Que elegância!

O conceito de beleza e elegância transformou-se para Costanza Pascolato. Aos 80 anos de vida e sabedoria acumuladas, fala que elegante é ter empatia e algumas regras básicas de bem viver, como respeitar o espaço do outro aplicando apenas bom senso e um pouquinho de educação. Como antigamente, só que a maioria não sabe mais o que é isso.

Com tanta futilidade e consumismo por aí, uma pessoa vinculada ao mundo fashion desde a juventude aprendeu a viver melhor, meditando e abrindo mão da ostentação, sem deixar a verdadeira elegância de lado, manifestada nas coisas simples da vida. Ciente de que a beleza e juventude são efêmeras, Constanza segue em busca do equilíbrio e da harmonia com o tempo que lhe resta.

Assim como ela, outras duas grandes artistas brasileiras roubaram a cena do Rock in Rio neste domingo, dia 29 de setembro, ostentando inteligência e humildade, em meio aos astros da música mundial. Entre eles, os que querem brilhar sozinhos e não conseguem compartilhar o sucesso nem com os fãs, numa demonstração de esnobismo e arrogância, estranhos aos roqueiros de carteirinha, mas isso já é outra história.

Elza-Soares-Divulgacao-I-Hate-Flash
Elza Soares no Rock In Rio. Foto: Divulgacao I Hate Flash

Os holofotes focaram em Elza Soares que, aos 82 anos, e com limitações físicas, manteve-se engajada e coerente com o discurso que sempre pregou, reforçando a cada momento a necessidade de “não sucumbir”. Encorajou o empoderamento das mulheres e mandou seu recado aos machistas e também aos políticos do Brasil, sem meias palavras, com a voz bastante prejudicada, mas em alto e bom som.

Mais tarde, foi a vez da cantora Alcione mostrar o poder do samba brasileiro, emocionando fãs na companhia de Iza, outra mulher revelação no festival. Um mar de gente para curtir os jovens astros e bandas do rock, mas reverenciando mulheres que são ícones da música brasileira, independentemente da idade ou apesar dela.

Alcione e Iza
Iza reverencia Alcione durante show. Foto: O Globo

Essas octogenárias e septuagenárias, por chegarem até aqui,  podem se orgulhar de terem construído carreiras fantásticas e, acima de tudo, de seguirem e se manterem dignamente no caminho da evolução como ser humano, ensinando com sabedoria que a vida é muito mais do que ostentação e fama, sucesso e ganância, atributos que se evaporam com o tempo. Ainda que bem-sucedidas, merecidamente, sabem que o legado que deixam é bem maior do que vestir a roupa da moda, ouvir música de gosto duvidoso ou postar selfie impecavelmente linda, e falsa, nas redes sociais.

Sem máscaras, deram um show e uma aula de como envelhecer sem descer do salto e do palco. Assim como Costanza, revelaram a beleza da maturidade, sem esquecer a vaidade, é claro, mas cientes do seu papel e da sua missão nessa existência, ainda que o corpo quase já não consiga mais carregar a grandeza dessas almas.

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