Dia do Ciclista: conheça histórias de bikers do Paranhana destacando o seu amor pelo esporte

Pegar a estrada, desbravar caminhos, sentir o vento no rosto, apreciar novas paisagens e sentir a adrenalina e a felicidade em níveis elevados. Quem é ciclista entende bem esse roteiro e não se cansa de viver essa experiência. 2020 trouxe uma pandemia e, para muitas pessoas, sair de bike tornou-se uma fuga do isolamento, a atividade física da vez e um novo hobby ou paixão (que pode ser de temporada ou atravessar décadas). Em busca de hábitos mais saudáveis, andar de bicicleta tem sido uma opção amplamente escolhida. Os benefícios para a saúde e o meio ambiente são inúmeros: fortalece os músculos, articulações, queima calorias, melhora o sistema cardiorrespiratório e ainda alivia o estresse; é sustentável, não polui e ainda permite o maior contato com a natureza dependendo da escolha do trajeto.

O fisioterapeuta Charles Kinast, de Taquara, se orgulha de ser um incentivador da prática do ciclismo e conta que sempre tenta plantar uma sementinha em seus pacientes pós-tratamento. “O nosso corpo foi feito para o movimento, nada melhor que a bicicleta para auxiliar nisso. Ela abrange muito bem os aspectos biopsicossociais que hoje em dia está aí tão forte e veio para ficar, um novo modelo de ver os pacientes para o melhor tratamento”, destacando um conceito que estuda a causa ou o progresso de doenças com base em fatores biológicos (genéticos, bioquímicos, etc), psicológicos (estado de humor, de personalidade, de comportamento, etc) e sociais (culturais, familiares, socioeconômicos, médicos, etc).

O bom é que, para andar de bike, não é preciso um grande condicionamento físico inicial – mas é importante ir aos poucos, claro. A dica de Charles é para que, quem quer iniciar, procure conversar com quem já pratica, o que vai fazer poupar dores de cabeça e dinheiro. “Uma coisa essencial é fazer amizades no mundo da bike, pedalar sozinho é algo que pode se tornar perigoso. Os equipamentos de segurança, nem preciso dizer, é item básico”, completa. O profissional vê com bons olhos o crescimento na busca pelo ciclismo e acredita que são dois os motivos principais: a necessidade iminente de buscar saúde física e mental, além de, nos grandes centros, ajudar a evitar a aglomeração dos transportes públicos. E essa moda vai seguir? “Acredito que não vai ficar como está hoje. Mas grande parte ainda vai permanecer pedalando, principalmente se as cidades investirem em ciclovias e os motoristas entenderem que o ciclista não é ‘inimigo’ e sim aliado no trânsito”, projeta.

No Brasil, desde 2017, o Dia Nacional do Ciclista é celebrado no dia 19 de agosto, com o objetivo de promover a educação e paz no trânsito, e incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte. A data foi escolhida para homenagear o biólogo e ciclista brasiliense Pedro Davison, que foi vítima da violência no trânsito em 2006, no Distrito Federal, enquanto pedalava.

Para marcar a data, a reportagem do Drops do Cotidiano conversou com alguns ciclistas da região, pessoas que encontraram na bike um motivo a mais para se alegrar, cuidar da saúde e aproveitar as belezas naturais por aqui.

Ao longo da vida, sempre presente!
O ex-atleta olímpico e medalhista em diversas competições nacionais e internacionais, Gustavo Selbach, tem uma vida dedicada ao esporte e a bike faz parte dela. Foi em 1993 que teve sua primeira bicicleta, a qual usava também para o trabalho, quando pedalava para fazer entregas de intimações. Quando tornou-se atleta de alto rendimento na canoagem slalom, a bicicleta se tornou base para preparação física. Aos 45 anos e já aposentado do caiaque, ele atua com desenvolvimento humano e de equipes, facilitador e palestrante, e o ciclismo segue na sua rotina. “Mesmo com características bem diferentes do meu esporte, o Mountain Bike me ajudou bastante e fez parte da minha preparação física e mental. Hoje eu só pedalo e surfo, mas pedalar é minha primeira opção e a que eu mais pratico”, conta. Ele prefere as estradas do interior, que o permitem apreciar a paisagem. “Amo o contato com a natureza que o pedalar me proporciona, a possibilidade de ter esse momento de silêncio e o desafio pessoal de estipular alguns trajetos que são mais difíceis ou mais longos, que exigem mais. Essa experiência é fantástica”, declara. O trajeto entre Três Coroas e Igrejinha, pela Serra Grande subindo o Morro Alto da Pedra, a região de Canela, próximo à Canastra, além de São Chico e Padilha são lugares onde já pedalou e recomenda.

