Publicitário Gabriel Michels estreia na literatura com o livro “Presídio Central”

A maior cadeia do Brasil é a inspiração e o cenário do primeiro livro do publicitário Gabriel Michels. Já no nome, ele mostra a objetividade a que veio. “Presídio Central” se projeta a partir da originalidade e criatividade do autor que considera essas características marcantes de sua personalidade e sua obra. O autor mistura realidade e ficção, com peculiaridades e entendimento sobre aquela que é considerada também a pior cadeia do Brasil. A narrativa é envolvente, forte e prende o leitor.

Atuando como redator publicitário há 15 anos, escrever é algo natural em sua rotina. No entanto, acostumado com textos de objetivos comerciais e estratégicos, no livro ele se desafia saindo da sua zona de conforto. Em 2016, ele decidiu escrever sobre algo que fosse relevante e onde pudesse ter total liberdade para criar. “Nesse mesmo tempo, por coincidência ou destino, tive conversas informais com pessoas que viviam do tráfico e que, como não podia ser diferente, eram frequentadoras assíduas do Presídio Central. Eram sempre relatos muito fortes. Esses funcionários do tráfico me inspiram a criar o personagem principal do meu livro.”

Natural de Porto Alegre, onde reside atualmente, Gabriel, de 35 anos, morou seis deles  em Taquara, na infância, e cultiva boas lembranças e relações com a cidade até hoje. “Ia e voltava para o colégio a pé e vivia brincando na rua, sem qualquer preocupação com a segurança. Mantenho contato com amigos que ficaram na cidade. Como tenho casa em Gramado e subo a serra com muita frequência, toda a vez faço uma parada em Taquara, na maioria das vezes para comer no meu restaurante preferido, o Km4”, conta.

O lançamento do livro acontece no dia 5 de julho, a partir das 19 horas, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre. O evento é aberto ao público. O livro já está à venda no site da Editora Dimaior Books. A versão impressa é R$ 39,90 e o e-book está com o valor promocional de R$ 14,90.

Presídio Central - livro.jpg

Confira abaixo a entrevista exclusiva do Drops do Cotidiano com o escritor:

 

Drops do Cotidiano: Qual a temática central do livro?

Gabriel Michels: São as vidas perdidas para a violência e para o tráfico de drogas, incluindo de pessoas que ainda não morreram, mas que têm como destino, em sua grande maioria, a morte ou o Presídio Central.

D: Como foi o processo de pesquisa para a criação do livro?

G: Nos últimos anos, infelizmente, a região metropolitana do estado tem sido um cenário rico para quem escreve sobre o tema, isso vale para os jornalistas ou, o que é o meu caso, para um escritor. Porém, por ser um assunto que envolve guerra entre facções, é um tema muito perigoso de se aprofundar através de entrevistas. Eu utilizei vivências pessoais, por ter escutado relatos de quem estava preso ao crime, pesquisas e uma atenção especial ao noticiário policial, além da criatividade que é o forte do meu trabalho.

D: Você fala que o livro mistura ficção e realidade. É possível ao leitor, identificar o que é ficção e o que é realidade?

G: No meu livro eu utilizei da estética textual contemporânea, isto é, inserindo informações concretas para o leitor. Então a realidade se apresenta de forma muito clara, já a ficção nem tanto.

D: Qual o teu objetivo com o livro?

G: Meu objetivo pessoal foi de me lançar no mercado literário com um livro envolvente e que trata de um tema com grande repercussão local. O que as pessoas vão pensar sobre o desenrolar da história depende de cada um e eu não tenho a pretensão de influenciar na opinião ou no caráter dos leitores. O que posso garantir é que meu livro deixa qualquer um mais consciente sobre as circunstâncias que transformam um indivíduo em um criminoso, em um detento. Além disso, trata-se de uma obra de muita qualidade e digo isso pelos depoimentos que venho recebendo de alguns especialistas.

D: Quais tuas percepções sobre o Presídio Central?

G: Na minha opinião, o Presídio Central é uma bomba relógio. Todo mundo sabe que quem mantém a “paz” lá dentro são as facções, que ficam em alas separadas para não haver conflitos. O problema é que as zonas conflagradas da cidade se tornaram verdadeiras fábricas de traficantes e essas quadrilhas não param de crescer. Isso pode fazer com que comecem a surgir sub-lideranças dentro de uma mesma facção. E essa divisão pode ser motivo de disputas. Acontecendo isso, haverá muitas mortes lá dentro. Como eu trago no meu livro, o Presídio Central é o coração da violência em Porto Alegre, que espalha sangue pela cidade. Havendo muitas mortes lá dentro, certamente elas se multiplicarão no lado de fora. Isso é o que está acontecendo em Manaus neste momento.

Gabriel Michels Convite


SERVIÇO:

O que: Lançamento do Livro “Presídio Central”
Onde: Na Casa de Cultura Mário Quintana (Rua dos Andradas, 736, Centro Histórico de Porto Alegre)
Quando: 05 de junho, à partir das 19 horas
Entrada: Gratuita

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