Mais do que vestir as soberanas, o traje de passeio da 37ª Oktoberfest de Igrejinha carrega uma mensagem: a cultura alemã deve ser celebrada com beleza e respeito às suas origens. Assinado por Wilney e Rejane Haberkamp, da Rewil Trajes Folclóricos, do município de Imigrante, em parceria com a presidência da festa, o modelo deste ano teve como ponto de partida uma pesquisa aprofundada sobre os trajes típicos da Baviera, berço histórico da Oktoberfest.
A referência bibliográfica do modelo veio do livro Trachtenlandschaft Bayern, obra reconhecida sobre o folclore da região da Baviera, que orientou escolhas de corte, materiais e elementos decorativos. O resultado é um conjunto estruturado e elegante, composto por peças que dialogam diretamente com a tradição folclórica alemã. O lançamento oficial da vestimenta aconteceu no dia 8 de maio, durante o Encontro das Comissões e anúncio dos shows desta edição da festa, quando a rainha Rafaela Robinson Werb e as princesas Tainara de Conto Nunes e Jhenifer Fais apresentaram o conjunto à comunidade.
O corpo do vestido apresenta detalhes marcantes, como nervuras em corda e trançado de fitas no busto, além de um corte maior da cava – características típicas dos trajes regionais bávaros. A saia rodada e pregueada na cintura é acompanhada por uma blusa tradicional, sendo a versão bordô uma opção mais elaborada para as soberanas. O conjunto ainda conta com um casaco em tecido estruturado, com peplum nas costas, além do avental, elemento clássico da cultura alemã que harmoniza com a blusa de mangas longas.


Ao falar sobre a mensagem que a vestimenta busca transmitir às futuras gerações, Wilney explica que fica a confirmação de que é possível fazer um traje folclórico esteticamente bonito e confortável. “Sem exageros e com cuidado para não se tornar uma fantasia, mas sim algo construído com um bom fundamento e a partir da história”, destaca o estilista que soma três décadas de experiência em trajes folclóricos.
Wilney ainda destaca o equilíbrio entre tradição e contemporaneidade: “por serem trajes de soberanas, foram utilizados materiais diferentes dos costumeiros, unindo folclore e modernidade”, detalha.
Voluntariado bordado nas cores
A presidente da 37ª Oktoberfest de Igrejinha, Aline Hess, explica que o conjunto reúne elementos da nobreza, com referências à essência da indumentária bávara, como a estrutura do corpete, os drapeados, o charivari e o trançado de fitas. Já as cores terrosas, por sua vez, remetem a um dos principais diferenciais da festa de Igrejinha: o voluntariado. “A nobreza não usava tons terrosos, mas sim cores vivas. Então, as cores nos vestidos das soberanas estão representando nossos voluntários, que são aqueles que fazem a festa acontecer. É o equilíbrio entre cortes e detalhes inspirados na nobreza com cores que representam o voluntariado”, resume a presidente.
Para Aline, o traje vai além da estética. “Através dessas vestimentas, as soberanas estão realmente vestindo a história da nossa festa. É importante as pessoas olharem para elas e sentirem isso: a essência da Oktoberfest de Igrejinha, que é o voluntariado e uma festa germânica que valoriza muito a cultura”, afirma.