A cara do pai

Um filho homem nem sempre se parece com o pai ao nascer. A grande transformação ocorre com o passar dos anos, lenta e silenciosamente.

E um belo dia, a foto do pai, talvez já falecido, estampa o rosto do filho com os mesmos traços, sorriso, linhas de expressão e até os cabelos grisalhos (ou a falta deles).

O tempo se encarrega de nos trazer para o presente o pai que partiu tão cedo ou que nunca esteve por perto; o pai trabalhador e ausente; alegre ou descontente, mas para sempre o pai, que renasce agora no rosto do filho que envelheceu.

Sei que hoje não é o Dia dos Pais, mas não há data para lembrar do que nunca se esquece. O filho também já é pai, avô e o irmão que acompanhamos ao longo dos anos e que nos sorri do mesmo jeito na foto atualizada e eternizada geneticamente pela memória inesquecível do pai.

Hoje não é Dia dos Pais. É dia de olhar para dentro e descobrir no rosto do irmão que o filho, agora, é a cara do pai. E assim nascemos de novo e para sempre, perpetuando o amor invisível por trás de outros, e sempre os mesmos, olhos ternos e carinhosos esculpidos e perpetuados pelo tempo, ampliados pelas lentes dos óculos que, agora, emolduram o mesmo rosto. 

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