Manual para Náufragos: peça gaúcha retrata situação de migrantes e estreia no Festival de Teatro Virtual da Funarte

A peça gaúcha “Manual para Náufragos” pode ser conferida no Festival de Teatro Virtual da Funarte (Fundação Nacional de Artes), através do Youtube. Dirigida por Tainah Dadda, o espetáculo contempla a linguagem do teatro e do audiovisual, unindo-se também a elementos das artes visuais para abordar histórias reais e ficcionais de migrantes contemporâneos. “A condição estrangeira num mundo em colapso, a fragilidade do conceito de pertencimento e a transitoriedade que marcam a vida de indivíduos desterritorializados são a tônica de “Manual para Náufragos”. A condição estrangeira, o sentido de pertencimento, as relações de alteridade e a transitoriedade que marcam a vida dos que habitam fronteiras estão em debate nessa performance, dando espaço para muitas vozes”, explicou a diretora de teatro. 

O projeto, que é do coletivo Cena Expandida, de Porto Alegre, foi contemplado pelo Prêmio Funarte Festival de Teatro Virtual, em 2020. O ponto de partida para desenvolver a peça veio através da vivência pessoal da diretora, que atualmente reside em Portugal e se mudou para lá para cursar mestrado pouco antes da pandemia da Covid-19. “Essas drásticas mudanças no trânsito entre fronteiras geográficas acabou potencializando questões inerentes ao processo migratório, como a solidão, o medo, as relações de alteridade, o sentido de identidade, liberdade, além de fortalecer a já ascendente xenofobia que avança com o extremismo político no Ocidente. Passei a observar isso ainda em Porto Alegre, com a reação à migração haitiana e senegalesa, principalmente, à capital gaúcha. E o mesmo acontecendo aqui na Europa em decorrência de diversas crises em muitos países”, expõe a diretora da peça. 

O texto, escrito por Nicolas Beidacki, é interpretado pelo ator Eduardo d’Ávila, que entrelaça fragmentos de relatos reais e imaginários de personagens marcados pela necessidade de enfrentar o vazio de uma situação limite, como a de brasileiros que partem para a Europa, assim como a de senegaleses, sírios, haitianos, árabes e palestinos que vagam pelo mundo e chegam ao Brasil ou acabam, pela violência da história, sendo deixados pelo caminho. 

Tainah também complementa que mais do que um espetáculo de teatro filmado, a proposta foi idealizada como um formato híbrido entre as artes cênicas e o audiovisual. A direção da peça também foi remota, já que a diretora segue no continente europeu. “A transversalidade entre linguagens artísticas, aliás, é característica presente em todo esse projeto. E o resultado é um convite para a reflexão sobre temas que perpassam a existência de qualquer indivíduo, em qualquer tempo e lugar. Afinal, neste projeto, a migração também pode ser entendida como símbolo de transições pessoais e dizer respeito a quem jamais deixou seu lugar de origem e, ainda assim, pode se sentir um estrangeiro entre os seus”, pontuou Tainah. 

As cenas foram gravadas na Galeria Ista, espaço de arte contemporânea instalado na zona norte de Porto Alegre. Para assistir o espetáculo, basta acessar o canal do YouTube da Funarte.

*Foto: Livia Pasqual

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