Há momentos em que uma cidade se transforma não pelas obras que constrói, mas pelos encontros que vive. E a Feira do Livro é um desses momentos. Durante esta semana, 23ª Feira do Livro de Rolante abre espaço para algo que o mundo, tantas vezes apressado, tenta nos fazer esquecer: o tempo de escutar, imaginar, sentir e partilhar histórias.
Em meio à correria dos dias, às telas, às notícias rápidas e ao excesso de informações, estar cercado de livros ainda é um gesto de esperança. Porque um livro nunca entrega apenas palavras. Ele oferece perguntas, memórias, abrigo, pertencimento e possibilidades de futuro. As feiras do livro têm algo de profundamente humano. Nelas, vemos crianças descobrindo mundos pela primeira vez. Jovens encontrando nas páginas aquilo que muitas vezes não conseguem dizer em voz alta. Professores persistindo, todos os dias, na coragem de formar leitores. Famílias caminhando juntas entre histórias, afetos e descobertas.
E quando isso acontece, não é apenas uma feira que acontece. É a cidade que pulsa de outro jeito. Receber a honra de ser patrona desta edição toca-me de maneira muito profunda. Porque essa homenagem não fala apenas sobre mim. Ela fala sobre todas as pessoas que acreditam que a leitura pode transformar vidas. Fala sobre quem insiste na educação mesmo diante das dificuldades. Sobre quem compreende que cultura não é luxo — é necessidade, identidade e resistência. Ser patrona desta feira é caminhar junto com cada estudante que ainda está descobrindo o prazer de ler. Com cada educador que segue acreditando na palavra como instrumento de liberdade. Com cada pessoa que entende que livros aproximam mundos e ampliam nossa capacidade de compreender o outro e a nós mesmos.
Hoje, mais do que celebrar livros, celebramos encontros. Celebramos a imaginação, a arte, a escuta e a humanidade que ainda floresce quando as pessoas se reúnem para compartilhar histórias. Que esta feira seja lembrada pelos livros que circularam, pelas conversas que nasceram, pelos olhares que se encontraram e pelas emoções que permanecerão depois que tudo terminar. Porque onde existem leitores, existe movimento. E onde há movimento de leitores, existe esperança.