Ciclos pra que te quero!

Na coluna desta semana peço licença para trazer o depoimento de Natalie Jacinto Borba. Nada do que eu dissesse, significaria mais e diria mais do que esse relato dela.

Sempre que penso em ciclos eu trago em minha memória as estações do ano e com isso a certeza de que há um tempo certo para todas as coisas.

O inverno sempre vai chegar em nossas vidas e eu o relaciono com os momentos nos quais muitas vezes nos sentimos tristes, desolados, incompreendidos, vulneráveis e impotentes, excluídos e indo ao encontro da nossa dor, é como se arrancássemos uma escama com toda nossa força a ponto de muitas vezes deixar uma grande cicatriz.

Por hora não entendemos a dor desta estação, mas sabemos que ela é parte importante para nossa real evolução.

Somente isso é capaz de nos projetar e nos fortalecer como ser humano.

O outono já se apresentando e com ele pensamentos, emoções e comportamentos, que devemos decidir deixar para trás.

Assim como as folhas secas que precisamos deixar ir com o vento e também tudo aquilo que nos impeça de ir além, a venda que está em nossos olhos também precisa ser retirada para que possamos enxergar o  renovo em nossas vidas.

Também considero uma estação dolorida porque precisamos abandonar algo e que às vezes ainda se faz presente em nossos corações para que possamos seguir em frente entendendo que é somente no momento que nos despedimos daquilo que nos aprisiona, é que teremos novas oportunidades de protagonizar nossa história.

Já sinto o aroma das flores, o colorido dos campos e a primavera aparecerá com a sua magia de aromatizar e tornar mais leve nossa história. Ela se achega e nos envolve com tanta propriedade.

Pois é neste tempo que começamos a colher os bons frutos de termos decidido recomeçar e principalmente de nos permitir a regar nosso próprio jardim.

Como é lindo quando o verão chega e nos envolve com sua luz, com seu calor, com sua energia e intensidade. 

O amor pode ser comparado com esta estação, pois ele traz o brilho maior, a luz da vida e o amor eterno.

A minha vida em ciclos se inicia em 1980 quando eu tinha apenas 1 ano de idade e meus pais resolveram mudar de vida e optaram por morar em Igrejinha.

Na época eu não entendia muitas coisa, mas juntamente com meus irmãos iniciamos a construção de uma linda história na cidade, um ciclo recheado de sabores e dissabores.

Tudo já estava escrito e  desenhado por Deus e nos restava somente nos permitir viver tudo o que a vida nos reservava.

Cresci em meio às enchentes da época, estudei em grandes escolas, fiz muitas amizades, trabalhei duro nas lojas que meus pais haviam construído (Casa das Malhas), era integrante da Juventude,  fascinada pelos jogos do Bagual, não perdia nenhuma gincana da Carmone e adorava participar do kome-kome rock.

Concorri à rainha da oktober, fui escolhida Garota Verão e nunca deixei de comer a famosa cuca do Lanz.

Alguns bons anos em um parágrafo, mas o que vivi e ainda sinto em cada ciclo, estão cristalizados no meu coração, todos eles sendo lembrados com muito carinho.

Depois de 30 anos, decidi sair da cidade após ter perdido minha mãe e nunca imaginaria que após 10 anos voltaria para Igrejinha para me despedir do meu irmão.

Assim são os dissabores da vida, mas precisamos perder para ganhar.

E eu pude viver e iniciar um novo ciclo, recheado de orgulho das pessoas que reencontrei, cheio de amor por tanto carinho que recebi, e como se em um curto espaço de tempo eu pudesse viver as 4 estações em meu coração simultaneamente.

Me despeço da cidade que me acolheu sempre com muito amor, dos amigos de longa data para dar início a uma nova caminhada.

Mais firme, mais forte e mais intensa, pois mais uma vez eu pude ver a luz no fim do túnel e crendo fielmente que o sol sempre irá brilhar para todos que desejam verdadeiramente amar, honrar e respeitar a sua própria história.

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