Para mudar o mundo é preciso cuidar das mães

Esta frase do título é do livro Autocuidado na Maternagem, da Maristela Lima. Livro que recomendo a todas as mães, que vez ou outra se veem culpadas por pensarem em cuidar de si antes de cuidar dos filhos ou que não se permitem ser nada além de mães. Essa frase faz um sentido enorme pra mim e ressoa lá no fundo do coração, porque o que mais se fala é que as crianças são o futuro do mundo, são quem tem o poder de mudar a sociedade para melhor. Mas e quem é que cuida dessas crianças e desenvolve os seres humanos que serão? As mães.

Por isso que essa frase faz tanto sentido. Quando uma mãe está bem cuidada, pode cuidar bem. Quando a mãe está emocionalmente equilibrada, consegue transmitir isso aos seus filhos e ensiná-los o equilíbrio emocional, que acredito eu, ser a habilidade de vida mais importante para a nova sociedade que queremos construir. Quando uma mãe está bem consigo mesma, com suas necessidade atendidas é capaz de se comunicar melhor e entender a comunicação que seus filhos estão tentando ter com ela, porque no momento em que as suas necessidades estão atendidas, você consegue entender claramente as necessidades do seu filhos. Outra escritora que eu gosto muito diz que “a mão que embala o berço é a mãe que governa o mundo.” (Magda Gomes)

Para mudar o mundo é preciso que o mundo receba adultos equilibrados em suas emoções. Para que os adultos sejam assim é preciso que vivam isso na infância. Para que tenham esse aprendizado é preciso que quem cuida esteja equilibrado, por isso que “para mudar o mundo é preciso cuidar das mães”. Em uma outra passagem do livro, a autora diz que “se as mães precisam escolher entre cuidar de si e cuidar das crianças, alguém fica mal cuidado, e o resultado se reflete em todas as relações. A sociedade como a que conhecemos é falta de cuidado com a infância de quem hoje é adulto. Crianças bem amadas e bem cuidadas vão se tornar adultos que prezam valores que servem à vida. Se queremos mudar algo, precisamos sim cuidar das crianças, mas ao mesmo tempo é preciso cuidar de quem cuida.”

Isso ressoa tão fundo no meu coração porque, por muito tempo, eu pensava que só deveria cuidar, que é isso que uma mãe faz, cuidar. Mas chegou um momento em que isso se tornou insustentável. Eu estava acabada, com minhas necessidades colocadas de lado, com meus sonhos guardados no fundo da gaveta. E não só eu me prejudicava com isso, prejudicava meus filhos, meu marido, minha família, todas as minhas relações estavam sofrendo junto comigo. Até que eu entendi que, para cuidar dos meus filhos e das minhas relações como eu sempre sonhei em cuidar, eu precisava cuidar de mim também. Olhar pra mim como uma mulher, não só como mãe. Olhar para o que doía, resgatar minhas vontades, estar completa pra mim, para estar completa para minha família.

Cuidar das mães não é só tarefa da própria mãe, é tarefa da família também, da sociedade. “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança.” (Antônio Jacinto Mathias) Estou das frases hoje… É preciso que todos criemos formas de cuidar de quem cuida, não só das mães, dos pais também e até dos avós ou tias, se é quem mais fica com a criança. É tarefa de todos apoiar quem cuida, sem cobrança emocional, sem culpa, só apoiar a ter um tempo para si. Perdemos essa noção de sociedade na criação e inventamos a mãe maravilha! E além disso, passamos a pensar que se uma mãe quer ser outra coisa além de mãe, ela não ama seus filhos. Na verdade, ela só passou a se conhecer e percebeu que precisa cuidar de si para cuidar dos filhos e, assim, estará cuidando do mundo.

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