimento: é sempre bom ter em mente que ele não é tão bom se for abaixo do CDI.
  • Taxa de administração: valores acima de 1% para renda fixa e acima de 2% para a multimercados são questionáveis.
  • Taxa de performance: cobrada em fundos com maiores riscos, existe uma taxa de 20% padrão de mercado, mas tome cuidado com taxas adicionais.
  • Taxa de carregamento: é difícil de se ver em fundos competitivos. Por isso, se encontrar uma em seu caminho, é bom analisar bem esse fundo antes de escolhê-lo.

Por fim, creio que você já tenha percebido que quando se trata de renda variável, fica um pouco mais complicado. Tem muita informação e tem muitos itens a serem analisados, mas não desanime! Por ser um assunto longo, na próxima coluna vou falar sobre os investimento de renda variável.

Um abraço, tenha uma ótima semana!
* E escreve aqui pra mim se você se sentir confortável. Ficarei muito feliz em saber como está sendo para os leitores ter uma coluna sobre finanças pessoais aqui no Drops do Cotidiano.

 

 

 

2 comentários

  1. […] Tanto durante, quanto depois da sua tarefa de juntar dinheiro, você precisa investir corretamente a sua reserva financeira. Como você não sabe quando precisará acessar o dinheiro dessa reserva, é imprescindível que ela esteja investida em algum lugar em que você possa resgatar com facilidade. Lembre-se que a reserva é a sua segurança, você não ficará rico com ela, portanto o investimento precisa ter liquidez, afinal, o foco aqui não é rentabilidade. Pra saber mais leia aqui a coluna de investimentos de renda fixa. […]

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s