Chico Paz celebra dez anos do álbum “Figurinhas” em lançamento de EP com novas versões

Há 10 anos atrás, Chico Paz lançava o seu primeiro álbum autoral, “Figurinhas”. Uma década depois, o cantor e compositor se prepara para revisitar lugares, pessoas e momentos que marcaram essa etapa de sua carreira. Uma das ações que vão marcar a data é o lançamento do EP “Figurinhas – 10 anos”, na próxima sexta-feira, 10. Na produção, três canções ganham uma versão inédita, com a voz de Chico que chega acompanhada do som do piano, tocado por seu irmão Álvaro Paz. Uma nova roupagem para levar nostalgia a quem curtiu o álbum no passado e despertar bons sentimentos para quem for conhecer agora ou ouvir as novas propostas.

Assim como no primeiro álbum autoral de Chico, “Explica” é a faixa número um do EP. “Uma canção que marcou esse meu início e que tocou muito na época. Já a “Deja Vú“, que também foi regravada, foi uma música que abriu caminho para quem sou hoje. É uma canção diferente porque eu quis compôr ela, ela foi planejada”, resume. A terceira música que ganha nova roupagem é “Minha Paz“, composta em homenagem a avó do cantor. Além do EP, também será lançado um vídeo de “Explica“, gravado em um ambiente minimalista e orgânico, que estará disponível pelo Spotify e nas plataformas digitais do músico. Um grande show, relembrando momentos e parcerias de 10 anos de estrada chega para completar o combo. “Vamos ter a participação de pessoas que contribuíram com o meu trabalho. É um momento de olhar para trás, relembrar e agradecer”, finaliza Chico. O músico adianta que está trabalhando em um disco de inéditas, que deve ser lançado no segundo semestre deste ano.

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Chico Paz celebra 10 anos do “Figurinhas” e prepara álbum novo de inéditas. Foto: Diogo Ramos

 

Confira entrevista exclusiva do Drops do Cotidiano com o músico Chico Paz:

Drops do Cotidiano: Qual a importância de “Figurinhas” na tua trajetória?
Chico Paz: Foi o disco que abriu as portas. Eu era um guri cara de pau a fim de fazer as coisas e ver no que ia dar. Foi a primeira cartada pra valer. Eu já trabalhava com música, mas isso foi dizer pra mim mesmo que não era uma brincadeira, que queria fazer da forma mais séria e intensa possível. Eu abri meu coração, mostrei o que sentia e pensava nas músicas, pois o disco tem canções que falam da minha infância e do momento que eu estava vivendo. Ao mesmo tempo em que é colocar pra fora muito do que eu sentia, era abrir o meu trabalho como compositor.

D: Por que gravar um EP com três canções em novo formato?
C: Primeiro porque quero relembrar um pouco dessas histórias, dessas canções e dessa época. Além disso, o “Figurinhas” não está disponível nas plataformas digitais de streaming e não teria como lançar ele completo. O sistema de consumir e ouvir música mudou bastante nesta última década. Quando o álbum foi lançado, as pessoas ainda compravam CDs. Achei legal unir essa necessidade e poder oferecer um material também nas plataformas e, junto a isso, relembrar esses 10 anos.

D: O que significa, pra ti, o duo com teu irmão?
C: É poder marcar a presença do meu irmão no meu trabalho atual. É fazer essa conexão com o Chico compositor, de 10 anos atrás, com esse de agora. Meu irmão está totalmente inserido no meu trabalho, ele é o pianista que toca comigo e é meu produtor musical. Ele traz uma competência musical muito grande, toca muito bem e traz ideias boas. Alvinho me acrescenta muito, não só no sentimento, mas musicalmente… Ele é meu irmão, não tem coisa melhor que tocar com ele! É muito bacana e quanto mais eu tiver perto dele, melhor!

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Álvaro, irmão de Chico, é o pianista e produtor musical de Chico Paz. Foto: Diego Scheid

D: E este show especial, o que o público pode esperar?
C: Vai ser algo muito legal! A ideia é contar um pouco dessas histórias, do lançamento do “Figurinhas” e do que aconteceu nesses 10 anos. A gente quer reunir e convidar várias pessoas que fizeram parte neste tempo. Serão shows especiais, não só eles cantando minhas músicas, mas também dobradinhas com eles apresentando o seu trabalho. Iríamos iniciar esse projeto em março, já tínhamos apresentações agendadas, mas tivemos que transferir, ainda sem nova data. Serão vários, em cidades diferentes onde já toquei e com pessoas que foram importantes nesse tempo. Um momento bem comemorativo para relembrar e preparar o lançamento do disco novo.

