E quando a cabeça está sempre “lá”?

Olá! Venho trazendo alguns apontamentos sobre o que tenho pensado ultimamente mas, principalmente, uma queixa recorrente no consultório: a dificuldade de estar presente!

Como assim, estar presente? Estar presente, de fato, conectado emocionalmente ao que estamos vivenciando… Não apenas de corpo presente!

Ouço pacientes com dificuldades de manter o foco no que se propõem a realizar, dificuldade de atenção, hiperatividade, dificuldade de continuar aquilo que começam, dentre outras diversas situações. Uma dificuldade recorrente é a falta de manter a conexão emocional com o que está sendo feito, com quem convive e consigo mesmo.

Sabe quando a cabeça está sempre “lá”? Lá no trabalho, lá no que precisa ser feito, lá no verão, lá no parente distante, lá na próxima viagem, lá na formatura, lá na casa própria, no carro, no emprego melhor… Lá no cônjuge, na namorada, nas crianças. O que precisa, o que falta, o que tenho que dar conta! Quantas vezes gostaríamos que o dia tivesse o dobro de horas, não é mesmo? São muitas as “mentes ansiosas” (pensamentos centrados no futuro) por aí – ou por aqui.

Há também aquelas situações que tendem a nos puxar para o passado. A cabeça lá no que aconteceu de triste, lá na infância perdida, lá nas frustrações que não foram superadas… Ou com tendência à tristeza excessiva e, em casos de maior sofrimento, a vivência da depressão.

É obvio que somos impulsionados por objetivos futuros, por conquistas que desejamos e batalhamos todos os dias para alcançá-las. É obvio também que somos construídos através das nossas vivências pessoais, nem sempre alegres e prazerosas. Vivências traumáticas, frustrações extremas, faltas em diferentes graus e de diferentes significados!  Somos sujeitos da cultura, ou seja, a inter relação com os ambientes (pessoas/contextos sociais) em que estamos inseridos vão marcando a nossa vida, de forma positiva e negativa, desde a gestação.

Mas, cá para nós: quem consegue sentir-se presente, emocionalmente, ao mesmo tempo que precisa dar conta de tantas coisas? Sentir-se presente com o filho pequeno que quer brincar, sendo que a casa precisa ser limpa, o trabalho está acumulado e a vontade de sair correndo passa pela cabeça várias vezes? Ou ainda, sentir-se presente quando o/a parceira convida para um filme, uma janta, uma caminhada? Para onde vai a mente nessas horas que, para o nosso próprio bem, deveria estar presente? Esses são exemplos do nosso cotidiano! Quem, de fato, vivencia momentos que se perdem por não conseguir se conectar?

Conexão emocional é desafio diário! Estar presente quando estamos “presentes” implica em autocuidado! Ouvimos falar muito nessa palavra, como sinônimo de autoconhecimento, autoacolhimento. Como estamos exercendo o autocuidado? Priorizamos isso para conosco? Parece clichê falar sobre autocuidado. Mas, na prática, quem  consegue? Autocuidado físico, espiritual, social, intelectual… e emocional!

Estar conectado às nossas emoções, mesmo que sejam angustiantes, nos possibilita agilidade na hora de buscar ajuda profissional, se for necessário. Vamos tentando dar conta de tantas coisas, de pessoas, de projetos, exigências… E como ficamos? Cortisol lá em cima, estressad@s, sobrecarregad@s, exaut@s!!! Sintomas de ansiedade e depressão podem se originar da exaustão emocional que vivenciamos.

Não é egoísmo pensar em nós mesmos, muito pelo contrário! Isso fala da autoestima equilibrada, da saúde como prioridade. Não significa deixar “tudo a deus dará” mas, dentro da nossa rotina diária, ter um espaço para nós mesmos! Precisamos dar conta de várias coisas, sempre! Mas não vamos conseguir fazer tudo ao mesmo tempo, nem dar conta de tudo de uma só vez.

Então, que tal estabelecer prioridades? Organizar sua rotina, focar no que precisa hoje, ter um tempo com quem é importante para você e, especialmente, para você mesm@!

Como estás te sentindo? A rotina diária está exaustiva, tudo está pesado além do “normal”? Você está irritad@, sem paciência, exaust@? Com mais momentos de tristeza e desânimo do que de disposição? Sentimentos de desesperança e fracasso têm sido recorrentes? Isso é um importante sinal de alerta de que está faltando autocuidado! Buscar ajuda psicológica também é investimento em ti mesm@, em viver com saúde e leveza, dentre outros tantos benefícios.

O que te faz bem?

Sabe, tem coisas que me fazem muito bem! Dentre elas, estar com minha família, na minha casa! Viajar, caminhar, observar a natureza, estar com pessoas que amo e que fazem eu me sentir amada, pessoas que me inspiram, acolhem e contribuem para meu crescimento (que entendo acontecer até o dia da morte!). Atender meus pacientes, ter contato com suas histórias e com as emoções que permeiam seus relatos e atos. Programar objetivos futuros, manter-me em atualizações teóricas (estudar, sempre!!!). Mas também, estar em silêncio, ter minha conexão espiritual, ler, organizar minhas idéias, prestar atenção ao que estou sentindo, o que não está me fazendo bem, o que está me sugando, me deixando exausta emocionalmente.

E como me dei conta disso? Vivenciando momentos de angústia, com sintomas de estresse e ansiedade! Buscando ajuda psicoterapêutica também (o que, para mim, também é uma das prioridades!!!). Eu não conseguia (e ainda vou contra isso) estar presente!!! Sempre em busca da falta, do fazer, do perdido. E estava a me perder, de mim, do que e de quem importa para mim!

Por que “me mostrei” aqui? Para, quem sabe, te incentivar a olhar para ti com sinceridade e cuidado, aceitar a tua vulnerabilidade e ser uma das tuas prioridades!

Que tal se você olhar, se aceitar, se cuidar, se priorizar?

Estou disponível para te ajudar nesse processo!

Um abraço carinhoso,
Psicóloga Nathalia Pedro

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