Dia de eleição

O dia da eleição chegara. Pedro está apreensivo, afinal de contas, era sua gestão que seria avaliada, para o bem ou para o mal, na fatídica mas necessária eleição agendada para aquele dia.

Pedro sabia de suas limitações. E reconhecia que fora um gestor mais preocupado em manter as contas em dia do que realizar grandes obras. Era seu jeito de tocar as coisas, trouxe isso de sua vida profissional. Tentou organizar a parte administrativa, otimizar e simplificar processos, mas encontrou uma oposição bem articulada, o que lhe deu trabalho extra.

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O assessor das “finanças”, Flávio, era o candidato da situação, e aparentemente seguiria a mesma linha de Pedro, sem grandes novidades ou promessas. O fato de não ter realizado obras e investimentos de maior vulto permitiu que na gestão de Pedro as despesas ficassem controladas, mas as receitas também permaneceram equalizadas, com reservas pequenas.

A oposição, como dito anteriormente, articulara-se para apresentar um nome à sucessão de Pedro, e Maria Cristina foi o nome escolhido. De temperamento forte, com opiniões polêmicas e sem papas na língua, Maria Cristina é o que se poderia chamar de candidata “popular”. Era adepta do “tapinha nas costas” e de atirar para todos os lados, contrastando com Pedro, extremamente reservado e cuidadoso com as palavras. A reserva de Pedro fazia com que ele fosse muito direto em suas conversas, ao contrário de Maria Cristina, que conseguia fazer com que assuntos pequenos se tornassem grandes e às vezes intermináveis discussões.

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Nos dias anteriores à eleição, Pedro não participou ativamente da campanha de Flávio, o que gerou um certo mal-estar entre os dois, mas nada que abalasse a relação respeitosa. No fundo, Flávio não queria ser candidato, mas o “dever’ falou mais alto, pois sentiu-se comprometido a defender a gestão da qual fazia parte.

Quanto a oposição, essa foi atuante, com reuniões e presença em grupos de WhatsApp. Ah, e como funcionou o aplicativo… Com debates interessantes mas também muita “perfumaria’ e intrigas, o conteúdo das conversas da oposição renderia uma novela com muitos capítulos e reviravoltas!

Era dia de eleição no Condomínio Brasília! Estava em jogo o cargo de síndico, com duas chapas inscritas. Qualquer semelhança dos fatos com outros ocorridos em Brasília, capital federal, seria mera coincidência? Naquele momento, apenas uma coisa era certa: polêmicas e embates à parte, muita coisa ainda iria acontecer no Condomínio Brasília…

Mas valeria a posição da maioria, fazendo valer o princípio máximo da democracia: a participação. A democracia tem suas falhas mas também suas virtudes. Talvez seja por isso Winston Churchill, famoso líder do Reino Unido, tenha afirmado: “Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”.

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Um comentário

  1. É isso. Fazer política é uma arte, muito mais do que uma ciência. Diria que é arte cênica. Vence aquele que vender a melhor imagem, o futuro mais promissor e quase sempre, aquele que não faz planejamento orçamentário.
    A maioria quer eleger SEU candidato.
    A eleição termina como decisão de maioria coletiva, mas no fundo , é um caso de inúmeros interesses pessoais. Abraço, amigo.

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