Janeiro branco: campanha pede atenção para saúde mental. Como anda a sua?

Início de ano é época de repensar suas metas, projetar um ano melhor e mudar aquilo que for necessário para se alcançar os objetivos. Essa época vem logo após aquela avaliação de final de ano, que gera muitas vezes um estado de frustração e está carregando toda a ansiedade por aquelas metas que estão sendo colocadas. Não por acaso, o mês que abre este novo ciclo, foi escolhido para uma campanha que tem como objetivo chamar atenção para a saúde mental e promover conhecimento e compreensão sobre temas como depressão, ansiedade e fobias. Foi assim que surgiu o Janeiro Branco, iniciativa do psicólogo mineiro Leonardo Abrahão, criada em 2014. O pedido é para que as pessoas se comprometam com a construção de uma vida mais feliz para si mesmas, cuidando da sua saúde mental, tanto quanto cuidam do corpo, por exemplo.

A psicóloga Lisiane dos Santos declara-se fã desta iniciativa e considera essencial que o assunto seja colocado em destaque. “Ela mobiliza as pessoas para pensarem sobre a sua vida emocional e sua saúde mental. É importante destacar que, se estou falando em indivíduo, estou falando em sociedade. Quanto mais saúde as pessoas tiverem, mais saúde teremos na nossa sociedade”, explica. Para a profissional, já está claro e explícito que um indivíduo não é feito puramente da parte física ou da parte emocional. “O Janeiro Branco representa um movimento de uma necessidade mundial para que a gente olhe com mais respeito, atenção e oportunidade de promover saúde na realidade mental de todos nós”, considera.

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Dados sobre saúde mental

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma a cada quatro pessoas vai sofrer com algum transtorno mental durante a vida. Só a depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas em todo mundo e é a principal causa de incapacidade. Mesmo assim, ainda de acordo com a OMS, os investimentos dos países no tratamento não correspondem à alta demanda. O Brasil ocupa o 11º lugar no ranking de países mais ansiosos do mundo: são 13,2 milhões de pessoas com algum transtorno de ansiedade por aqui. Mas, já foi pior, pois o país já figurou no topo dessa lista.

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Saúde mental, equilíbrio emocional e depressão

Temas tabus. Muito se fala em desenvolver-se emocionalmente, mas quando uma pessoa fala que tem dificuldade emocional, logo surgem os julgamentos. Efetivamente pouco se fala ou muitos ainda fazem pouco caso dos problemas da mente. Pela sua experiência e por tudo o que estuda nesses 17 anos ligada à área, Lisiane considera que isso se dá muito em função do desconhecimento das pessoas, o que acaba alimentando uma série de preconceitos sobre o que não entendem direito.  “Depressão, por exemplo, não é uma escolha. Quando uma pessoa sinaliza que está com diabetes, ninguém questiona, aceita. Quando é alguma doença da mente, não é assim. Do ponto de vista bem simbólico, o ser humano está muito ligado a tornar concreto qualquer informação que ele receba. Quando se vê uma hemorragia física, se tenta ajudar, fazê-la parar; já uma hemorragia emocional, não estamos enxergando concretamente… e por isso nem sempre tem a mesma atenção, sendo que pode causar a morte do mesmo jeito”, pontua.

A psicóloga registra ainda que as pessoas tem algumas dificuldades de procurar um médico só pra fazer um check up, vão quando estão sentindo alguma coisa. E que na psicologia não é diferente, pois a maior parte só busca quando está com algum desconforto. “Podemos e devemos trabalhar na prevenção. Não é preciso esperar surgir um quadro depressivo, um episódio de luto ou qualquer coisa que sinalize um quadro que necessite a busca por um psicólogo”, registra.

É o profissional de psicologia quem vai avaliar, analisar clinicamente e apresentar o diagnóstico se as situações que se apresentam e são relatadas pelo paciente estão dentro do que se espera ou apresentam sinais de adoecimento. E ainda destaca que, quando se fala em normal, tudo é muito relativo. Por isso o acompanhamento individualizado é tão importante.

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Saúde emocional para viver bem

A terapia e o acompanhamento com um profissional de psicologia vão muito além de ter que tratar uma situação difícil. “Toda pessoa que tenha interesse em se conhecer melhor, ter mais saúde emocional e especialmente conhecimento nas áreas que envolvem não só os aspectos afetivos e emocionais, mas biológicos, cognitivos e sociais, que estão explicitados nas suas relações de trabalho, amorosas e familiares, devem ter acompanhamento psicológico”, conta.

Estar bem emocionalmente contribui diretamente para a qualidade de vida. “Eu acredito que não existe um movimento comportamental no mundo que aconteça sem uma emoção por trás. A partir do momento que a gente tiver mais respeito com as nossas emoções, a gente vai conseguir ter mais qualidade de vida, relacionamentos mais saudáveis e uma sociedade mais feliz”, declara Lisiane.

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