Uma novata aventureira que aproveita as oportunidades
Há apenas quatro meses a estudante de Fisioterapia e recepcionista na Academia SportCenter, Larissa Dias, de 19 anos, comprou uma bike e iniciou no esporte, por incentivo da amiga Natália Müller. Orgulhosa, ela conta que a dupla, pedalando apenas em finais de semana, já soma mais de 1.000km percorridos. “Ser ciclista é divertir-se no trajeto e repor todas as energias vitais. É superar-se e conseguir ir além do que nós mesmos já tínhamos imposto como nosso limite. É ser viciado no sentimento de liberdade com o vento que bate no rosto”, declara. Muito além dos benefícios que a bike oferece para o corpo, Larissa cita que conquistou equilíbrio entre corpo e mente. “Me distraio, me supero, conheço lugares e pessoas maravilhosas! Funciona como terapia”, completa. Apesar de ainda ter muitos lugares que quer conhecer, ela já tem algumas rotas que adora e indica: o trajeto de Solitária até o Morro Alto da Pedra e do Xaxim, a barragem de Canela e a localidade de Picada Francesa.

Campeão com a bike!
Rolante tem se consolidado com o cicloturismo e foi nessas terras que Rafael Mendes, 33 anos, deu suas primeiras pedaladas para despontar em competições, conquistando pódios e medalhas. Apaixonado por bicicletas desde criança, depois da aula estava sempre fazendo alguma atividade com a sua, empinando ou arrumando trilhas. Na época, era apenas diversão e, já adulto, em 2012, foi que começou a competir na categoria estreante. No ano seguinte, subiu de categoria por idade, (sub 30) onde sagrou-se Campeão Gaúcho XCO e vice-campeão maratona de 2013. “Então tive que subir de categoria, pra elite do ciclismo gaúcho. Tive bons resultados, mas acabei abandonando o esporte por conta do alto custo”, conta. Rafael nunca parou de pedalar e, em 2018, voltou aos treinos. Em 2019 retornou às competições, tornando-se vice-campeão da Copa Soul RS e 4º no Campeonato Gaúcho de Mountain Bike. “Comecei 2020 com o pé direito. Venci a primeira etapa da Copa Soul RS, fiz um 2º lugar no campeonato litoral norte e um 3º no campeonato Gaúcho, mas em função da situação de pandemia não tivemos mais provas”. Ele considera sua cidade o paraíso da prática do Mountain Bike. “São diversas estradas e trilhas por esse interiorzão, com opções para o competitivo, lazer e passeio, trilhas mais radicais e outras mais tranquilas. Talvez por esses motivos esse esporte vem crescendo numa velocidade muito expressiva”, finaliza, destacando ainda a questão dos benefícios à saúde.

Uma paixão antiga está de volta
Na adolescência a bike era a companhia de Dirceu Linden Junior. Na época, ele chegou a ir pedalando com dois amigos até Capão da Canoa. Quando fez 18 anos, comprou uma moto e abandonou a companheira de duas rodas e, somente em 2019, comprou novamente uma bicicleta e voltou a pedalar. Agora, já tem até local de preferência: é nas estradas de chão que mais gosta de estar. “O interior de Igrejinha e Três Coroas tem lugares muito bacanas para se conhecer e para andar de bike”, indica. Ele completa dizendo que a maioria dos ciclistas que conhece tem um grande respeito ao meio ambiente, algo que sempre impactou em seus amigos que eram ciclistas e que sempre chamou sua atenção. “Pra mim, ser ciclista te coloca em contato com a natureza, fortalece amizades, te conduz para uma vida mais saudável e uma consciência ecológica maior”, declara. Ele percebe o aumento de pessoas aderindo às bicicletas e acredita que a pandemia antecipou na região algo que já vinha acontecendo em diversos lugares do mundo, estimulando o uso de meios de transportes mais sustentáveis e evidenciando a importância de praticar esportes. “Eu acho que acelerou pra nós e, por isso, vemos o crescimento. Eu tenho convicção de que é mais do que uma tendência, é um estilo de vida que chegou para ficar”, declara.

Parceria em família para desbravar as estradas
“A bicicleta é quase uma extensão do corpo, um estilo de vida”, declara o fisioterapeuta Charles Kinast. Ele pedala desde criança, chegando a competir entre 2010/2014 em várias modalidades de bicicleta, ciclismo de estrada e Mountain Bike. “Esse momento me fez conhecer muitas pessoas legais que contribuíram com o meu crescimento. Devido a faculdade, tive que abandonar as corridas e ficar somente com a parte recreativa da bicicleta. Hoje a bike representa as amizades, a família que também está inserida nessa ‘vibe’, minha esposa Ana Cristina curte muito e pedala também, sempre com a Clara, nossa filha de 6 anos”, comemora a vivência e a integração familiar com o esporte que tanto ama.

*Fotos de arquivo pessoal dos entrevistados.

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