Escritor Doralino Souza lança novo livro: Dentes no Copo de Uísque & outros contos de crime

Jornalista, carpinteiro, especialista em churrasco, cantor de banheiro, jardineiro, crítico de Histórias em Quadrinhos, analista de séries e filmes, caçador de lobisomem e, por fim, escritor. Assim define-se Doralino Souza da Rosa, 49 anos, que lança na próxima semana o seu terceiro livro “Dentes no Copo de Uísque & outros contos de crime”.

Natural de São Francisco de Paula, ele conta que nasceu durante a única nevasca que se tem notícia no mês de novembro naquela cidade, e desembarcou de um trem imaginário em Igrejinha no início dos anos 1980. De lá pra cá saiu e retornou pra casinha algumas vezes e atualmente trabalha na Assembleia Legislativa em Porto Alegre, preside a Associação Litero Cultural Igrejinhense (ALICI) e o Conselho de Políticas Culturais de Igrejinha. Escreve e dialoga com seus personagens em noites de insônia, pra desespero da filha e da esposa.

Na próxima quinta-feira, dia 22, das 19h às 21h, no melhor clima de happy hour, ele lança no Sobrinhos Rock Bar, em Igrejinha, sua mais nova obra. Será a oportunidade para conversar com o autor, adquirir o seu livro e ganhar um autógrafo. Na semana seguinte, dia 29, terá lançamento na capital, no Armazém Poa. Para setembro, já estão na agenda encontros com leitores nas cidades de Taquara, Três Coroas e Ivoti, e em outubro, na Feira do Livro de Capão da Canoa.

Doralino também escreveu O cânion de Dentro (2016) e Anjos Também Usam Boné (2014), além de ter textos selecionados para publicação nas coletâneas: Assombros Juvenis (2014) Lavra Palavra (2015) Histórias do Trabalho (2015) Concurso Felipe’Oliveiro (2017) e Planeta Fantástico (2019). Ele ainda mantém, desde 2017, a coluna “Tempo Contado”, no Site Panorama, onde, quinzenalmente publica um conto.

Doralino - livro
Lançamento em Igrejinha acontece na próxima quinta-feira, 22. Fotos: Vanderlei Scherer

Confira a entrevista exclusiva do Drops do Cotidiano com Doralino:

Drops do Cotidiano: Como começou a tua história com a Literatura?
Doralino:
A literatura sempre esteve dentro de mim. Chamava. Esperneava. Acenava. Mas eu não a escutava. Na realidade não prestei atenção aos sinais. Durante a vida toda fui um leitor voraz, mas não me dei conta de que a maneira como enxergava o mundo tinha a ver com um desejo de escrita. Isso é algo que eu lamento. Deveria ter atendido a esse chamado há tempos, certamente a história hoje seria outra. Somente há uns 10 anos comecei a escrever contos e poesias durante minhas noites de insônia. Apenas escrevia, sem intenção de publicá-las, era como fazer análise. Tenho centenas desses textos arquivados, alguns eu irei revisitar e serão publicados, alguns já publiquei, outros irão para o limbo dos textos renegados. Em 2013, inscrevi dois contos em dois concursos literários e, pra minha surpresa, saí vencedor em primeiro lugar nos dois concursos. No ano seguinte, juntei esses dois contos, mais alguns com a mesma temática e lancei o livro “Anjos Também Usam Boné”, uma coletânea de contos com personagens baseados no meu período de conselheiro tutelar de Igrejinha. Esse livro acabou sendo um dos três finalistas ao Prêmio Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores. Desde então, o fazer literário me acompanha diariamente.

