Verdades e inverdades da paternidade

Quem lê meu perfil no Drops do Cotidiano vai perceber, logo de cara, a minha relação com meu filho Henrique, que recentemente completou 7 meses. Desejado por mim e pela esposa Gabriela, os amigos e familiares mais próximos acompanharam ansiosos, tal qual o pai e a mãe de primeira viagem, a chegada do pequeno. Então, na manhã de 22 de fevereiro de 2019, esse alemão chegou para explorar e aprender nesse mundão.

Henrique herdou o nome de meu avô paterno, uma pessoa trabalhadora, de grande coração e dono de uma paciência invejável. Leitor assíduo que sou, pesquisei, li, procurei referências, “tentando” me preparar para a paternidade iminente.

A primeira grande verdade que descobri é da força mágica que as futuras mamães têm em seu interior. Por mais que eu me dedique e participe, não há comparação quanto a destreza e capacidade de Gabriela em dedicar-se aos cuidados com o pequeno. Os gestos de carinho entre mãe e filho, o colo que acalma, o abraço que conforta… Mulheres que são mamães, apenas três palavras: vocês são demais!

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Outra verdade: dá um pouco de ciúme dessa relação. E muitos questionamentos, do tipo “puxa vida, por que esse pequeno só chora comigo, e não com a mãe?” ou “será que dou conta de cuidar do bebê durante a ida da mãe à manicure”? Essas dúvidas simples se dissiparam com o passar do tempo. A afinidade aflora com o convívio, e pai e mãe, caso se dediquem, vivem toda a essência de ter filhos.

Me diziam que eu jamais iria voltar a dormir da mesma forma. Meia-verdade. É certo que durmo bem menos, mas tudo é adaptável, tenham certeza. Henrique tem horários muito regulares, bastou nos adaptarmos a algumas novas rotinas.

Quando disserem que as mães são protetoras, acreditem! Os pais também são, mas também são capazes de contagiar os pequenos com novas brincadeiras, que deixam os cabelos das mamães em pé e os pimpolhos pedindo “bis”, mesmo que não falem ainda.

E quando me falavam do tempo? “Aproveitem, crianças crescem muito rápido”, foi o que mais ouvi e o que mais duvidei. E que frase verdadeira! Num piscar de olhos, Henrique já um bebê ativo, que interage e nos enche de alegria e expectativas. Ontem tive a oportunidade de assistir a uma palestra do professor Leandro Karnal, na FACCAT, onde ele falava sobre cinco atitudes transformadoras e uma delas tratava do tempo. Se formos avaliar, as coisas que acontecem na nossa vida, nossos atos, nossas decisões, direta ou indiretamente, estão relacionadas ao tempo. Costumamos dizer que trabalhamos para gerar renda que nos permitirão adquirir bens, viajar, pagar os estudos, quando na verdade o que estamos demandando é tempo: é dele que provém os recursos, é do tempo que dedicamos a algo que resultam as realizações de nossas vidas.

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E o tempo que tenho tido junto ao Henrique tem sido um tempo de aprendizado, tanto para mim quanto para ele. Engana-se quem imaginar que eu, por ser mais velho, o progenitor, tenho mais a ensinar do que aprender. É uma relação de troca mútua. Eu diria que estou reaprendendo muita coisa. Reaprendendo a brincar, a ser mais paciente, a dar tempo para as coisas acontecerem, reaprendendo a ser mais simples. De modo algum busco a perfeição, gosto de enfatizar isso, justamente porque estamos em constante evolução, em meu entendimento. Todos nós.

E assim, com as alegrias e medos que cercam a paternidade, fortaleço uma relação única, que certamente é parecida com a de outros pais. E nessa relação de pai e filho, vem uma aproximação muito mais intensa com a esposa (agora mamãe). Igualmente uma relação de troca.

Talvez a maior verdade de ser pai é que a vinda de um filho, como a chegada do Henrique, me mostra a importância das boas relações, seja com um filho, com a esposa ou com as pessoas de nosso convívio mais íntimo.

Sou um pai realizado (e em aprendizado). Henrique me trouxe mais responsabilidade, com toda a certeza, mas também mais alegria e visão de futuro. A vinda do Henrique me mostrou grandes amigos, que eu faço questão de estarem convivendo com meu pequeno.

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Com meu Henrique. Em aprendizado mútuo.

A grande verdade de tudo isso é que existe caminho para a felicidade. Esse caminho é feito pelas pessoas. Além dos relacionamentos permitirem esses “caminhos”, ainda temos o privilégio de contar com excelentes companhias nessa jornada. Não esquecendo de dar carona para as boas risadas, para os gestos de carinho e gratidão, e sobretudo, para o amor e para o aprendizado.

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