Com exibições teatrais on-line e gratuitas, Festivale inicia nesta terça-feira. Confira programação completa

O Festivale – Festival de Teatro do Vale do Paranhana, de Rolante é um dos mais importantes eventos teatrais do estado e, nesta terça-feira, 29, começa a sua edição de  número 28 edições. Batendo recordes, o evento recebeu as inscrições de 101 trabalhos, provindos de dez estados brasileiros além do Distrito Federal, que passaram por uma curadoria para a escolha das 12 produções que serão exibidas no período de 29 de junho a 03 de julho no YouTube e Facebook Espaço Cultural de Rolante. A proposta deste ano é exibir as produções pandêmicas, ou seja, audiovisuais produzidos pelos grupos teatrais durante o período da Pandemia de Covid – 19.

Com o objetivo de atender a comunidade, que todos os anos prestigia e se encanta com os espetáculos teatrais, e a dificuldade que ainda vivenciamos de realização de eventos de forma presencial; buscando uma alternativa para auxiliar os grupos de teatro, neste momento de necessidades e de certa forma, colaborar com a divulgação dos trabalhos, a Coordenação do XXVIII Festivale optou por manter a edição on-line do evento. “Sabemos que nada substitui o teatro na sua essência, a arte ali no palco pulsando, a interação com a plateia, mas ao mesmo tempo os grupos de teatro produziram muito material neste último ano, apresentando uma riqueza de conteúdo e uma diversidade de propostas, que valem a pena serem assistidas”, comenta Joyce Reis, Diretora do Departamento de Cultura.

Realizar um festival de teatro on-line é um desafio e uma grande oportunidade, pois possibilita a participação de grupos de diferentes regiões do Brasil. Também tem a questão da visibilidade, em um evento presencial atingimos o público da nossa cidade e região, mas através das redes sociais qualquer pessoa poderá assistir as produções, no conforto da sua casa, de forma segura. Serão comentaristas do Festival Vika Schabbach (Atriz, dramaturga e professora, Mestre e doutora em Artes Cênicas. Foi coordenadora de produção do Festival Internacional Porto Alegre em Cena; atuou como atriz em espetáculos como Platão dois em um, Boca de Ouro, Medeia e Barão nas Árvores; trabalhou na Cia Depósito de Teatro e no Grupo Cuidado que Mancha; integra o coletivo As DramaturgAs e em 2018 lançou pela Edipucrs o texto dramático Virginias. Hoje é professora na Universidade Federal de Pernambuco no curso de Licenciatura em Teatro) e Dionatan Rosa (Bacharel em Direção Teatral UFSM, Mestre em Teatro UDESC, iluminador, professor e pesquisador dedicado ao estudo das tecnologias da cena e das relações entre teatro – história- sociedade. É também reeducador do movimento pela Escola do Movimento – Método Bertazzo)

O Festivale também realizará uma enquete virtual, uma espécie de júri popular, onde as pessoas serão convidadas a escolher a produção vencedora do evento, que receberá o troféu do evento e uma premiação em dinheiro no valor de R$ 1.000,00.

O evento é promovido pela Prefeitura Municipal de Rolante, através do Departamento de Cultura e conta com o apoio do IEACEN – Instituto Estadual de Artes Cênicas e do coletivo Interior em Cena.  

Programação completa e sinopses dos espetáculos:

Terça-feira 29/06, 20h – Abertura do XXVIII Festivale

Entrelaços – Crônicas de Quarentena
Grupo de Teatro Margaridas em Cena
Direção: Juliano RangelCidade: Dois Irmãos/RS
Gênero: Comédia (classificação livre)

Em Entrelaços – Crônicas de Quarentena, apresentamos Ilse e Leofrida, duas senhoras da terceira idade, vizinhas de porta e amigas inseparáveis desde a juventude. Elas, que se visitam diariamente para tomar um chimarrão, falar da vida alheia, implicarem-se mutuamente e zelarem uma pelo bem estar da outra, tendo assim uma a companhia da outra sem perderem a individualidade de suas vidas, vivem sua solitude criativa de forma intensa e plena. Mas o que acontece quando uma pandemia acomete o mundo dessas duas amigas? Como será que elas lidarão, cada uma a sua maneira, com esse distanciamento social e com o “novo” normal.

