Taquara Summit debate futuros, liderança e inovação regional na abertura da quarta edição

*Por Ana Cristina Basei/Especial

A quarta edição do Taquara Summit, realizada nesta sexta-feira, 21 de agosto, reuniu mais de 1.000 participantes no Centro de Eventos da Faccat, em Taquara. Reconhecido como um dos principais encontros de inovação e gestão do Vale do Paranhana, o evento abriu sua programação com discussões que conectaram estudos de futuro, liderança e saúde mental, experiência do cliente e desenvolvimento regional.

O futuro como ferramenta de trabalho

A programação começou com o futurista Felipe Menezes, fundador da WTF! School, sócio da Teya Coworking e cofundador do Meu Lar de Volta, plataforma criada para organizar mutirões de limpeza durante as enchentes no Rio Grande do Sul.

No painel “Como usar futuros no presente”, Menezes defendeu que pensar o amanhã não significa tentar antecipar acontecimentos com precisão, mas desenvolver capacidade de imaginar cenários e identificar sinais de transformação. “Quando falamos de futuro, é mais importante ser imaginativo do que estar certo”, afirmou, citando o futurista norte-americano Alvin Toffler.

Ele comparou o trabalho do futurista ao de um “arqueólogo ao contrário”: em vez de partir de vestígios para reconstruir o passado, observa sinais de mudança já presentes para formular hipóteses sobre aquilo que pode ganhar escala. A ideia sintetizou uma das provocações centrais da manhã: “Futuros são lugares dos quais se pode aprender. E é sempre preciso estar de prontidão para criar o futuro que queremos viver, ou alguém vai criá-lo por nós”, resumiu.

Liderança também passa por saúde mental

Na sequência, a psicóloga Carolina Furmeister, especialista em gestão comportamental e fundadora da Grou, conduziu o painel “Novos líderes para um novo mundo”. A partir dos impactos do excesso de estímulos e da sobrecarga de informação, ela chamou atenção para uma questão que atravessa o ambiente corporativo: a necessidade de recuperar sentido e segurança nas relações de trabalho. “Estamos obesos de informação e famintos de sentido”, afirmou. 

A palestrante citou um dado da Organização Mundial da Saúde segundo o qual 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente no mundo em razão de depressão e ansiedade. Segundo Carolina, o estado de alerta permanente compromete a criatividade, enquanto ambientes psicologicamente seguros favorecem melhores resultados – cenário que ajuda a compreender também a crescente resistência a cargos de liderança associados à sobrecarga e ao esgotamento.

Como contraponto, apresentou a autocompaixão, conceito desenvolvido a partir dos estudos da pesquisadora Kristin Neff. “Se tu não performou tão bem no dia, está tudo certo. É natural, é do trabalho, é do dia a dia. Te acolhe. Amanhã pode ser melhor e não desista de buscar isso”.

Hospitalidade como estratégia de negócio

A taquarense Trícia Neves, hoteleira e consultora, fundadora e sócia-diretora da Mapie e integrante do Conselho de Turismo da Fecomércio São Paulo, levou ao palco uma perspectiva que ultrapassa o setor turístico. No painel “Hospitalidade em tempos de excesso”, defendeu que toda empresa oferece uma experiência – e que ela é construída em cada ponto de contato com o cliente.

Em um cenário marcado pelo excesso de informação e estímulos, a resposta, segundo Trícia, não está em acrescentar cada vez mais elementos, mas em compreender com precisão quem está do outro lado. “Qual é o sentimento que você quer gerar com o cliente quando ele está em contato com a sua empresa?”, questionou. Com cerca de 30 anos de atuação nessa perspectiva, a consultora provocou a plateia ao afirmar que o cliente deve vir em segundo lugar e o time, em primeiro. Para ela, a hospitalidade – entendida como a qualidade da relação entre quem recebe e quem é recebido – é uma competência que pode ser aplicada a empresas de qualquer segmento.

Inovação com endereço no interior

Encerrando a programação da manhã no palco principal, o painel “Conectar para desenvolver: o papel dos eventos de inovação no desenvolvimento regional” reuniu José Renato Hopf, fundador da Getnet e idealizador do South Summit Brazil, e a jornalista Patrícia Knebel, responsável pela mediação.

Hopf defendeu que a inovação precisa estar conectada ao território, porque é nas cidades que as pessoas vivem e onde os problemas concretos se apresentam. “Em cada região isso é essencial para avançar nos setores que sustentam a sua própria economia”, afirmou.

Nessa perspectiva, eventos de inovação podem funcionar como catalisadores de ecossistemas locais, aproximando empreendedores, empresas, instituições e novas oportunidades de negócio. Para o empresário, empreender é também uma forma cotidiana de produzir transformação. Ao final, Knebel ressaltou a importância de o ecossistema gaúcho contar com empreendedores capazes de transformar ideias em iniciativas concretas e contribuir para o fortalecimento da cultura de inovação no Estado.

A cobertura do Drops continua

A programação do Taquara Summit seguiu ao longo do dia, com painéis sobre empreendedorismo e transformação de territórios, apresentação de cases e debates sobre inteligência artificial, economia e sustentabilidade. O Drops do Cotidiano acompanhou o evento e ainda terá mais conteúdos desta cobertura.

O 4º Taquara Summit é realizado pela Prefeitura de Taquara, Faculdades Integradas de Taquara (Faccat) e Sesc Taquara, com idealização do Instituto Taquara Mais.

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