Que tipo de relações queremos?

Você já parou para pensar em como a qualidade das relações que temos dentro de casa também influenciam nas relações que temos fora? É incrível perceber que quando temos relacionamentos saudáveis com quem mora com a gente, os relacionamentos no trabalho ou em qualquer outro lugar fluem mais positivamente.

E você já percebeu como nos comunicamos de maneira violenta? Quando pensamos em violência vem à mente agressões físicas, porque essas são as que mais aparecem, mas existe uma violência silenciosa, pouco percebida, que vem das nossas palavras. A nossa comunicação tradicional é baseada em poder e dominação, uma educação julgadora, entre certo errado, castigo e recompensa, culpa, vergonha, medo, punição e obediência. Onde quanto melhor desempenhamos as tarefas, melhor somos vistos e amados, onde deixamos de conectar com as nossas necessidades reais e mais profundas e também com as necessidades da outra pessoa.

Já a comunicação e educação que levam em conta os princípios da Comunicação Não Violenta e da Disciplina Positiva são baseadas na cooperação, no compartilhar, onde todos tem igual valor, independente dos papéis que ocupem, sem superioridade. Esse relacionamento em que se reconhece o valor e as necessidades de cada um, em que se acolhe e integra sensações, sentimentos e emoções, é baseada no ser, e não no fazer, onde somos aceitos pelo que somos e não pelo que fazemos, isso traz conexão com o nosso interior.

comunicação não violenta

A Comunicação Não Violenta é uma filosofia de vida, desenvolvida por Marshal Rosemberg, que nos dá ferramentas para que possamos entender nossas necessidades e comunicar isso para o outro – e para nós mesmos – da maneira mais respeitosa possível. O autor propõe quatro passos para colocarmos em prática nos nossos relacionamentos:

  1. Observar: olhar de fora da situação, como se não fosse um participante do ocorrido e observar o que realmente aconteceu. O que eu presenciei? Sem trazer pro racional, sem julgar, sem interpretar os fatos.
  2. Perceber sentimentos: entender quais sentimentos, sensações corporais, emoções que aquela situação gerou em mim ou gera todos os dias: conforto, desconforto, bem estar, mal estar, tristeza, raiva, alegria, contentamento…
  3. Identificar as necessidades: quais necessidades minhas não atendidas geram esses sentimentos e me levam a agir de determinada maneira.
  4. Fazer um pedido: depois de observar o acontecido, perceber a sensação ou sentimento despertado e identificar a necessidade por trás disso, então é necessário formular um pedido para atender a essa necessidade. Um pedido, não uma exigência, isso muda de acordo com nosso tom de voz e com a forma como expomos a situação, e faz toda a diferença na hora de sermos atendidos ou não.

Isso nos dá poder sobre os nossos próprios sentimentos. Quando não conectamos com as nossas necessidades culpamos o outro sobre nossos sentimentos, damos poder ao outro sobre o que sentimos e o que queremos. Quando identificamos a necessidade por trás daquela emoção, nos empoderamos dos nossos sentimentos.

relacoes positivas

Podemos ir ainda mais além, quando conseguimos entrar em empatia com uma pessoa, mesmo que ela esteja sendo ríspida conosco, podemos buscar compreender qual a necessidade dela que não está sendo atendida e que está gerando aquele comportamento indesejado, mas que a pessoa não consegue expressar de outra forma, principalmente as crianças.

Diz Marshal que por trás de toda ação existe uma necessidade não atendida. Mas escutar a necessidade por trás do que o outro diz ou faz só é possível quando a gente consegue escutar a nós mesmos primeiro.

Vamos a um exemplo: quando uma mãe diz “seu relaxado, bagunceiro, você me deixa com muita raiva quando deixa suas meias jogadas pela sala”. Nesta frase existe julgamento, rótulo. O filho parece responsável pelos sentimentos da mãe e não existe um pedido claro para mudar a situação, o que existe é desconexão e nenhuma chance de ele recolher as meias.

Em uma situação usando a comunicação não violenta a mãe poderia dizer: “quando eu vejo suas meias jogadas na sala, eu sinto raiva, porque tenho a necessidade de organização. Você pode coloca-las no lugar correto?”. Aqui a mãe observa a situação, sem julgar ou rotular o filho, tem a responsabilidade pelos próprios sentimentos e faz um pedido claro, tendo mais chances de ser atendida e ainda cria conexão, quando olha nos olhos para falar.

mae-filha-maternidade

A Comunicação Não Violenta e a Disciplina Positiva nos dão a alternativa de sermos firmes e gentis ao mesmo tempo, darmos limites de maneira respeitosa, sem cair no autoritarismo e na permissividade. Esses quatro passos podem ser usados em qualquer lugar onde nos relacionamos com outras pessoas, em casa, no trabalho, na faculdade, com os amigos. E nos dão a tranquilidade de levarmos em conta as nossas necessidades e comunicar nossos pedidos sem agredir ninguém.

Qualquer dúvida me escreva, vou adorar poder te ajudar nas suas comunicações.

Um forte abraço virtual, Silvana.

 

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