Eu não entendo e nem gosto de futebol. Sei o nome, talvez, de meia dúzia de jogadores. E só! Ainda assim, não resisti e comprei o álbum de figurinhas da Copa 2026. Já tenho várias para trocar, mas não recebi nenhuma com imagens do time brasileiro. Será uma premonição ruim?
Mas se vamos ou não ganhar a Copa também não me interessa muito. Até assisto aos jogos do Brasil para não me acusarem de não estar preocupada com a nossa seleção. E o pior é que não estou preocupada, mesmo! Claro que não custa nada torcer, porém é óbvio que há coisas mais urgentes e úteis para ocupar a mente e o corpo.
O álbum é apenas um passatempo nostálgico, dos tempos de criança, quando colecionávamos de tudo, incluindo chaveirinhos, papel de carta, selos, moedas e outras bobagens muito importantes, como tampinhas de garrafa.
Nada de novo para nós, alguns já avós, que agora juntam-se aos netos, filhos e sobrinhos para colar as figurinhas e, o melhor de tudo, sair de casa para se reunir, rir, brincar e fazer novas amizades, tendo o álbum como pretexto. Aliás, preciso me encontrar com essa galerinha para ver o que posso conseguir. Tenho até algumas figurinhas duplas adquiridas pelos rótulos de Coca Cola que eu comprei (porque roubar só o rótulo é muito feio, viu, gente?), embora nem goste muito de refrigerante.
Completar o álbum não vai ser fácil, nem barato. Talvez eu nem consiga preencher todas as páginas. Não importa. Vou comprando uns pacotinhos e colando, o que pode até ser bem chato, em alguns momentos, quando não se consegue descolar direito o papel siliconado e poluente que adere as figurinhas no seu respectivo espaço na página. Menos pior, talvez, do que quando tínhamos que passar cola de verdade que grudava nas mãos e nas roupas.
O fato é que o álbum da Copa está aí, arrecadando milhões e enchendo os bolsos dos idealizadores mundo afora. Assumo que estou contribuindo para isso, ainda que me divertindo ao mesmo tempo. Um passatempo lúdico e instrutivo para quem quer saber mais sobre futebol. Também não é meu caso, Mal sei o nome desses craques famosos, dos países e as cores de algumas bandeiras. No mais, só sei que é gol porque a bola bate na rede.
Mesmo assim, nada contra o esporte e nem com quem compra figurinhas. Ao colecionar, estamos todos no mesmo time, torcendo para preencher o álbum, trocando mais do que pedacinhos de papel. Cada encontro da gurizada, gera uma nova e antiga conexão para preencher o que está mais em falta do que a figurinha rara: a amizade, a solidariedade, a conversa presencial, o abraço e a torcida para um novo reencontro ao vivo, como aquela partida de ilustres craques anônimos que ocorre agora em algum campinho de futebol por aí, bem perto da sua casa.