Feevale é a primeira universidade do Brasil a desenvolver veículo elétrico híbrido para área rural

A autonomia energética de propriedades distantes de centros urbanos, como grandes fazendas, é a preocupação de um projeto desenvolvido na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo. Em parceria com a empresa gaúcha Agrovec, o grupo de pesquisa Energias Renováveis e Eficiência Energética, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais, realiza a pesquisa Desenvolvimento de um veículo elétrico híbrido – solar e biomassa. Coordenado pelo pesquisador Moisés de Mattos Dias, o estudo visa desenvolver uma carreta agrícola híbrida: o veículo, anteriormente movido a gasolina, passará a contar com um motor elétrico, um módulo solar flexível e um gerador a biocombustível.

Após ser fabricado na Agrovec – empresa localizada no bairro Canudos –, e passar por adaptações da estrutura mecânica para acoplamento do motor elétrico, o veículo passará por outras modificações, como a instalação de um módulo solar flexível no teto, bem como a instalação de um gerador a biocombustível (biometano e biodiesel). No Laboratório de Energias Renováveis, localizado no prédio Verde, e na Oficina Tecnológica, ambos no Câmpus II, em Novo Hamburgo, uma equipe multidisciplinar e formada por acadêmicos da Feevale, vem trabalhando no desenvolvimento do motor elétrico do veículo, bem como toda a sua parte elétrica-eletrônica, como o desenvolvimento de conversores e inversores, carregadores de baterias, e um controle a partir de microprocessadores. A ideia é que, em maio, essa etapa seja concluída e o carro possa retornar à Agrovec para as montagens finais.

carro hibrido feevale 2
Acadêmicos da Feevale vem trabalhando no desenvolvimento do motor elétrico do protótipo

Baterias que podem ser alimentadas de três formas

O motor padrão, movido a gasolina, está sendo substituído por um Motor Elétrico Síncrono de 9kW. O motor elétrico será alimentado por um conjunto de baterias, que poderão ser carregadas a partir das seguintes formas:

  •  Por meio de energia fotovoltaica, fazendo uso de uma película solar flexível de 100W fixada no topo do veículo;
  • Pelo gerador a combustão de 5kW acoplado na traseira do veículo. O gerador foi modificado para trabalhar com fontes renováveis, como biometano e biodiesel, por convencionalmente funcionar, apenas, com diesel comum;
  • Este conjunto também poderá ser carregado, alternativamente, pela rede elétrica, por meio de uma tomada convencional.

O gerenciamento das baterias, assim como o controle do fornecimento de energia para o motor elétrico é realizado por microprocessadores e meios eletrônicos concebidos dentro dos laboratórios da Engenharia Eletrônica, no Câmpus II da Feevale. Outra contribuição interdisciplinar ao projeto se deu por meio da professora Patrice Monteiro de Aquim, que auxiliou na concepção de um revestimento de material reciclável para o banco.

carro hibrido feevale
Além do motor, os acadêmicos também trabalham a parte elétrica-eletrônica do protótipo

Novo protótipo já está nos planos

A previsão é que a tecnologia possa ser aplicada comercialmente a partir de 2022. “Este protótipo ainda não poderá ser comercializado, pois servirá para estudo dos mais diversos, referentes ao desenvolvimento de veículos elétricos híbridos aplicados para a área agrícola”, explica Dias. Assim, existe a previsão do desenvolvimento de um segundo protótipo a partir de 2021, sendo que, neste outro veículo, serão realizadas as modificações necessárias para o desenvolvimento de um protótipo definitivo, ou seja, comercial.

Veículo-Híbrido
Existe a previsão do desenvolvimento de um segundo protótipo a partir de 2021

De acordo com o pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão da Feevale, João Sganderla Figueiredo, a pesquisa liderada pelo professor Dias transmite mais que descoberta acadêmica cientifica. “Ela é fonte inspiradora de transformação de um novo ciclo econômico que devemos pensar. Sustentar a dinâmica do capital, com responsabilidade socioambiental. Sobretudo, novamente, vale destacar que, quando o setor privado acredita e potencializa os projetos de pesquisa, os problemas e suas descobertas se tornam cada vez mais reais”, afirma.

O projeto tem parceria com a Agrovec Indústria de Equipamentos LTDA, JSA Engenharia LTDA e Universidade Luterana do Brasil (Ulbra).

*fotos: Divulgação/Feevale

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