Pesquisadora taquarense tem descoberta inédita no RS publicada por revista internacional

A geóloga taquarense e aluna do Doutorado da Unisinos, Ilana Lehn, é uma das responsáveis pela pesquisa que encontrou microfósseis na Bacia de Camaquã que pertencem ao período Ediacarano. A descoberta desses micro-organismos formados por uma única célula foi destaque na revista Scientific Reports/Nature, divulgado recentemente. O feito, até então inédito no Rio Grande do Sul, foi desenvolvido por ela em parceria com os pesquisadores Rodrigo Horodyski e Paulo Sérgio Gomes Paim.

As mais de 20 lâminas para microscopia que preservam os resultados da pesquisa estão armazenadas no Museu de História Geológica do Rio Grande do Sul, na Unisinos. Definir os gêneros desses microfósseis e entrar no detalhe de espécie até o momento não foi possível. “Eles são identificados como acritarcas dos gêneros Leiosphaeridia, Tanarium, Lophosphaeridium e Germinosphaera. O único gênero ao qual conseguimos associar espécie foi para os Tanarium, interpretados como Tanarium irregulare, em função da morfologia da parede do organismo”, explicou Ilana.

Para o estudo, a geóloga percorreu o entorno de Caçapava do Sul em busca de amostras rochosas que pudessem conter formas de vida desse período. Ilana afirma que na região está localizada a Bacia do Camaquã, uma área que compreende rochas sedimentares do período Ediacarano. Essas rochas registram antigos ambientes com corpos d’água, como mares, lagos e rios, onde era possível a existência de organismos vivos.

Coletadas as amostras rochosas, foram empregadas técnicas de palinologia, para extração desses organismos de parede orgânica. Essa etapa foi desenvolvida no itt Fossil, na Unisinos. Uma vez preparadas as lâminas delgadas, elas foram analisadas em microscópios óptico e, uma vez identificada a presença de microfósseis, foram preparadas lâminas para análise em microscópio eletrônico de varredura. Dessas duas formas foram obtidas diferentes imagens dos micro-organismos e foi possível identificá-los e classificá-los.

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Segundo Ilana, essa descoberta tem um grande significado, uma vez que o mundo há muito discute a evolução e as primeiras formas de vida no planeta. “No Brasil, nos estados de Minas Gerais e Mato Grosso, assim como nos países vizinhos Argentina e Uruguai, existem estudos abordando a questão. Agora, com a descoberta realizada aqui, a Bacia do Camaquã passa a ser relacionada a diferentes localidades no mundo onde micro-organismos como estes já foram encontrados”, afirmou.

A geóloga destaca também a importância do estudo por confirmar a presença de vida no período Ediacarano não apenas em ambientes marinhos, mas também em lagos. “O indício certifica a ideia desenvolvida em outros países que sustentam a existência já naquele período de organismos vivos também fora do mar. O tema está ainda mais em foco devido à Astrobiologia, área de estudo que se utiliza do estudo das primeiras formas de vida na Terra em busca de indícios de vida em outros planetas”, finalizou.

 

* Com informações da Unisinos. Fotos: Rodrigo W. Blum

 

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