Enquanto que Ilce precisa lidar com as mudanças provocadas pela propagação do vírus, incutindo nela novos hábitos de proteção e de maior autonomia e empoderamento tecnológico, Leofrida, acostumada a estar na rua, indo de loja em loja, conversando com todo mundo, busca alternativas para lidar com essa nova realidade. E para lidarem com o distanciamento social, elas se apropriam ainda mais da tecnologia para poderem se comunicar e compartilhar suas inquietudes, descobertas e rotinas de forma divertida e muito bem-humorada.

Quarta-feira 30/06, 10h – Descarte Humano: Do Concreto ao Invisível

Cia. Tem Gente no Palco
Direção: Izabel Cristina da Silveira
Cidade: Veranópolis/RS
Gênero: Performance Artística Documental (classificação livre)

O Lixo que sufoca o nosso Planeta aumenta na mesma proporção que a valorização do trabalho de coleta e separação seletiva é apagada. O que você faz com o seu Lixo?! Onde você acredita ser o FORA?! Qual é o seu Descarte?! Um olhar atento e performativo sobre corpos-escritura, invisibilizados frente ao caos e a degradação humana. Histórias recontadas que se entrelaçam neste epílogo-denúncia, de um documentário expressionista, sobre Vivências e Resistências.

Quarta-feira 30/06, 15h – O Menino de Lugar Nenhum

Teatro de Panela
Direção: Ivan Parente
Cidade: São Paulo/SP
Gênero: Infantil (classificação livre)

Em “Lugar Nenhum” tudo é preto e branco. Lá todo mundo é igual. Até que nasce Augusto, um menino colorido que faz um barulho esquisito e desconhecido por todos. Diferente naquele lugar, Augusto terá que enfrentar um mundo cruel e intolerante. Para isso terá a ajuda de um cientista um tanto quanto maluco, que garante ter a solução para qualquer tipo de problema, até mesmo a capacidade de torná-lo preto e branco como os outros habitantes.

Será que Augusto desistirá de ser ele mesmo para se enquadrar no que querem e esperam dele?

“O Menino de Lugar Nenhum” trata, de forma lúdica, temas como preconceito, discriminação e aceitação, mostrando nossos verdadeiros valores e principalmente a importância de ser quem realmente somos.

Quarta-feira 30/06, 19h30 – A História do Almirante Negro contada em 11 cenas – João Cândido e a Revolta da Chibata
Grupo O Grito
Direção: André de Jesus e Nalu Faria
Cidade: Porto Alegre/RS
Gênero: Documentário (classificação livre)

A história de João Cândido é contada em 11 cenas indo da infância na cidade de Encruzilhada do Sul, no RS, passando pelo seu trabalho na Marinha do Brasil, cuja luta pelos direitos humanos culminou na Revolta da Chibata, até chegar ao final da sua vida como pescador.

A performance com teatro, dança e expressão corporal, é encenada por um ator e uma atriz que interpretam fazendo uso de metade do corpo. A escolha dessa estética faz uma alusão a dualidade na história do Almirante Negro: de uma lado um homem forte e de outro o racismo estrutural. Utiliza-se uma proposta de linguagem “artesanal” com recursos viabilizados pelo próprios atores, com músicas de domínio público, frases de João Cândido, projeções de fotos e imagens, iluminação direcionada e percussões ao vivo.

