Por que você faz o que faz? Para o que você acorda de manhã? Qual o motivo de você continuar saindo para trabalhar todos os dias?

A impressão que eu tenho é que passamos a vida esperando chegar até um auge, um topo, mas que quando chegamos isso se torna um platô desconfortável que com o tempo vira tedioso.

Nesse caminho, nos distraímos numa rotina que, de um lado é cansativa, mas por outro é de alguma maneira confortável. Confortável porque não exige esforço para executar, não precisa de energia porque não muda. É um fluxo que a gente apenas segue, como a correnteza de um rio.

Acordar, tomar café, ir ao trabalho, executar, voltar para casa, tudo isso por 5 ou 6 dias na semana para 1 ou 2 de folga e se tudo der certo no final do ano você ganha 30 dias para descansar (quando não só 15), fugir dessa rotina entediante, esquecer que isso te deixou insatisfeito o ano todo. E mesmo com essa insatisfação ainda é mais cômodo seguir o fluxo do que tentar mudar, tentar nadar contra a correnteza.

Algumas pessoas conseguem perceber que estão na correnteza. Acordam dentro do sonho, mas continuam sonhando. Elas percebem que é um sonho, mas não conseguem acordar de fato. Isso incomoda, porque elas não podem nem sentar e deixar tudo passar, muito menos acordar. Elas percebem a correnteza, mas o fluxo não deixa de carregá-las.

O que será que é mais difícil? Não ter consciência de ser carregado pelas águas ou ter e não poder fazer nada?

Há também aqueles que ao se dar conta disso tudo, ousam aproveitar a correnteza e curtir o sonho. “Já que não é real, vou criar a minha realidade”. “Tudo bem eu ter que acordar, trabalhar, criar planos, metas, mas eu sei que eu não tenho controle sobre eles, ou pelo menos, bem pouco, sei que a qualquer momento tudo pode sair contrário do esperado, por isso eu não espero, eu aproveito o equilíbrio entre fazer e aceitar o que vem.” É aquele papo clichê, porém real, de que a felicidade está no caminho e não em alcançar o objetivo. 

Nós precisamos sempre de algo aberto, algo para buscar, para resolver, para fechar, se quisermos ter um motivo para acordar todos os dias.

Talvez seja doloroso para alguns aceitarem isso, mas se tivermos tudo resolvido em nossa vida, podemos não saber como lidar com a falta do ter o que resolver.

Você pode se tornar apático, sem propósito, entrar em depressão. 

Você pode ver isso em casos de pessoas que tiveram tudo, dinheiro e fama, de uma forma muito rápida, e que destruíram as suas vidas nos excessos de álcool, drogas e outras coisas, por não ter mais algo especial para buscar.

Precisamos da falta para buscar a completude. Um chocolate é muito melhor quando você está um tempinho sem comer do que depois que você se empanturrou com o bolo de aniversário.

Aprender a lidar com a falta, aprender a aceitar que a vida é essa busca por algo que nunca vai estar completo, é o que vai tornar a nossa vida mais criativa, é o que vai trazer sentido para aquilo que talvez não tenha sentido.

E para lidar com isso não existe uma resposta muito fácil, mas o caminho mais seguro para isso é o autoconhecimento. Conhecer qual a sua falta, o que você busca, o que é significativo para você, aquilo que se você busca realizar vai trazer algum propósito para a sua vida!

Espero que você encontre essa resposta e que esse 2021 seja para isso, para essa transformação na sua vida.

Um abraço,
Samuel Cunha

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