Saco vazio, não para em pé!

A fome bate à porta de muita gente. Por comida, clamam aqueles que não têm o que colocar à mesa para saciar a necessidade mais básica do ser humano, que é a sobrevivência.

Há outro tipo de fome que assola as mentes privadas do conhecimento, da educação e dos livros, um alimento que também é fundamental para eliminar todas as fomes e, principalmente, a ignorância que pode matar por inanição.

Para alguns, há a urgência do feijão e do arroz. Para outros, a imperiosa necessidade do saber para saciar as carências filosóficas e científicas da alma e da existência.

A fome, seja física ou intelectual, mata mais do que qualquer outra doença porque ela nos tira a dignidade, a vitalidade, a humanidade, a vontade, a capacidade, a esperança e a felicidade. O pai que leva o pão de cada dia para sustentar os filhos sabe que terá forças para levantar no dia seguinte e recomeçar tudo de novo. Mas agora, em desespero, milhares esperam, sem oportunidade, socorridos por mãos solidárias.

Assim também minguam as possibilidades dos que não têm acesso ao saber, ao pensamento crítico, à reflexão, ao conhecimento tão básico quanto o feijão com arroz. Um não vive sem o outro porque sem comer não há como levantar e sem educação, não há como avançar.

Nesta semana, quando se comemorava o Dia Mundial do Livro, alguém liberava de impostos a importação de skates (nada contra porque esporte também é vida), enquanto os livros não foram isentos de pesados impostos por serem considerados produtos de elite.

Elite, sim, já que só quem lê e se alimenta bem pode evoluir. Os demais nunca terão dinheiro para o tal skate importado e muito menos para abastecer a despensa como o mínimo necessário para a sobrevivência. E se todos fossem priorizados como elite, com ou sem comida na mesa, para poderem matar todas as fomes?

A pobreza ética e moral que devasta este país é a pior de todas e temo não haver cestas básicas nem livros suficientes para nutrir um povo que espera, desde sempre, em desesperança. Mas é a única saída para enchermos barrigas e mentes com os mais ricos alimentos que existem: o feijão, o arroz e o conhecimento.

Saco vazio, como vocês já devem ter ouvido de suas avós, não para em pé!

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