Taquarense Armando Severo lança livro de poemas escrito durante a pandemia

No período de reclusão da pandemia, a arte fez companhia para milhares de pessoas, ajudando a aliviar as tensões do momento. Já para quem é artista, foi também uma válvula de escape, uma época onde muito se produziu para transformar em arte o que se sentia e vivia. Assim foi o período para o taquarense Armando Severo que voltou a escrever com o objetivo de conseguir colocar para fora o sentimento de abandono que o afligia. O resultado é o livro “(em tempos de reclusão)”, apresentado ao público pela primeira vez na Feira Literária de Taquara, no mês de maio.

Funcionário público municipal, Armando Steglich Severo tem 55 anos e escreve desde a adolescência. Considera-se um leitor moderado e que é bem eclético, lendo de Rubem Fonseca a Mark Twain, passando por Agatha Christie e Érico Veríssimo. Atualmente está lendo uma biografia da banda Led Zeppelin uma das suas bandas favoritas.  Não costuma ler poesia. Tem medo de guardar algum poema no arquivo da sua mente e mais adiante escrever um de sua autoria copiando, sem querer, desta lembrança. “Sou forjado a bullying. Sempre fui meio fracote, desajeitado para esportes coletivos, tímido, apesar de parecer extrovertido. Gosto de filmes, música, gosto de dividir os momentos de lazer com a minha esposa e filha e gosto muito de trocar ideias, aprender com as pessoas e ensinar algo, tipo simbiose, mesmo”, conta sobre si.

O livro “(em tempos de reclusão)” está sendo vendido a R$35,00 e pode ser adquirido na Livraria J.A Júnior, em Taquara, na Livraria Ponto do Livro, na Faccat, com o autor e no site da Provérbio Editora.

Confira entrevista com o autor:

Drops do Cotidiano: De onde veio a inspiração para escrever este livro?
Armando: Eu, assim que tomei conhecimento, assim que “caiu a ficha” da condição de pandemia na qual havíamos entrado, fui tendo uma sensação de tipo, “e agora?”, “sou frágil, somos finitos, estamos conscientes do que está por vir e do que já se apresenta?” Meus amigos foram sendo levados pelo vírus maldito e eu próprio, havia contraído e quase fui para outro plano. Angústias e incertezas já moldavam meu modo de ser, iria pirar se não colocasse pra fora todo esse sentimento de abandono, toda esta falta de empatia que já transparecia nas pessoas, por mais que se fizesse ou dissesse o contrário.  Daí fui moldando e criando poemas para ver se esta “válvula de escape” me devolveria uma sanidade razoável, para decodificar todo caos nas relações interpessoais que já havia se instalado.

D: Desde quando você escreve? Como começou a tua história como escritor?
A: Comecei a escrever adolescente, ainda lá por 1985, 1986. Minhas gavetas eram as leitoras dos meus poemas. Nada diferente da maioria dos adolescentes. Uma ocasião recebi um convite para fazer parte de uma “confraria” de escritores, daquelas que pediam uma grana para publicar uns cinco ou seis poemas numa antologia. Participei, gostei daquela sensação e então, resolvi entrar num concurso organizado pela Carris e pela Prefeitura de Porto Alegre, o Poemas no Ônibus – edição 1999/2000. Fui selecionado com o poema Destino. Bah, que troço bem joia! Estava na estrada e não era um Beatnik – perdão Kerouac. Daí pensei que poderia me render ao mundo dos escritores. Não deu muito certo, editei um livro independente chamado “Pulsar”, que logo caiu no ostracismo. Teimoso que sou continuei escrevendo… e voltamos às gavetas.

D: O que você espera despertar nos leitores com a tua obra?
A: Quero despertar nos leitores as mesmas sensações que tive ao compor o livro. Sensação de abandono, medo, incerteza e ao mesmo tempo alimentar a esperança, sem esquecer da importância de amar e ser amado.

D: Teu livro foi apresentado pela primeira vez ao público na Feira Literária do teu município. O que representou esse momento pra ti?
A: Debutar em uma feira literária na minha cidade natal foi incrível! Me senti fazendo parte daquela comunidade e contribuindo de alguma forma para o crescimento espiritual das pessoas, mas não sou escritor de auto ajuda, não me rotulem assim, por favor. O que eu quero dizer é que eu sabia que iria tocar de alguma forma na alma e no coração de quem lesse a obra. Fazê-los parte deste todo.

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