Quarta-feira 30/06, 20h – Enquadrado – A História de Hábitos Desalinhados
Cia. Solagasta de Teatro
Direção: Adriane Gomes
Cidade: Maringá/PR
Gênero: Tragicomédia (classificação livre)

Enquadrado é uma peça teatral (solo) que investiga as transformações sociais, com foco no cotidiano, decorrentes da pandemia do novo coronavírus. Isolado em sua própria casa, o personagem Dim utiliza da máscara expressiva inteira como recurso para colocar em diálogo uma linguagem teatral (a da máscara em cena) com a marca distintiva de uma época (o uso de máscaras faciais para controle da transmissão viral). Esse diálogo reverbera as linhas de tensão contemporâneas próprias de um momento de transformação reposicionando o público e o privado, o oculto e o exposto, o íntimo e o social, o solitário e o coletivo.

Num esforço que parece interminável, existe o lugar da procura e do tentar, tentar novamente, tentar adaptar-se aos novos modos de existência. Será possível? Nesse sentido o elemento cômico surge com força crítica, além de divertida, a partir da quebra dos hábitos cotidianos em um contexto tão recente que ainda não formaram um cotidiano.

No tempo curto de um ano, vimos nascer um novo modo de estar no mundo, montado dinamicamente ao passo em que apreendíamos o significado da pandemia, tão radicalmente distinto quanto inseguro de si mesmo. Um modo de estar no mundo pleno de experimentações e tentativas, permeado pelo estranhamento, repleto de mal-jeito, hesitoso e contraditório. Nesse momento em que o cotidiano e o habitual desmoronam dando passagem para a produção intensa de outra vida social, mal podemos compreender a vida que estamos criando. Seus sentidos permanecem como pistas e é preciso registrá-lo. Registrar a passagem dos hábitos, o trânsito entre o normal e o novo, os afetos que com eles se acionam e se movem, o novo adestramento que se forma em camadas e a recusa que se sustenta. E se essa vida inventada em 2020 for a vida daqui para adiante? E se lembrássemos de sua precária fabricação? Enquadrado – a história de hábitos desalinhados é um registro e uma investigação sobre a vida social em transformação, sobre o processo de destituição e fabricação de hábitos, que se projeta a 2022 quando a vacinação nos CIA. SOLAGASTA promete estar livres do vírus e quando saberemos melhor o que de fato estávamos fabricando.

Quinta-feira 01/07, 10h – Letras Perambulantes
Núcleo Caboclinhas
Direção: Coletiva
Cidade: São Paulo/RS
Gênero: Lítero Musical (classificação livre)

O Núcleo Caboclinhas conta a vida e obra do poeta cearense Patativa do Assaré. Figuras reais que fizeram parte da vida do poeta se juntam à personagens fictícios que, entremeados por uma seleção musical, contam a original história de Patativa. Uma história que mistura o simbólico e a realidade, de forma singela e convidativa a todo tipo de público.

Quinta-feira 01/07, 15h – Atemporal
Circo do Sufoco
Direção: Rogério Gomes
Cidade: Belo Horizonte/MG
Gênero: Comédia (classificação livre)

No ano de 2.200, após a devastação dos recursos naturais, a humanidade encontra-se quase extinta. Entre os poucos seres que habitam o planeta terra, encontra-se um Cientista. Em seu laboratório feito de máquinas, realiza diversas experiências em busca de fórmulas, que lhe trarão vida para os próximos dias. O espetáculo leva ao público uma história recheada de magia, reflexão e divertimento.

Quinta-feira 01/07, 20h – Freud-Einstein, Maio de 1933
Circo Mínimo
Direção: Lygia Barbosa
Cidade: São Paulo/SP
Gênero: Drama (classificação 16 anos)

“Freud-Einstein, Maio de 1933” explora um suposto encontro entre dois ícones da ciência livre, Sigmund Freud e Albert Einstein, logo após ambos terem a oportunidade de atacar a ascensão do Terceiro Reich, o que os leva a discutirem suas falhas e inseguranças.