Drops:  Qual teu estilo literário preferido?
Doralino:
Eu leio muito. E se eu gosto do que encontro, releio inúmeras vezes. Na minha estante tem a prateleiras das releituras. São livros que de alguma forma me tocaram. Escritores a quem recorro quando me saltam dúvidas sobre estrutura narrativa ou como apresentar determinada cena ou situação. Autores que não abusam da paciência do leitor com firulas retóricas que não levam a lugar algum. É esse o tipo de literatura que gosto e que procuro fazer, textos enxutos, sem nada sobrando, breves, silenciosos, mas com personagens donos de vozes humanas, densas e palpáveis. Que tenham ritmo narrativo e ótimas histórias para contar. Desses autores que releio, poderia citar Raymund Carver, Ernest Hemingway, Gabriel Garcia Marques, o uruguaio Mario Arregui, os mexicanos Guillermo Arriaga e Juan Rulfo, o italiano Alessandro Barrico, Charles Bukowski, Neil Gaiman, e os brasileiros Rubem Fonseca, Paulo Scott, Sergio Faraco (tenho todos os contos do Faraco e foram lidos inúmeras vezes), Daniel Galera, Caio Fernando Abreu, entre outros. Deu pra sacar que eu gosto dos contemporâneos, né? Mas eu também leio os medalhões como Clarisse, Lígia, Guimarães Rosa, Machado de Assis e os clássicos da literatura mundial, claro, como Kafka, Dostoiésvski, entre outros. Afinal, ninguém atravessa séculos se não for bom. Aprende-se muito com eles.

Drops: O que poderia nos dizer sobre a temática do livroDentes no Copo de Uísque & outros contos de crime”?
Doralino: 
Os contos falam de crimes e o livro se divide em duas partes. Na primeira parte, chamada “Solidão”, a ação acontece nas lonjuras dos rincões, nos pequenos vilarejos, fazendas em decadência, armazéns de beira de estradas. A segunda parte se chama “Desespero” e a ação acontece na cidade grande, nos presídios, nos condomínios, nas ruas escuras ou cheias de gente. Entre a solidão dantesca e o desespero arrebatador irão insurgir os monstros que habitam os mais profundos lugares da alma humana, esse é o ponto central do livro, não apenas a violência. Todos os textos refletem um recorte da vida das personagens, um ápice de carga emocional que culminou naquele instante, naquele recorte. O leitor vai poder analisar e dar o veredicto sobre determinado personagem e seu crime. O leitor será o único júri e juiz.

Drops: Como foi o processo para fazer o livro? Escreveste estes contos pensando especificamente no livro ou reuniu contos já prontos?
Doralino: 
Foram escritos especialmente para essa obra. Claro que o projeto, no início, era um pouco diferente. Originalmente seriam contos de crime e paixões. Mas no decorrer da escrita acabei optando apenas pelos contos de crime, deixando as narrativas sobre paixões para um livro somente com essa temática, que deverá sair no próximo ano. Mas não existe unidade entre os contos, apenas o tema “crime”, mas como já disse, essa não é questão central.

Drops: O que os leitores que já conhecem teu trabalho podem esperar deste livro? Quais as diferenças?
Doralino: 
Eu considero que esse é, até o momento, meu trabalho mais maduro, foi bastante planejado, escrito e rescrito diversas vezes. Mas quem lê meus textos, quem conhece minha escrita, irá encontrar todo meu universo ficcional nessa obra. Estão todos nesse livro, assim como estavam nos outros e certamente estarão em livros vindouros. Eu sou um ficcionista que lê as ruas, lê as pessoas nas filas de banco ou supermercado, nas praças, pontos de ônibus, rodoviárias ou estação de trens, nos hospitais ou delegacias, nos botecos ou igrejas.  São esses os personagens dos meus livros. Gente que podemos encontrar por aí, que num minuto sorri cheia de gentileza e no instante seguinte pode causar atrocidades. A mulher cansada de ser humilhada. O motorista estressado. O ladrão arrependido, mas sem perspectiva. Os corruptos. Os amantes. Os assassinos. Minha arte é inspirada na vida, com alguma liberdade poética pra se tornar suportável.

Drops: O livro já está à venda? Qual o valor?
Doralino:
A questão da distribuição é o grande gargalo no processo produtivo de um livro, também o que mais o encarece, ainda estou negociando com algumas distribuidoras. Por enquanto o livro pode ser comprado diretamente de mim, ou pela internet, através do meu Facebook,  sem custo adicional de frete e após o lançamento também estará no site da Amazon. O preço é R$ 25,00.

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