Ainda é possível brincar? Uma reflexão para pessoas de todas as idades

A infância segue ou persegue. De algum jeito, as questões relativas à infância “volta e meia” estão presentes nas rodas de conversa, nas lembranças, nas brincadeiras com crianças…mas nas sessões de terapia, são assuntos frequentes. Assuntos de uma infância marcada, com lembranças persecutórias, com desenvolvimentos comprometidos por traumas vivenciados nas fases iniciais da
vida.

O que acontece na infância não fica lá! Nos acompanha, nos estimula, nos lembra gostos, cheiros, brincadeiras… ou nos bloqueia, nos apavora, nos impede de viver a vida de forma mais leve, espontânea, saudável…dificulta a nossa capacidade de confiar no outro, em nós mesmos… Mas, meu foco aqui não é tratar de traumas infantis! Isso se faz em terapia…e para isso, estou à disposição em outro espaço. Aqui, meu desejo é promover reflexões e trazer conteúdos que inspirem outros olhares, novos ou modificados!

Então… como estamos entrando em outubro, mês que se comemora o Dia das Crianças, essa é a oportunidade para pensarmos na importância da infância para todos, especialmente para quem tem crianças em sua vida, seja filh@s, afilhad@s, sobrinh@s, net@s…

A infância é a fase da estruturação da personalidade, do desenvolvimento das noções de “eu” e do “outro”, da aquisição de importantes habilidades motoras, sociais, psíquicas, dentre outros tantos aspectos. Nesta fase, uma das principais atividades é o BRINCAR. É através do brincar que a criança representa o seu mundo interno, suas interações familiares, suas ansiedades e fantasias.

O brincar é indicativo de saúde e, através dele, é possível identificar situações traumáticas para a criança.

É uma atividade fundante e organizadora da vida psíquica, uma vez que, já por volta dos três meses, o bebê começa a esboçar suas primeiras brincadeiras. Brincar para as crianças é estimulante, prazeroso e importante, se assemelhando à concentração mental dos adultos. Por isso a dificuldade de muitas crianças interromperem suas brincadeiras quando lhes é solicitado. Brincar também contribui para a formação da identidade.

Sem aprofundamentos teóricos, trago uma noção da importância do brincar e os benefícios para o desenvolvimento biopsicossocial da criança. Através do brincar é possível construir narrativas cheias de sentidos para a vida da criança, que lhe acompanharão ao longo da vida.

Quem lembra das suas brincadeiras de infância? De como era bom brincar com o pai, com a mãe, com algum familiar/dind@s/amiguinhos? Brincadeiras que estimulavam a interação, o movimento corpora. Pular corda, amarelinha, brincar de boneca, de carrinho, de pega-pega, pique-esconde… dentre outras tantas brincadeiras. A possibilidade de brincar sozinho, concentrado somente no seu “projeto” brinquedo, seja ele uma casinha cheia de móveis, um prédio de Legos, um chá de bonecas, uma nave espacial na árvore… brincadeiras infinitas, dando asas a criatividade e a imaginação!

Aproveitando o mês da criança, proponho que voltemos o nosso olhar para a potência do brincar
para o desenvolvimento saudável. Brincar promove saúde em todos os sentidos! Vamos estimular as nossas crianças a isso?

Que tal limitar o uso de eletrônicos e brincar com as crianças? A briga pode até vir, a reclamação e o protesto também! Podem achar chato no início, pode ser difícil para alguns de nós, adultos. Mas a capacidade criativa e imaginativa podem fluir através do brincar, para crianças e adultos. Brincar livremente, experimentar os papeis que quiser, quem sabe a mãe ser filha da filha, o filho dizer qual papel que o pai vai ocupar, a filha maquiar o pai, quem sabe pode ser divertido, hein? Acredito que a capacidade criativa das crianças pode render boas risadas! Além de ser um momento rico em interação e promover o bem estar de toda a família.

Além disso, muito além de brinquedos materiais, as crianças precisam de conexão emocional – e uma das pontes para que isso aconteça é através do brincar.

Então mamãe, papai, titio, titia, vô, vó, dind@s, famílias, fica a dica:

  • para todas as crianças, de todas as idades: menos brinquedos, mais brincar!

Por uma infância (e uma vida) mais leve, livre e criativa!

Um abraço (com cosquinhas, para ser mais divertido).

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