O que é hipnose, afinal?

Como estou estreando aqui e vou falar bastante sobre hipnose, nada melhor do que começar apresentando tanto a hipnose em si quanto a hipnoterapia.

Nós usamos a palavra hipnoterapia de forma genérica para qualquer terapia feita com o uso da hipnose, mas não existe uma única técnica que seja específica da hipnose, pois todos os protocolos, métodos e filosofia vem de outras terapias. Por isso, se você fizer uma consulta com dois hipnoterapeutas diferentes pode encontrar duas formas distintas de trabalho. Até mesmo a regressão, uma das técnicas mais popularizadas da hipnoterapia, originou-se da psicanálise de Freud, da ideia de memórias traumáticas reprimidas no inconsciente. 90% de outras ferramentas do hipnoterapeuta vem de alguma escola da psicologia.

O Alberto Dellisola, grande professor e divulgador da hipnose no Brasil, costuma dizer: “não devemos tratar nada com hipnose que não saibamos tratar sem”. Isso porque a hipnose não é uma terapia em si, só uma forma de aumentar o engajamento. E eu já validei isso como verdade em vários atendimentos em que a hipnose não foi suficiente.

E hipnose, o que é?

Existem várias definições sobre hipnose, confesso que até os hipnotistas passam um trabalho danado para definir, vai depender do fenômeno hipnótico que estamos analisando. Vou explicar  hipnose a partir de algo em comum entre todos esses fenômenos: pensamentos automáticos.

Imagine o seguinte: 

Você está assistindo um filme, sabe que aquilo tudo foi montado, as pessoas são atores, ninguém morre de verdade, há vários efeitos especiais e mesmo assim se deixa levar pela história. Cria afeição por um personagem e ódio por outros, se o mocinho sofre você sofre, se ele passar por uma superação você fica feliz como se tivesse conquistado algo junto com ele. Você se emociona mesmo que nada ali seja real. Isso é uma hipnose, nossa hipnose cotidiana.

Sabe quando tu procura a chave do carro pela casa toda e ela estava na sua mão? Quando pula achando que tinha uma cobra na calçada e era um galho? Quando quer contar algo que tu lembrava a segundos atrás e esquece? Quando fica ansioso antes de apresentar um trabalho só de imaginar as pessoas prestando atenção em ti? Isso é hipnose.

Nosso cérebro torna algumas respostas automáticas porque ele não tem capacidade de lidar com tudo de forma consciente, gasta muita energia.

Esse processo automático é a hipnose. É com isso que o hipnotista trabalha, hora automatizando uma resposta (como em todas as brincadeiras da hipnose de palco, até mesmo comer a cebola achando que é maçã) ou em terapia desautomatizando processos tóxicos, como a crise de ansiedade.

Uma coisa que precisa ficar muito clara é que o hipnotista é somente o guia para o sujeito hipnotizado realizar esse processo. É o sujeito quem controla tudo, pois ele que precisa ouvir e seguir a sugestão e fazer ela acontecer. Sobre o que eu falei sobre a cebola: o sujeito só irá comer se ele já estava predisposto a isso, não existe uma mágica ou poder mental ali que o obrigue a fazer algo contra a vontade própria.

Hipnose não é um processo passivo, de submissão, mas um processo ativo, de engajamento.

Quando aprendemos como usar esse processo mental nós passamos a ter muito mais controle sobre nós mesmos. Esse é um recurso muito útil para mudar comportamentos e até a forma como nos sentimentos em determinadas ocasiões. Quer perceber a hipnose no teu dia a dia? Comece a observar a quantidade de coisas que você faz no automático, quantas coisas fala e faz “sem pensar”, no impulso, “porque sempre foi assim”. A hipnose estará lá.

Acompanhe mais do meu trabalho no Instagram @samuelcunhaterapeuta

Abraços,
Samuel Cunha

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