Psicóloga e escritora Patricia Ziani Benites lança novo livro em Igrejinha na próxima quinta-feira

Das vivências como psicóloga e com o olhar cuidadoso que a profissão exige, Patricia Ziani Benites lança seu segundo livro “Em Busca da Alma Perdida”. Realizando uma intensa rotina de divulgações pelo Rio Grande do Sul, ela chega a Igrejinha, cidade onde já morou, para celebrar a nova obra. O encontro com bate-papo e sessão de autógrafos acontece nesta quinta-feira (08), no Boston Coffee House, das 19 às 21 horas. Conforme a escritora, este é um livro visceral porque traz o olhar para o sofrimento extremo, quando acontece o sentir-se “sem chão”. “Através da personagem Ana, vamos entrando em um cenário onde a alma se desconecta, pois uma situação bastante traumática acontece. Aliás, algumas pessoas já passaram ou passam por isto. O livro vem para conversarmos sobre isto a partir desta história”, conta.

Trabalhadora de saúde mental coletiva, já desenvolveu suas atividade em Alegrete e Igrejinha, e agora está alocada na educação em saúde coletiva como servidora pública vinculada à Secretaria Estadual de Saúde. Psicologa formada pela PUC-RS em 1996, tem Especialização em Saúde Coletiva com Ênfase na Atenção de Usuários de Álcool e Outras Drogas; Gestão da Saúde; Gestão da Clínica no SUS – Gestão da Clínica nas Regiões de Saúde; Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde e em Florais. É  apoiadora em saúde mental coletiva, facilitadora de oficinas, rodas de conversa, workshops e palestras em saúde mental coletiva, educação em saúde coletiva e humanização, além de facilitadora de grupos de meditação, relaxamento e visualização criativa.

Na literatura, iniciou sua carreira em 2019, quando lançou “Tocando o Coração Enxergando a Alma”. Membro do Coletivo de Escritores e Artista do Paranhana (CEAP), também é colunista na Revista Paranhana Literário e possui um canal no Youtube chamado Tocando o Coração Enxergando a Alma. Através dele, desenvolve a articulação entre duas paixões suas: a literatura, arte e a saúde mental coletiva, buscando a produção da cultura.

Patrícia já apresentou sua obra em Porto Alegre, onde reside atualmente, participando inclusive da Feira do Livro de Porto Alegre. Já passou pela Feira do Livro de Capão da Canoa, Farol Literário em Torres, Feira do Livro de Uruguaiana e em Alegrete. “Me sinto muito feliz por esta caminhada! Estou em processo de construção da caminhada literária e tenho tido muito apoio tanto de pessoas que já estão neste processo há bastante tempo como das leitoras e leitores que escochem ler a escrita que desenvolvo. Está sendo muito interessante a receptividade do livro. Tenho tido retornos muito bacanas, pois as pessoas estão refletindo sobre o sofrimento a partir da história de Ana. Um grande objetivo sendo cumprido”, comemora. Publicada pela Editora Documenta, a obra já está distribuída em livrarias e espaços culturais em diversos municípios, assim como seu primeiro livro. Também é possível adquirir direto com a escritora pelas redes sociais (@patriciazianibenites) ou pelo e-mail psiescritorapatriciazb@gmail.com.    

Confira entrevista com a escritora Patrícia Ziani Benites:

Drops do Cotidiano: Como foi o processo de produção do livro?
Patricia: Bah! Esta é uma pergunta complexa. Lembro que um dia, acordei e uma cena veio a minha mente. Naquele momento, ri e pensei: “Mas era só o que faltava! Vou escrever suspense agora?”. Mas me sentei na frente do computador e decidir embarcar na história. Na verdade ela foi quem se contou pra mim… O livro levou em torno de um ano para se tornar o que se tornou. Neste período, depois da primeira versão passou por revisão, discussão e aprimoramento da história. Hoje compreendo que ele é um livro que veio para trabalhar a cura de situações que são difíceis. Neste sentido, está sendo uma cura para mim e desejo que seja cura para todas as pessoas que se sentirem chamadas por ele.

Drops: Em que o novo livro se parece e em que se diferencia do primeiro?
Patricia: Bem, outra questão complexa… o meu primeiro livro tinha o propósito de “tocar” as pessoas para que pudessem perceber como estavam lidando com a vida, se realmente eram os protagonistas ou se estavam seguindo o fluxo, em um processo que chamei de “robotização” da vida. Trabalhava o “parar, respirar, sentir”, mantra citado várias vezes no livro. Tinha também o propósito de ser interativo, através das mandalas e linhas para expressão do/a leitor (a). Neste segundo, adentro no mundo da desconexão, ou seja, um sofrimento profundo que pode ser acentuado caso não estamos razoavelmente integrados a nós mesmo. O sofrimento faz parte da existência, mas a forma como passamos por ele é diferente de uma pessoa para outra. O cotidiano, a repetição de padrões de vida pode impedir que, verdadeiramente, possamos vivenciar a vida. Um livro está conectado com o outro, o que diferencia é a forma de escrita.

Drops: Como surgiu o teu interesse pela literatura?
Patricia: Lembro que a literatura entra na minha, de forma mais efetiva, na adolescência, quando participei de oficinas de escrita criativa na Casa Mário Quintana. Quando entrei na faculdade percebo, hoje, que a literatura ficou voltada às questões técnicas da profissão de psicóloga, trabalhadora de saúde mental. Me afastei de um determinado tipo de escrita. Mas achava interessante ter uma tia e uma amiga de faculdade que eram escritoras. Apesar disto, depois que me tornei uma trabalhadora de saúde mental coletiva, lembro que, sempre, após a construção de um projeto, lá estava um poema (e olha que não em reconheço como poetiza). Então, de alguma forma, a reflexão e a escrita estavam presentes. Mas teve um momento que me parece essencial no percurso. Há alguns anos participei de um seminário sobre prevenção ao suicídio, onde se falava, somente, de diagnóstico e nada, ao meu ver, sobre pessoas e vida. Naquele dia saí muito incomodada e, na terapia, perguntava ao Emerson se eu teria que fazer mestrado (que não era o meu desejo) para provar que as pessoas não são diagnósticos e ele, naquela paz, me disse que se eu não queria, não precisava e que eu poderia escrever. A partir do estímulo dele passei a escrever e hoje agradeço, pois a partir daquele momento me revisitei como uma possível escritora.

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s