Literatura para todos: Biblioteca Pública de Taquara conta com acervo acessível para cegos

Pessoas cegas ou com baixa visão que moram em Taquara e em cidades vizinhas têm à disposição um acervo acessível em Braille e audiolivros na Biblioteca Pública Municipal Professor Rodolfo Dietschi. O local possui cerca de 150 publicações acessíveis, sendo aproximadamente 50 títulos em Braille e mais de 100 audiolivros. A maior parte da coleção é de literatura, seja romance, poesia, livros infanto-juvenis, além de obras de não-ficção como folclore, música e culinária. 

De acordo com a bibliotecária Marianna Cunha, há uma estante cheia de livros acessíveis no local. “Eventualmente estamos recebendo mais publicações em Braille e audiolivro, mas temos poucos acessos no momento. Por isso a importância de mostrarmos este espaço para a comunidade que é cega ou tem baixa visão, para que saibam que o acesso a estas obras está disponível aqui na biblioteca”, conta. Os livros com acessibilidade também podem ser retirados por empréstimo, assim como o restante do acervo, sendo emprestados por 15 dias corridos, com a possibilidade de duas renovações pelo mesmo período. “Além disso, não precisa ser morador de Taquara para retirar um livro aqui. Só é necessário fazer um cadastro gratuito, trazendo um documento de identidade”, completa a bibliotecária. 

A Biblioteca Municipal fica na Rua Nelson Renck, 2957, Bairro Centro, próximo da Prefeitura de Taquara, e atende de segunda à quinta-feira, das 7h30 às 17h, e nas sextas-feiras, das 7h30 às 13h30. 

Acervo para todos

Marianna lembra que a Biblioteca Municipal, em seu próprio conceito, é um espaço de igualdade de acesso ao conhecimento, à cultura e à educação, onde todos devem encontrar documentos adequados às suas necessidades. “É essencial que as coleções sejam de elevada qualidade e atendam às demandas locais. A coleção acessível busca assegurar a cada pessoa os meios para educação e desenvolvimento da imaginação e criatividade de jovens e adultos, em formatos muitas vezes não encontrados no comércio tradicional, casos do Braille e audiolivros”, destaca.

A prefeita Sirlei Silveira também reconhece a importância deste acervo disponível para a comunidade. “A leitura desperta conhecimento, nos traz reflexões e permite expandirmos o nosso imaginário. E proporcionar isso para todos é algo fundamental. É muito bom saber que temos em nossa Biblioteca Municipal uma coleção acessível para cegos, possibilitando que qualquer cidadão possa ter acesso aos livros em nosso Município, tornando este espaço cada vez mais democrático”, frisa.

Grupo de convivência

Além do espaço reservado para o acervo com acessibilidade, a Biblioteca Municipal conta com diversas salas de estudos, que podem ser ocupadas pela comunidade durante seu horário de expediente. Inclusive, há a possibilidade de que estes espaços venham a ser ocupados futuramente pelo grupo de convivência Acessibilidade e Inclusão, criado pelo professor Leandro da Silva Pacheco. Ele deu aulas de inclusão em escolas de Taquara, motivado pelas experiências que tem com sua filha, a professora de informática Camila Cunchert Pacheco, que é cega.

“Nosso grupo já veio em outras oportunidades até a Biblioteca para a leitura de livros em Braille há alguns anos, ainda em outro endereço. Mas agora, conhecendo este espaço, pretendemos voltar. A leitura de livros físicos continua importante, mesmo com o avanço da tecnologia presente nos celulares de hoje em dia, com suas múltiplas funções de áudio”, ressalta Leandro, que disponibilizou seu telefone de contato para a participação de novos membros do grupo, através do número (51) 99528-6100.

Camila aprendeu a ler em Braille aos 7 anos de idade junto com o pai, na Associação dos Deficientes Visuais de Novo Hamburgo (Adevis-NH). Ela ressalta que a presença do grupo de convivência na Biblioteca Municipal será uma forma de integração entre todos. Atualmente, são 21 pessoas cegas ou com baixa visão que participam do grupo, sendo moradores de Taquara e cidades vizinhas. “Já fomos no Festival de Cinema de Gramado, em jogos de futebol e também em diversas outras ações de acessibilidade. Fico feliz de que aqui tenha um espaço maior para a leitura em Braille, até para não perdermos o contato com esta forma de leitura. Inclusive, ainda tenho muitos livros de quando eu era criança e pretendo doá-los para cá”, conta.

*Fotos: Ruan Nascimento/Prefeitura de Taquara

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