Marcha à ré?

De repente, o que era passado virou presente. Na incerteza do futuro, suspenso diante das dificuldades impostas por algo nunca imaginado em 100 anos, o ser humano tenta recuperar o essencial e, num retorno a um “longínquo normal”, resgata atividades consideradas extintas, antigas, obsoletas e tidas como ultrapassadas por um mundo totalmente tecnológico e conectado virtualmente.

De um dia para outro, o que era vintage e motivo de saudosismo para os mais velhos, passa a fazer parte do cotidiano desses novos tempos, onde o passado nos redime e nos salva a contemporaneidade. Basta ver o retorno dos drive-ins e de outros projetos. Extintos completamente, muitos de nós sequer tivemos contato com um cinema ao ar livre ou jamais imaginaríamos assistir a um show de rock dentro do carro, “aplaudindo” com buzinas e faróis.

No lugar de aplausos, buzinas e faróis

Foi preciso algo avassalador para aquietar o espírito ganancioso do homem que destrói, depreda, usurpa, rouba, corrompe e ainda se apropria de um planeta exaurido de recursos em nome do lucro, do progresso e da evolução.

Estaríamos agora, então, em marcha à ré, retrocedendo na caminhada que seguíamos de vento em popa, rumo a um futuro cibernético interligado por inteligência artificial? A parada em plena ascensão e escalada desenfreada do tal “desenvolvimento” a qualquer custo nos jogou contra o para-brisa com tamanho impacto que não deu tempo nem de acionar o air bag. Colidimos de frente com o insólito e surreal “novo normal”.

Sem alternativas, foi preciso resgatar no passado a simplicidade de pequenas ações que nos remetem de volta à vida comunitária da aldeia em que vivemos, mas que já nem lembrávamos mais como era, absortos que estávamos com um outro mundo, aquele que agora se estilhaça na nossa cara, com chance de ser substituído, talvez, por alguma peça de reposição fora de linha, mas que se adapta perfeitamente ao que perdemos lá atrás.

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