D: Já pode adiantar quem participará contigo nestes show?
C: Agora tudo está no campo das ideias, pois não sabemos como vai ficar em função dessa situação que estamos vivendo no mundo. Mas esse primeiro seria com o Jéf e Miguel Ev, pois fazemos parte um da vida do outro. Um cara que quero muito tocar junto é o Rafael Malenotti, que participou do disco anterior, assim como quero muito fazer um show com o Luciano Leães, que participou dos três trabalhos. O Giacomo e o Elder Velasques abriram o show de lançamento do “Figurinhas” em 2009, com uma banda que tinham na época e em todo esse tempo acompanhamos o trabalho. O Lázaro Rodinelli, que gravou o CD comigo mas com quem nunca mais toquei. O Álvaro Vicente com quem sempre faço parcerias. Quero poder voltar às cidades onde toquei e reunir pessoas com quem estive. O plano é misturar com músicos, produtores, bares, cidades…

D: O que tu diria para o Chico se pudesse voltar 10 anos atrás?
C: Ah, é tanta coisa! (risos) A primeira é ‘tenha paciência, respira fundo e tenha foco’. Acho que foi o que mais aprendi. Há 10 anos atrás eu tinha vontade de fazer muitas coisas, ainda tenho, mas eu achava que conseguiria abraçar muitos projetos. Eu daria a dica de trabalhar mais focado. Fazer vários trabalhos nos dá experiência e é ótimo. Mas quando a gente fala em construção de uma carreira, é importante mirar numa coisa e ir adiante. Diria também um ‘aproveita mais’. Aconteceu muita coisa legal e, às vezes, a gente só percebe depois que passou. Mas eu acho que deu tudo certo!

D: Como tu avalias o músico Chico Paz que lançou “Figurinhas” e este de 2020?
C: Bah, essa é difícil responder. Acho que a grande diferença é que o Chico de 2020 é mais calmo e atento aos detalhes, mais certo do que quer fazer, do que realmente gosta. O Chico do “Figurinhas” era o cara cheio de vontades, que achava que conseguia fazer tudo ao mesmo tempo, meio doido… Agora eu me considero muito mais compositor, sou mais confiante nas minhas músicas. Esse é um dos motivos que me deixa louco pra lançar meu novo disco de inéditas. Eu tenho muita coisa pra falar, as músicas estão muito melhores, com muitas ideias e sentimentos. Aquele Chico era experimental, dava cabeçada. Agora já passei por muita coisa. Nesse processo todo me encontrei como compositor. Amo fazer show, estar no palco é mágico, mas descobri que eu amo mais com as minhas músicas. Esse EP serve um pouco como ponto final deste ciclo, um ‘vim até aqui e agora é um Chico novo’.

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Capa do álbum de estreia, lançado em 2009

Sobre Chico Paz

O cantor, compositor e músico Chico Paz é conhecido no meio artístico por já ter trabalhado com artistas e bandas do rock gaúcho. Sua história com a música porém, começou cedo. Chico é o segundo irmão de uma família que não tinha nenhum músico profissional, mas que convivia com a música como se ela fosse um de seus integrantes. Quando menino, já revelava nas brincadeiras de infância a vocação para viver entre estúdios e palcos. Enquanto os outros jogavam bola, com cabos de vassoura no lugar da guitarra e um microfone improvisado, ele imaginava uma plateia lotada e empolgada no show de sua banda. Aos 7 anos, começou a frequentar aulas de violão e nunca mais parou de tocar. Flertou com o punk rock na adolescência e chegou a ter duas bandas: Bernadetes e Policarpo.

Foi quando se arriscou na carreira solo, que encontrou seu estilo. Foi com o seu primeiro disco, “Figurinhas”, que deu início a sua carreira como compositor. Foi nessa época que começou a estudar e dar aulas de música. O segundo trabalho independente, o  EP-Singles, foi lançado em 2015 e em 2016 ele lançou o disco Caminho. Em composições próprias que mostram o amadurecimento de sua carreira e seu pensamento, sem deixar de lado a sua essência, Chico traz uma explosão de emoções em cada interpretação sem perder a o sentimento e a suavidade de sua voz.

Um comentário

  1. Que bom ler essa materia e recordar de encontros com as amigas nos lugares onde o Chico tocava. Eu tenho este CD guardado aqui em casa junto com uma palheta que o próprio Chico me deu num dia muito especial onde passei o cargo de secretária do LEO Clube de Igrejinha para uma grande amiga. Enfim este CD me trás boas recordações.

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