De Rolante para os destaques em uma das maiores plataformas de venda de livros do mundo. A escritora rolantense Ana Elicker teve seu livro “FIOS” considerado um best-seller e o 1° entre os mais vendidos da plataforma Amazon em agosto.
São mais de duas décadas dedicadas à literatura e à educação e 18 livros publicados, além da participação e coordenação em diversas coletâneas. Para Ana, alcançar o topo entre os mais vendidos, na Amazon, e conquistar o status de best-seller representa muito mais do que um reconhecimento editorial. “É a síntese do meu trabalho, da minha trajetória construída ao longo de mais de duas décadas de dedicação à literatura, à escrita e à palavra. Não vejo esse reconhecimento apenas como um número ou como uma posição em um ranking. Vejo-o como a confirmação de que uma história, depois de tantos anos de escrita, encontrou seu público, alcançou novos leitores e passou a ocupar um espaço próprio na experiência de quem a lê”, avalia.
Ao conquistar esse reconhecimento, Ana olha para trás e avalia sua trajetória. Foi em 2001 que ela publicou seu primeiro livro, intitulado “As pontes”, em coautoria com o seu colega Luiz Augusto pela editora Feevale. “Desde então, percorri diferentes caminhos no universo literário e também vivenciei os desafios que fazem parte da trajetória de quem escreve, publica e busca encontrar seus leitores. Em uma das minhas experiências, produzi uma tiragem de 300 exemplares e enfrentei a dificuldade de encontrar leitores e comercializar a obra”, relembra.
De lá pra cá, Ana segue escrevendo e inspirando outros a também escreverem. Professora da rede pública municipal de Rolante e docente universitária, é Doutora em Diversidade Cultural e Inclusão Social pela Feevale (2023), atua de forma expressiva na literatura e cultura rolantense e no Vale do Paranhana. Integra a Confraria dos Escritores de Rolante e também o Coletivo de Escritores e Artistas do Vale do Paranhana, além de idealizar e coordenar o Grupo Gurizada das Letras, que organiza e produz coletâneas com textos de jovens escritores. Em maio de 2026, foi a Patrona da 23ª Feira do Livro de Rolante.
Agora entrega ao mundo FIOS que chega como parte de uma história maior, a sua história como escritora. “Uma trajetória na qual continuo escolhendo a palavra, experimentando diferentes formatos e buscando novos caminhos para fazer com que minhas histórias encontrem seus leitores. Depois de mais de duas décadas escrevendo, publicar FIOS e vê-lo alcançar o status de bestseller representa também a possibilidade de perceber que uma obra pode encontrar novos caminhos muito tempo depois de o primeiro livro ter sido colocado no mundo”, avalia.
Em FIOS, Ana Elicker conduz o leitor por narrativas inquietantes, onde o cotidiano se desfaz lentamente e o estranho emerge não como ruptura, mas como presença. Os personagens destas histórias não enfrentam monstros ou catástrofes. Enfrentam algo mais próximo: a sensação de que existe uma fissura escondida sob os gestos mais comuns da vida.
Sobre o livro “FIOS”
Um dos aspectos que considera mais marcantes em FIOS está justamente na maneira como o estranho se instala no cotidiano. “Não construo minhas narrativas a partir de acontecimentos extraordinários que precisam ser explicados ao leitor, mas de pequenas alterações que, inicialmente, podem parecer quase imperceptíveis: um objeto que não está exatamente onde deveria estar, uma lembrança que não se completa, um tempo que deixa de obedecer à lógica conhecida ou uma presença cuja existência passa a ser questionada”, explica.
Conforme a autora, essa escolha estética a permite construir uma literatura de atmosfera, na qual o leitor não é convidado apenas a acompanhar uma história, mas também a perceber suas fissuras. Em FIOS, memória, identidade e percepção se entrelaçam, enquanto ausências, repetições e objetos que retornam fazem surgir dúvidas que nem sempre encontram respostas.
Ela conta que há, ainda, um elemento que atravessa a própria concepção da obra: os fios não aparecem necessariamente como algo que precisa ser explicado, resolvido ou concluído. “Para mim, eles funcionam como uma imagem das conexões, dos deslocamentos e daquilo que permanece mesmo quando já não pode ser plenamente compreendido”.
Em um dos textos, os fios continuam existindo sem necessariamente estabelecer uma conexão. Essa imagem sintetiza, de certa maneira, a atmosfera que busquei construir ao longo do livro e reforça uma das características que ela considera essenciais em FIOS: deixar algumas experiências em suspensão, permitindo que cada leitor encontre suas próprias interpretações e estabeleça suas próprias conexões com aquilo que permanece entre as linhas.
