Por uma boa causa

Há quem não saiba pedir. Outros só conseguem doar. E há os que só sabem pedir, sem nunca ofertar nada a ninguém. Cada pessoa, e suas circunstâncias, pode vivenciar as mais diversas situações ao longo da vida, passando por etapas nunca imaginadas.

O desemprego, por exemplo, tem gerado uma série de problemas até para quem nunca precisou pedir nada na vida para ninguém, e agora se vê acuado, recorrendo a quem for preciso para sair dessa situação.

Nunca se doou tanto, também, tanto durante a pandemia como agora, quando milhares de pessoas ainda precisam de ajuda para comer e sustentar a sua família.

Na semana passada, eu e uma amiga ajudamos em um pedágio em benefício da causa animal. Confesso que foi uma experiência muito gratificante poder sair à rua e simplesmente pedir e arrecadar algum dinheiro para matar a fome dos animais, que também precisam de atenção e cuidados.

Mais uma vez, comprovamos que os bons são maioria. O ato da doação é sempre acompanhado de um sorriso e até de um pedido de desculpas por não poder dar além do possível. A generosidade supera de longe os poucos mal-educados que não conseguem ter empatia por nenhuma causa, que dirá a dos animais.

Durante cinco horas interagimos com a comunidade como “pedintes”. Uma sacolinha, um bom dia, um agradecimento sincero e todos ganharam muito mais do que dinheiro. Recheamos nossa alma de alegria por dedicarmos nosso tempo em benefício de terceiros que, neste momento, precisam muito mais do que nós para sustentar e tratar centenas de animais abandonados.

Claro que isso não exclui as doações que todos nós podemos fazer para as milhares de pessoas que estão em situação de miséria ou, temporariamente, precisando de algum apoio para se reerguerem. Basta querer, olhar para o lado e ver que há muito o que pode ser feito, mesmo que com pouco.

E assim, de moeda em moeda, pedindo e recebendo, de doação em doação, as sacolinhas transformam vidas, garantem a sobrevivência de todos os seres e fortalecem a rede de solidariedade capaz de transformar o mundo.

Quem só reclama da vida de barriga cheia e não consegue abrir mão de um centavo e de um segundo sequer para ajudar os outros, talvez esteja perdendo uma grande oportunidade de altruísmo e de evolução. Egoísmo e amor próprio só servem para sermos melhores quando nos espelhamos no outro e enxergamos o quanto somos iguais, seja como pedintes ou como doadores. Basta só escolher uma boa causa, a da vida!

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