Taquara Summit encerra quarta edição destacando liderança, economia circular e autenticidade

*Por Ana Cristina Basei/Especial

Depois de uma manhã dedicada aos estudos de futuro e à liderança, a quarta edição do Taquara Summit avançou à tarde com pitches, apresentação de cases e painéis sobre inteligência artificial, economia, geopolítica e marcas. Entre as atividades acompanhadas pelo Drops do Cotidiano durante a tarde da sexta-feira (21), três se destacaram por um ponto em comum: mais do que discutir tecnologia, colocaram as pessoas no centro – o que as motiva, o que consomem e aquilo que as torna insubstituíveis.

O propósito como base da gestão

O painel “Como líderes podem transformar empresas e territórios” levou ao palco principal José Galló, empresário que comandou a Lojas Renner por mais de três décadas, em conversa mediada por Ronald Krummenauer, ex-secretário estadual da Educação e articulador de iniciativas como o Transforma RS.

Para Galló, toda empresa precisa ter propósito, independentemente do porte – “seja com cinco colaboradores ou com 20 mil”. Satisfazer o cliente, afirmou, não é diferencial, mas obrigação. Foi esse princípio que, segundo ele, sustentou o crescimento da varejista, de oito para mais de 500 lojas durante sua gestão, a partir da premissa de que é preciso sempre superar expectativas para transformar clientes em pessoas realmente fiéis à marca.

O encantamento, porém, começa dentro da própria empresa. O empresário defendeu que a satisfação do colaborador vai além do salário e envolve ter voz, participar da operação e ser reconhecido pelo trabalho. Na Renner, lembrou, não existe vendedor, mas “encantador de clientes”. A síntese de sua visão sobre liderança veio em uma frase: “Minha função como CEO poderia se resumir a fazer com que cada pessoa aproveite o máximo possível do seu potencial”.

Eficiência é desperdiçar menos

Na sequência, o painel “O novo valor das coisas: como a economia circular está transformando negócios, consumo e competitividade” reuniu a engenheira ambiental Evelin Goldmeyer, sócia-consultora sênior da Ecovalor; o gestor de projetos do Sebrae RS Josemar Demenech; e a empreendedora Gabriela Dall’Acqua, com mediação do jornalista e professor Augusto Parada.

O debate partiu de uma mudança de perspectiva: a economia circular deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a integrar a inteligência dos negócios. A ideia central é direta: empresas eficientes não são necessariamente as que mais produzem, mas as que menos desperdiçam.

Evelin defendeu que as perguntas precisam ser feitas ainda no desenho dos produtos e não apenas no final da cadeia produtiva: se algo precisa existir, quanto resíduo poderá gerar e qual será o destino dos materiais. Gabriela levou a discussão para a moda, setor em que atua com curadoria de peças second hand, e citou dado atribuído ao especialista André Carvalhal segundo o qual apenas cerca de um terço das roupas produzidas no mundo seria efetivamente consumido.

Demenech apontou, por sua vez, o componente cultural do desafio: “o consumo consciente ainda não é hábito”. Mudar hábitos, resumiu Gabriela, começa com pequenos passos, desde que eles sejam dados.

Rodaika encerra programação falando sobre “o que é impossível copiar”

O encerramento das palestras ficou a cargo da jornalista e apresentadora Rodaika Dienstbach, no painel “As coisas que continuam fazendo sentido”. Com mais de 25 anos de trajetória em televisão, rádio e plataformas digitais, ela partiu da própria história, iniciada em uma redação sem internet e computadores, para defender a autenticidade como um dos ativos mais valiosos da comunicação.

“A nossa diferença é o nosso maior valor. Isso é o impossível de copiar”, afirmou.

Rodaika contou que encontrou seu jeito de comunicar ao imaginar a avó Maria, de origem simples, como representação de quem estava do outro lado da tela. E reforçou que foi no Patrola, programa que apresentou por 15 anos, onde encontrou espaço para colocar sua essência em prática. 

A apresentadora falou ainda sobre uma trajetória construída fora da ordem convencional: foi mãe muito jovem, mudou de cidade em busca de oportunidades e incorporou cada experiência aos projetos seguintes. É essa bagagem que, segundo ela, segue disponível para novos caminhos, como o programa Inesperadas, que apresenta ao lado da jornalista Alice Bastos Neves. A autenticidade, resumiu, é justamente aquilo que abre portas.

A cobertura do Drops

A programação da tarde também contou com pitches, cases de empresas da região e debates sobre inteligência artificial, economia, geopolítica, marcas e comportamento, reforçando a vocação do evento para conectar o Vale do Paranhana a discussões que atravessam diferentes setores da economia. Esta é a segunda parte da cobertura do Taquara Summit pelo Drops do Cotidiano. Veja a primeira, com os destaques da programação da manhã, que já está publicada no site. 

O 4º Taquara Summit foi realizado pela Prefeitura de Taquara, Faculdades Integradas de Taquara (Faccat) e Sesc Taquara, com idealização do Instituto Taquara Mais.

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