Pedalando, em frente!

Duas histórias serviram de alento e se destacaram pelo inusitado, esta semana. Longe da pandemia e do caos institucional em que mergulha este país, dois octogenários deram exemplo e multiplicaram sorrisos com suas façanhas pouco convencionais para a idade.

Em Santo Antônio da Patrulha, um senhor de 85 anos passou no vestibular e vai cursar História na universidade. Já em Tramandaí, outro senhor de 82 anos ganhou uma bicicleta (na verdade um triciclo) no Dia dos Pais e realizou o sonho de infância nunca antes concretizado por não ter tido tempo para aprender a pedalar, uma vez que também nunca teve uma bicicleta.

Quem já conquistou a graduação e já teve uma bicicleta na vida sabe o que isso significa. Talvez a bicicleta seja até mais importante, dependendo da fase da vida, quando se é bem jovem e se sonha com a liberdade, nem que seja sobre duas rodas para voar as tranças por aí.

Já um curso superior também é uma vitória, especialmente para quem precisa subsidiar seus estudos numa etapa da vida onde, normalmente, concilia-se muito trabalho durante o dia e aulas à noite, numa idade em que ainda é possível fazer tudo ao mesmo tempo e muito mais.

Mas aos 80 anos, quando o inverno da existência bate à porta e muitos já nem estão mais por aqui, há quem nos surpreenda com a incrível capacidade de rejuvenescer conceitos e sonhos sem medo de realizá-los, em busca, exclusivamente, daquilo que lhes faz feliz. Estudar ou andar de bicicleta, correr ou fazer ioga, dormir e ver filmes no horário em que bem entender, comer o que é permitido na dieta (ou não), transgredir e avançar com as duas pernas ou com um triciclo. Tanto faz!

Estar vivo aos quase 90 anos, com capacidade física e mental para a concretização de projetos de vida, merece mais do que as páginas dos jornais. Merece o nosso mais largo sorriso e profunda admiração, nem sempre direcionados para o que realmente importa, nesses tempos tão estranhos.

Em meio a tantas fakes, forjadas por gente bem mais jovem que sequer sabe entender o que lê, esses dois senhores merecem aplausos e a certeza de que a determinação no percurso sempre é mais importante que a chegada. E se o fim virá certamente para todos, um dia, por que não pedalar, pedalar e pedalar em busca do que liberta? Se não passar no vestibular ou cair da bicicleta, não tem problema. É só tentar de novo!

Um comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s