Autêntico e multitalentoso, igrejinhense Gabriel Barros conquista destaque na música nativista

O cantor, instrumentista, interprete e compositor Gabriel Barros conquista admiradores por onde passa. Com uma voz potente e estilo autêntico em suas interpretações, ele vai escrevendo seu nome na lista de talentos da música nativista. Filho de uma artista plástica/artesã e neto de um ritmista/gaitista da música regional, foi o convívio familiar com a arte que lhe serviu de referência na vida artística. Foi da mãe que ganhou seu primeiro violão e começou aulas de música. Ainda na infância ingressou no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) onde conheceu a cultura gaúcha através da dança, música e poesia.

A partir daí, surgiram oportunidades de cantar em festivais, concursos e saraus. “Depois de apresentar com grupos de danças, passei a tocar para entidades da região, participar de festivais de música e fazer muitos amigos no meio. Isso é o melhor, pois ganhamos muitos irmãos nesse caminho”. Ele ainda se aventura como compositor. “Eu já escrevi sobre nossos cachorros, dediquei uma música à Igrejinha e ao maestro Gustavo Koetz – essas duas últimas de festivais. Eu trabalho em cima de alguns temas, alguns eu gosto, outros não…”, explica.

Nascido e crescido em Igrejinha, aos 26 anos Gabriel define-se como “adorador de poesia, de encontros com amigos em mesa de bar e violão, pronto pra seguir o coração e ir pra onde a música conduzir”. O artista já trabalhou com grupos como Chamigos e Vigüela Pampa. Atualmente integra o Paysanos Trio, ao lado de Luiz Dallastra e Matheus Krummenauer.

Referências multiculturais norteiam seu trabalho

Gabriel Barros cresceu com influências da música nativista do sul do país. Ao perceber proximidades na identidade gaúcha com a uruguaia e a argentina, ampliou o farol do oceano musical para outras influências dentro do território brasileiro na intenção de conhecer mais o que cada região traz de autenticidade e multiculturalidade, trabalho que vem sendo amadurecido. “No fim, o resultado é uma viagem dentro do país através de suas linguagens musicais”, explica, destacando que pretende expandir o estudo, visitando núcleos e absorvendo o que faz a música de cada canto ser o que é.

Vitor Ramil, Pirisca Grecco, Elis, Bethânia, João Bosco e Tom Jobim integram a lista de artistas que fazem parte de suas referências. “Quando criança eu assistia ao canal TVE e ali pude conhecer a música clássica com as transmissões da OSPA e a música urbana com o programa RADAR. Duas veias muito distintas mas que estão aqui fazendo parte da minha primeira impressão de um mundo musical fora do que eu já vivia”, relembra. Analisando este conjunto de vertentes distintas se imagina como ele construiu sua forma de interpretar as canções. “Cada música tem uma intenção. Buscar essa intenção e dar a sua cara é o que faz o intérprete. Sensibilidade, tentativas, erros e acertos até chegar em algo que eu goste”.

Com o Paysanos Trio junto de Yamandu, Borguetti, Daniel Sá e Guto Wirtti

Um artista de talento e opinião

Em tempos onde muito se fala sobre o tradicionalismo gaúcho versus as modernidades dos dias atuais, Gabriel tem opinião clara. Para ele, a cultura é a identidade de um povo e a sociedade sempre está em transformação. “Mas então nos perguntamos: a cultura precisa se transformar? Em partes. Traços primitivos segregativos não devem ser bem-vindos. Músicas como “Morocha” e “Ajoelha e chora” não interessam mais à sociedade e, principalmente, à juventude. Mostremos nosso ritmo, nossas referências melódicas, mas com uma mensagem muito mais inclusiva. Esse é nosso papel”. 

Com ampla bagagem no universo cultural, seu objetivo maior é trabalhar com música. “Reconhecimento já é o sonho do artista. Até lá, seguimos tocando, gravando e aprendendo, pra que quando a sorte chegar nos encontre mais que preparados”.

Esta reportagem integra a série “Arte Igrejinhense na Vitrine”, que tem como objetivo final a produção de um e-book. A produção cultural foi contemplada pela Lei Aldir Blanc em Igrejinha.

*Fotos: Arquivo pessoal do artista

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