Na Capital Nacional da Cuca, estudantes participam de oficinas para manter viva a tradição

Que as cucas de Rolante são deliciosas não é uma novidade. Talvez o que as pessoas ainda não saibam é que elas podem se tornar um patrimônio cultural imaterial do município. Prova disto é que a Associação dos Amigos do Museu Histórico de Rolante foi contemplada com um recurso no edital FAC Patrimônio do Fundo de Apoio à Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, para a realização de oficinas com o intuito de preservar e transmitir a “arte” de produzir cucas para as novas gerações e isto está acontecendo através de uma parceria entre a Associação, Departamento Municipal de Cultura, Secretaria de Educação e Esportes e da Associação de Cuqueiros e Cuqueiras de Rolante (Ascur).

As oficinas têm como público-alvo estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental de todas as redes de ensino do município, tendo em vista que nesta série os alunos estudam a história de Rolante. Ao todo serão 20 oficinas, que começaram a ser ministradas pelos cuqueiros Lígia Laux, Débora do Carmo e Carlos Roberto do Carmo em setembro deste ano e devem ser concluídas no início de 2023.

Além de aprender na prática como se faz a cuca que é comercializada diariamente na Casa da Colônia e na Kuchenfest (Festa da Cuca), com especialistas neste assunto, os estudantes participam de uma palestra sobre patrimônio e a importância de manter a tradição de fazer a cuca na cidade, com o historiador e coordenador do Museu, Igor Glaeser.

“É muito gratificante esta parceria entre a Cultura, a Associação dos Amigos do Museu Histórico de Rolante e a Ascur, pois este é um trabalho pedagógico com a prática, questão que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) nos traz. Os alunos aprendem sobre a história da nossa cidade, sobre esta iguaria típica de Rolante e, ao mesmo tempo, aprendem sobre medidas e quantidades na hora de confeccionar a cuca. Eles passam boa parte da manhã confeccionando-a. Quando a cuca fica pronta disponibilizamos um motorista para levar as cucas que servirão de lanche na escola no dia seguinte. Os alunos que participam da oficina contam como foi o processo para os demais colegas e, juntos, todos saboreiam as cucas preparadas pelos estudantes do 4º ano”, comenta a secretária de Educação e Esportes, Simone Tadiotto.

Para Lígia, Débora e Roberto, as oficinas foram uma grata surpresa e representam continuidade. “Na Ascur é muito difícil ter algum jovem que queira trabalhar durante a Kuchenfest na produção das cucas porque é um trabalho que exige bastante da gente porque as cucas são produzidas de forma artesanal. Então, ver estas crianças aqui interessadas em aprender é motivo de muita alegria e esperança de que no futuro eles tenham interesse de se juntar a nós. Estamos adorando poder passar um pouco do nosso conhecimento e do nosso amor pelas cucas e pela nossa cidade a estas crianças”, comenta Lígia.

A diretora de Cultura, Joyce Reis, explica que o projeto não fica na produção de cucas, ele vai além. Ainda vamos fazer uma oficina de confecção de fornos de barro porque poucos pedreiros conhecem a técnica construtiva, estamos trabalhando num inventário do modo de fazer a cuca para registrá-la como Patrimônio Cultural Imaterial e uma pesquisa bibliográfica com entrevistas com os detentores deste saber. É um trabalho complexo, amplo e, ao mesmo tempo, apaixonante”.

As crianças saem da oficina encantadas com o que aprendem na prática sobre a cuca e sobre o que ela representa sobre a cidade. Muitas falam que querem trabalhar na Kuchenfest quando forem maiores. A pergunta dos idealizadores do projeto agora é: Quem sabe surge aí uma nova geração na Ascur? O tempo dirá.

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