Cartinha do Papai Noel

“Oi pessoal! Hoje quem vai escrever uma cartinha sou eu: o Papai Noel. Aquele que descia pela chaminé ou vinha sorrateiramente na madrugada deixar os presentes para vocês sob aquela árvore colorida, cheia de luzinhas.

Resolvi escrever só para avisar que neste ano de 2020 não responderei cartinha de ninguém e nem sentarei na cadeira daquele shopping, morrendo de calor (apesar do ar condicionado) e de tédio, pra tentar agradar aos pais, muito mais do que às crianças.

Chega! A pandemia até que veio em boa hora, lamento informar. Geenteee…!!!!! Não há mais renas para transportar tudo o que as pessoas deste planeta consomem. Até porque, do jeito que as coisas se encaminham, nem sabemos se haverá planeta no próximo ano.

Portanto, amiguinhos, estou me retirando de cena para uma quarentena no Polo Norte, porque parece que por lá o corona ainda não chegou. Sinto decepcioná-los, mas quem acredita em Papai Noel hoje em dia, depois que inventaram a Amazon e a Alexa?

Cartinha para quê, se nem os Correios e os Ubers dão conta de entregar tanta coisa no mundo afora? Pois estou pendurando minhas chuteiras (ops, digo minhas botas) e aquela roupa horrorosa para hibernar por, no mínimo, um ano.

Quem sabe até lá poderemos andar sem máscaras, com a segurança de uma vacina, mas isso não é coisa que se peça para o Papai Noel, entenderam?

Quando eu voltar, quero que me peçam aquilo que realmente importa, porque não tenho mais estoques de celular, bicicletas, bonecas que falam, notebooks, etc, etc. Aliás, nem lembro mais o que me pediram no Natal passado, quando nem imaginávamos o que estava por vir.

Quando eu voltar, de bermudas e regata para enfrentar esse calor infernal de dezembro aqui neste país tropical, quero que me peçam menos coisas materiais e, quem sabe, mais saúde, amor e compaixão, com uma boa dose de gratidão, o que não sobrecarrega as renas e nem enche o meu saco, literalmente, mas afaga o meu coração.

Caso contrário, ficarei por aqui off-line, pelo tempo que for necessário, para não ter que assistir às infinitas lives de mau gosto e as milhares de fotos, que, certamente, vão ser postadas para desejar “Boas Festas”, o que aliás está proibido agora com o distanciamento social (as festas, não as fotos, infelizmente).

Por ora, desejo um Feliz Natal e que em 2021 estejamos todos vivos para poder contar que sobrevivemos ao pior e que ainda é possível acreditar em mim, em qualquer idade. Acredite ou não!!!”

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