Ao pé do ouvido

No canto da sala da minha infância tinha um rádio enorme que nos acompanhou por muitos anos, trazendo informação, música e entretenimento, principalmente no formato de radionovelas. Eu nem era alfabetizada direito e já tinha o rádio como um companheiro, um referencial de comunicação, veículo onde eu viria trabalhar anos mais tarde, como jornalista.

Até hoje considero o rádio o melhor meio de comunicação por atingir os locais mais distantes do planeta, sem risco de cair a conexão. Sempre haverá uma estação sintonizada levando informação e música para qualquer canto do mundo e a um custo baixíssimo.

Pois nesta semana, uma rádio de uma cidade do interior do nordeste colocou à disposição dos professores espaço gratuito para dicas e orientações aos estudantes que estão em casa e não têm acesso à internet. Nem preciso dizer que foi um sucesso e uma coisa fantástica ver aquelas crianças sintonizadas esperando ouvir a voz dos professores pelo rádio.

Como num passe de mágica, este veículo volta (sem nunca ter deixado de fazê-lo) a cumprir seu papel como o mais importante meio de comunicação que existe – no meu entendimento – justamente por isso. Só o rádio consegue essa façanha, bastando apenas um pequeno aparelho para chegar a todos os lares, mesmo sem luz elétrica. Uma ou duas pilhas e lá está o radinho fazendo companhia até para o mais solitário cidadão, no meio do mato.

Quem diria que, com tantas opções tecnológicas, justamente o rádio ressuscitaria para servir à educação. Exemplo incrível que poderia ser explorado melhor para solucionar uma das grandes lacunas deste país que é a falta de acesso à internet, ainda, por milhões de pessoas, mesmo que alguns não acreditem nisso.

Podcasts, celulares de última geração, lives, aulas on-line não estão disponíveis para todos, neste imenso e desigual país chamado Brasil. Mas o rádio sempre estará lá em algum canto da casa, por mais simples que ela seja, ou mesmo que nem casa haja. Podem apostar! Sempre haverá um radinho, também, junto do mais humilde morador de rua.

Os professores, motivados por essa iniciativa comunitária, também festejaram e se libertaram do fardo que é a obrigatoriedade de repassar ensinamentos a distância, muitas vezes com menos recursos até do que alguns alunos, em cidades sem a menor infraestrutura, para enfrentar esta nova realidade a que todos estão tendo que se adaptar.

Bendito rádio, que ressurge como alternativa barata e maravilhosa para informar e educar, entreter e salvar a vida de muita gente que não vê luz no fim do túnel, mas pode imaginar novas possibilidades pelas ondas que chegam e pela voz que ilumina mentes e acalenta corações.

Sim, porque quem ouve rádio sabe do poder que esse veículo exerce na nossa imaginação. Seja pela música, pelas informações ou pela voz do locutor a dizer que está ali, falando só para você aquele “Bom Dia, ouvinte”, que pode mudar a sua vida e a de milhões de pessoas.

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