Sobre Marília, César, café e gentilezas

Marília Dal Castel é uma rolantense, como eu, e advogada atuante. Partiu subitamente semana passada, pegando muito amigos e familiares de surpresa. Particularmente, eu não tinha muito contato com a Marília, salvo raras vezes em que nos falamos por motivos profissionais. Entretanto, era uma pessoa que passava uma energia boa, de grande empatia. Essas características se confirmaram nas declarações que li em postagens de entidades como a Associação Comercial de Rolante (ACISA) e Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de Rolante (APNER), das quais Marília era integrante atuante. Era uma pessoa engajada.

Quero também falar do taxista César, de quem sequer sei o sobrenome, e que por um bom tempo quebrou o galho de minha família, levando a Gabi e Henrique para compromissos, quando o carro estava comigo, ou então me salvando quando o nosso veículo nos deixava na mão. O César também partiu precocemente, alguns meses atrás. Mas até hoje lembro do César indo encontrar a Gabi no mercado, ajudando a carregar sacolas, dentre outras gentilezas. A relação de amizade era muito bacana, tanto que brincávamos com o César, antes do meu filho Henrique nascer, que caso eu não chegasse em tempo num eventual trabalho de parto da Gabriela, ele seria o transporte até a maternidade.

Em comum entre a Marília e o César, salvo a infeliz coincidência de terem nos deixado precocemente, estão as características de serem pessoas generosas, preocupadas em ajudar o próximo, que faziam o trabalho com a maior dedicação possível, talvez porque amassem o seu ofício. Marília e César não eram atores ou personalidades famosas, tampouco figuras onipresentes em redes sociais: eram pessoas simples que, com gestos corriqueiros, se tornaram importantes e lembrados por muitas pessoas. Marília e César eram, sobretudo, gentis.

Em tempos de isolamento forçado por conta da pandemia de COVID-19, muitos de nós encontram tempo para reavaliar certos atos, certas manias, o nosso espírito de pressa e de querer agradar a todos e fazer tudo. No meio de tanta notícia ruim, de Fake News, acontecem gestos tão nobres que acalentam a alma e provam que, sim, existem pessoas excelentes e inspiradoras em nossas vidas.

As gentilezas podem acontecer em casa, começando com um “bom dia”, quem sabe uma torrada (pode ser apenas presunto e queijo) para o filho (que acha o melhor café da manhã). Eu valorizo muito os pequenos gestos, porque normalmente eles vêm de grandes amigos ou familiares.

Cito o exemplo do meu “brother” que esteve na Capital e, ao passar no Mercado Público, lembrou-se de adquirir, no Café do Mercado, a “iguaria” que tanto nos aquece (no inverno) ou relaxa (no verão). Para quem não conhece o Café do Mercado, recomendo, preço acessível e sabor e aroma dos cafés inigualáveis.

Ou então uma família de amigos muito querida que, ao preparar deliciosas geleias de bergamota e de framboesa, brindou a família “formigona” com uma provinha do preparado. Se tivesse vindo um pão junto, aí seria pacote completo, porque teria a combinação do café, geleia e pão. Fica a dica, não estamos sugerindo nada…

Se não veio pão, a cunhada deixou um pequeno (nem tanto) pedaço de torta, com a “cara de pau” de dizer que não estava no melhor padrão de qualidade. Espero que ela leia essa coluna e convoco-a a continuar testando o padrão de qualidade, pois minha família aceita a tarefa de cobaia.

Café, geleia, pedaço de bolo. Parecem só guloseimas, mas na verdade são gestos de carinho. De fato, tirando o café, a geleia e o bolo são doces, mas esse “trio” deixa a vida mais doce e a alma mais leve. São gestos de carinho, pelo simples fato de que, num momento aparentemente banal, fomos lembrados. Isso é família, é afeto, é amizade, é esperança, é um pedacinho de felicidade. Essas pequenas gentilezas são abraços disfarçados e uma mensagem oculta, como “Ei, você é importante para mim”.

Cada um de nós sabe o que nos faz feliz e quem importa em nossas vidas. Eu compartilho esses pequenos momentos porque tenho certeza que assim acontece com meus queridos leitores. E é essa sinergia que desejo nesses momentos tão incertos. Que as nossas angústias atuais possam ser superadas, até a volta à normalidade, com esperança, com afeto (mesmo que a distância), com pensamento positivo, mas sobretudo, amor. E claro, se tiver um café, uma geleia e bolo, a vida fica mais doce. Ia falar do pão, novamente, mas esse vai ficar para uma futura coluna… Um gentil abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s