Há tradições que atravessam gerações. E há aquelas que permanecem vivas porque encontram, ano após ano, pessoas dispostas a preservá-las. Inspirados nesta ideia, os trajes de gala das soberanas da 37ª Oktoberfest de Igrejinha buscam traduzir, em cada detalhe, a essência da festa, construída coletivamente e reconhecida em todo o Brasil pela força do voluntariado. Apresentados oficialmente no último sábado (6), durante a escolha da Seniorin, os vestidos unem referências históricas a elementos que representam o evento: pertencimento, solidariedade e dedicação à comunidade.
Usados pela rainha Rafaela Robinson Werb e pelas princesas Tainara de Conto Nunes e Jhenifer Fais, as peças tiveram como ponto de partida os trajes folclóricos do sul da Alemanha. Eles são assinados por Wilney e Rejane Haberkamp, da Rewil Trajes Folclóricos, de Imigrante, e foram desenvolvidos em parceria com a presidência da 37ª edição da festa. “Bem como o traje de passeio, a inspiração vem dos trajes folclóricos do sul da Alemanha, da Bayern, berço da Oktoberfest”, explicam os estilistas.
De acordo com eles, a proposta também se reflete na escolha das cores. Os tons terrosos e neutros remetem às roupas utilizadas pelas pessoas comuns na época em que a festa surgiu, em contraposição às cores mais vibrantes tradicionalmente associadas à nobreza. “São cores usadas pelo povo. Escolhemos essa paleta porque ela representa todos os voluntários que trabalham para esta festa. Utilizamos tecidos mais nobres, mas mantendo a elegância e a postura que as representantes da festa merecem”, destacam.
Bordados contam a história da Oktoberfest de Igrejinha
Repletos de simbolismos, os trajes das soberanas foram desenvolvidos antes mesmo da eleição da atual corte, com pesquisas e estudos sobre a região onde a Oktoberfest foi criada. Por isso, apresentam corpo estruturado, com nervuras laterais e nas costas, remetendo à tradição dos vestidos folclóricos alemães e, ao mesmo tempo, destacam bordados que narram a identidade da edição deste ano.
Os arabescos aplicados ao longo das peças representam as mãos entrelaçadas dos voluntários que, juntos, tornam possível a realização da festa em Igrejinha. “Os bordados em forma de arabescos representam as mãos entrelaçadas de todos os voluntários, unidas para o mesmo propósito: a 37ª Oktoberfest de Igrejinha”, explicam Wilney e Rejane.


Nas costas, o destaque fica para a representação da Lebensbaum, a Árvore da Vida, símbolo tradicional da cultura germânica. A composição reúne três elementos fundamentais: a terra, representada por um coração que simboliza o amor compartilhado pela comunidade; os galhos em forma de arabescos, que remetem à fauna, à flora e às conexões humanas; e, no topo, tulipas abertas voltadas ao céu recebendo bênçãos.
Para a presidente da 37ª Oktoberfest de Igrejinha, Aline Hess, a escolha do símbolo dialoga diretamente com aquilo que move a festa. “Ela representa os relacionamentos das pessoas com a comunidade, com o povo, trabalhando sempre umas pelas outras. E, na base de tudo, está o coração. Eu acredito que é isso que mais toca as pessoas e que melhor representa a nossa Oktoberfest: o amor pelo próximo, o amor por uma comunidade e o amor em se doar para fazer o melhor pelo mundo”, conta.
Trajes homenageiam os mais de 3 mil voluntários da festa
Outro detalhe chama atenção pela carga simbólica: cada vestido recebeu mais de mil pedrarias aplicadas manualmente. Juntas, elas representam os mais de 3 mil voluntários que fazem da Oktoberfest de Igrejinha a maior festa comunitária do Brasil. “Cada um tem seu brilho, mas juntos fazem a festa brilhar muito mais”, resumem os estilistas.
A ideia surgiu durante o processo de construção do conceito da edição e foi incorporada ao desenvolvimento dos trajes pela presidência da festa. “Eu queria muito que todos os voluntários estivessem representados ali. Talvez não fossem vestidos tão pomposos ou tão ricos em elementos chamativos, mas que carregassem a verdadeira essência da nossa festa. Porque a Oktoberfest de Igrejinha é única justamente pelas pessoas que a constroem”, define Aline.
Ela explica que, dessa forma, a proposta nunca foi criar peças marcadas pelo luxo, mas pelo significado. “Os vestidos não são luxuosos porque a essência mesmo são as pessoas. Não é o que elas têm, mas o que elas são. Não é o que elas mostram, mas o que elas fazem”, complementa.
Ideia surgiu ainda em 2025
Embora a confecção das peças tenha acontecido em 2026, o desenvolvimento começou meses antes. As primeiras pesquisas e referências foram reunidas ainda no fim do ano passado. Já os desenhos ganharam forma em janeiro, em encontros entre a presidência e os estilistas. “Quando nos demos conta, estávamos sentados à mesa desenhando juntos. Eles entendiam aquilo que desejávamos transmitir e transformavam isso em algo possível e concreto. Foi uma experiência muito especial participar desse processo”, recorda a presidente.
Segundo Wilney e Rejane, foram cerca de 45 dias de trabalho direto na produção dos três vestidos. O resultado é uma criação que busca equilibrar tradição, conforto e significado, permitindo que as soberanas utilizem as peças durante toda a programação da festa sem abrir mão da elegância. “Adequamos cada peça ao conforto e à praticidade, com blusas, casacos e aventais que mantêm a harmonia do conjunto sem perder a elegância. Como as soberanas utilizam os trajes por vários dias seguidos, tivemos a preocupação de criar peças versáteis e que combinassem entre si”, finalizam.