Baseado em fatos reais?

Quem acompanha o Drops do Cotidiano sabe que a colunista oficial de cinema, séries e assuntos afins é a Luana Lehnen. Dias atrás, a colunista falou sobre um ator consagrado nas telas, o versátil Tom Hanks (confira clicando aqui). E longe de querer roubar o espaço da Luana, que por sinal escreve super bem, peço licença para falar do famoso ator de cinema.

Num recente domingo chuvoso, o programa de família foi assistir o filme “O Terminal”, onde Hanks interpreta o personagem principal Viktor Navorski. O enredo do filme (atenção, spoiler!) centra-se na história de um homem que desembarca nos Estados Unidos a passeio, mas que não pode sair do aeroporto, visto que seu país de origem, Krakozhia, entra em guerra e o passaporte perde a validade. Viktor é obrigado a permanecer meses no aeroporto, morando em um terminal em construção, onde faz amizade com funcionários de lá, é “perseguido” pelo diretor do aeroporto e muitas outras situações.

Esse não é o primeiro personagem de Hanks onde ele é obrigado a tomar medidas duras para sobreviver ou sair de situações complicadas. Outro filme em que ele vive situação semelhante foi “Náufrago”, porém nesse filme as adversidades são bem piores.

Guardadas as devidas proporções, esses últimos meses, em função da pandemia, até parece que estamos vivendo situações semelhantes ao personagem Viktor, do filme “O Terminal”. Quase que sorrateiramente, o vírus da Covid-19 chegou às nossas vidas e mudou radicalmente nossa rotina, nos forçando a um confinamento em nossas próprias residências. Viktor também ficou confinado num espaço restrito e lá teve que aprender algumas coisas novas, como um idioma, ou fez florescer sua brilhante capacidade de trabalhar com materiais de alvenaria.

Cá entre nós, quantos de nós não começou coisas novas nessa pandemia, mesmo com circulação restrita? Posso falar por mim mesmo, que iniciei um Mestrado, passando por um processo seletivo bem puxado. Ou ainda posso citar minhas várias tentativas culinárias. Longe de ser um possível participante do Master Chef, é verdade, mas posso garantir que o Henrique, meu filho, anda lambendo os dedos com as minhas massas e molhos.

Não quero puxar aquela história de que “mesmo sendo uma situação complicada podemos tirar algo bom”, longe disso. Mas o fato de enfrentarmos algumas situações, por mais complicadas que pareçam, depende muito da nossa presença de espírito.

Nós, humanos, seres “normais”, temos a impressão que podemos controlar tudo, e talvez isso ocorra pela nossa perspectiva de manter tudo como consideramos mais adequado às nossas necessidades. Mas aí vem um inimigo invisível e nos mostra que somos frágeis, finitos, talvez até um pouco egoístas.

Sim, muita coisa que aconteceu nos últimos meses parece coisa de filme, mas é a vida real. Não foi diferente quando em 2001, nos EUA, ocorreram os ataques de 11 de setembro. Quem lembra?

Não querendo romantizar a vida ou transformar essa coluna numa “ode” poética, mas cada um de nós tem um filme sendo escrito dia-a-dia, onde o enredo pode mudar em questão de dias, horas, minutos, até segundos. Nossas vidas, me corrijam se eu estiver errado, tem de tudo um pouco: drama, choro, riso, comédia, aventura, desafio, superação.

O importante é, sempre que possível, poder rever esse “filme”, sem crises de culpa ou de angústia, afinal, tem parte do roteiro que já foi para a “tela”, se é que me entendem. Mas tem uma boa parte a ser escrita, reescrita, ou até mesmo revivida.

Talvez sua história, “baseada em fatos reais”, não venha a ganhar o Oscar, talvez o Tom Hanks ou a Meryl Streep não “te interprete”, mas te garanto que a tua história, a minha, a nossa, tem mais importância para muita gente que nos ama, que torce para nós, e que faz questão de, sempre que possível, reviver momentos, chorar, sorrir, abraçar, celebrar a vida. Aliás, a vida é assim mesmo, um enredo em construção, e nós, atores dessa incrível película. O cinema é chamado a Sétima Arte, mas nossa vida, sem dúvida, é a “Arte Primordial”. Mas você é quem escolhe, se quer ser ator, ou comportar-se como plateia.

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