Creolina e casca de laranja

Ninguém quer ficar doente, principalmente quando não há um remédio sequer para o mal que possa surgir, como esta coisa que anda ceifando milhões de vidas por aí. O desespero é tanto que cega e deixa as pessoas vulneráveis e à mercê de oportunistas e ignorantes, pregadores de curas milagrosas com substâncias muito estranhas.

Além da polêmica cloroquina e outras “inas” mais, sabe-se que para obter a comprovação da eficácia de um remédio ou vacina para determinada doença é preciso tempo, pesquisa e testagem comprovada, o que pode levar anos de estudo.

Mas basta entrar nas redes sociais ou abrir as mensagens em grupos do whats, principalmente, que chovem “novidades incríveis” todos os dias e várias vezes no mesmo dia. Tem de tudo, desde vídeos longos com ilustres desconhecidos dizendo que a creolina “mata” tudo, até outras fake news com aval médico (duvidoso, também), atestando barbaridades.

Desavisados e desatentos, os leitores acabam consumindo esse tipo de informação e o que é pior, compartilhando e replicando o que, muitas vezes, nem prestaram atenção direito. E olha que tem gente inteligente que cai e acredita nessas “notícias” sem fonte fidedigna.

Da casca da laranja ao remédio para vermes, da creolina à vitamina D, tudo tem uma finalidade e um benefício para a saúde, embora nem tudo possa ser indicado para todo mundo e para fins mais complexos, como no caso de um vírus totalmente desconhecido. A ciência explora tudo para acertar e descartar o que pode ser testado e utilizado, mas nós, pobres mortais, temos que ter cuidado ao “consumir” qualquer tipo de informação (e de substância) como verdade.

Há uma indústria de fake news profissional, com interesses escusos, mas há também um universo de pessoas leigas compartilhando qualquer coisa sem ler ou compreender o contexto do que está sendo dito. São essas as mais suscetíveis a postagens até contraditórias em suas redes sociais e que lotam as farmácias atrás de remédios ditos milagrosos.

Há também a indústria dos medicamentos e dos laboratórios que, obviamente, quer vender seu “peixe”, feito da mesma matéria prima da casca da laranja, talvez, ou da creolina (vai saber!). Estamos nas mãos de muitos oportunistas e também reféns dessas informações que jorram diariamente na tela do celular ou do computador.

Entre a cruz e a espada, é preciso acreditar no poder da ciência e da pesquisa como órgãos de extrema competência que já encontraram a cura para muitas doenças, tanto que estamos aqui vivos para comprovar que sobrevivemos à tuberculose, à lepra, ao sarampo, à febre amarela e a tantas outras pestes a que ainda estamos sujeitos a contrair ao longo da nossa existência.

Entre a casca da laranja e o remédio de vermes, eu fico com os dois, mas cada um para a sua finalidade específica. Os índios e os nossos ancestrais mais primitivos sabiam buscar na natureza, por intuição, a cura para todos os males. O princípio ativo da maioria dos remédios vem das plantas, mas há poucos curandeiros para dar conta de atender tanta gente no mundo, a maioria, aliás, mais empenhada em destruir do que preservar o planeta.

O resultado é o que temos aí, um mundo devastado por uma coisa que ninguém vê, incrédulo diante da ciência e dos alertas climáticos, disposto a consumir qualquer coisa para garantir a sua sobrevivência, mesmo que seja tarde demais.

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