Sexta-feira 02/07, 10h – Trovoa
Cia Arte-Móvel
Direção: Otávio Delaneza
Cidade: Santa Bárbara d’Oeste/SP
Gênero: Drama (classificação 12 anos)

Há uma fase da vida em que somos como trovão, em que rasgamos o ar ao mesmo tempo em que o som de impacto entre as nuvens atormenta nossa cabeça. Dores profundas, amores intensos e medos avassaladores que viajam no mesmo barco em que habita um desejo imensurável de abrir asas e voar alto. Propomos um encontro entre o ser adulto e o ser adolescente. Abrimos as portas da nossa couraça para criar pontes e reencontrar a leveza do ar. Abra os olhos da alma, e “trovoa” na imensidão do mundo.

Sexta-feira 02/07, 15h – De Passagem ou Que Ano Louco 2020
Pandêmica Coletivo Temporário de Criação
Direção: Juracy de Oliveira
Cidade: Rio de Janeiro/RJ
Gênero: Comédia Dramática Cibernética (classificação 10 anos)

“De Passagem ou Que Ano Louco 2020” é uma realização do Pandêmica Coletivo Temporário de Criação. A transmissão acontece a partir do texto “En Passant” de Rafael Martins. Ela e Ele, corpos que falam, trocam sensações e confidências em uma sala virtual e tentam achar o sentido da própria existência. A transmissão foi completamente criada durante a quarentena e aposta em uma dramaturgia atual e música ao vivo.

Sexta-feira 02/07, 19h30 – Conversa de Casulo – Solidão
Grupo de Teatro de Pernas pro Ar
Direção: Luciano Wieser
Cidade: Canoas/RS
Gênero: Teatro de Máquina (Teatro de Animação) (classificação livre)

O primeiro episódio ”Conversa de Casulo” abordando uma reflexão filosófica sobre a Solidão, o ator/construtor tenda dar continuidade ao seu trabalho de criação, mesmo em tempos de pandemia, mas as vezes sua cabeça é povoada por duvidas e incertezas. Exausto da sua solidão e a de todos, ele mergulha em uma poética melancolia, devaneios que possibilitam um improvável encontro com seu duplo (boneco), através do desprendimento do real, imagens, sons e divagações, refletem sobre suas vidas no contexto atual de isolamento.

Sexta-feira 02/07, 20h – Corpas Femininas na Ruptura do Caos: Uma Instalação Cênico-Performática-Visual
GET – Grupo de Estudos Teatrais
Direção: Coletiva
Cidade: Gravataí/RS
Gênero: Performance Artística (classificação 12 anos)

Diante do momento atual, totalmente atípico do “normal” que seguia vigente em nossas rotinas, gerou-se em nossas vidas um caos de sentimentos, sensações e aflições. Em Cárcere resolvemos gritar e dialogar com nossas inquietações e nossos próprios aprisionamentos de mente, de corpo, de fala, de ação… Ressignificando cicatrizes advindas de uma falha estrutural é que nos relacionamos com o que nos antecede, os julgamentos… Num paradigma poético e de forma sutil, artística e teatral, surge esse alerta sobre a violência para com nossas existências de Corpas Femininas sempre Marginalizadas.

Sábado 03/07, 20h – Encerramento do Festival com apresentação do Coro Municipal de Rolante
Maestro Giovani Costa
Cidade: Rolante/RS

Espetáculo Convidado: O Sonho detrás das Nuvens
Grupo Teatral Tá Rolando Arte
Direção: Rodrigo Azevedo
Cidade: Rolante/RS
Gênero: Infantil (classificação livre)

O Sonho detrás das Nuvens conta uma história cheia de aventuras, emoções e brincadeiras onde um menino que, levado por um sentimento de buscar o desconhecido resolve ir atrás de seus sonhos. Durante esta caminhada ele encontra várias adversidades que o fazem refletir sobre o verdadeiro valor de sua felicidade e envolve o público em um universo infantil e lúdico.

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