Eu participei com grande entusiasmo, no último domingo, 7 de setembro, do 2º Festival Literário do Paranhana, um dos eventos culturais mais significativos da região. Mais do que uma celebração da palavra escrita, o festival foi um verdadeiro testemunho do poder transformador da leitura e do acesso aos livros — não apenas como ferramentas de desenvolvimento individual, mas como instrumentos de mobilização coletiva, inclusão e construção de cidadania.
A Rua da Independência, em Igrejinha, foi tomada por uma atmosfera literária, com pouca participação pública o que nos acomete a refletir. Naquele momento, o espaço urbano se converteu em um palco de ideias, histórias e encontros intergeracionais, onde leitores, escritores e educadores se reuniram para afirmar, que a literatura é um bem comum. Quando a leitura ocupa as ruas e se torna parte da vida pública, ela deixa de ser privilégio de poucos e se afirmar como direito de todos.
Acredito profundamente que a leitura é uma das mais potentes formas de ampliar horizontes, desenvolver o pensamento crítico e fomentar a empatia. Ao permitir que os leitores compreendam melhor o mundo à sua volta — e também a si mesmos — os livros se tornam aliados na construção de uma sociedade mais justa e consciente. Os painéis trouxeram à tona debates urgentes, mostrando como a palavra escrita pode ser resistência, denúncia; amor e esperança.
O 2º Festival Literário do Paranhana prestou uma emocionante homenagem ao escritor e ativista cultural Doralino de Souza, cuja partida precoce, ocorrida no auge de sua carreira, deixou uma lacuna profunda na cena literária regional. Doralino não apenas escrevia — ele mobilizava, inspirava e dava voz às narrativas esquecidas do Paranhana. Sua trajetória, marcada por um compromisso incansável com a cultura local, continua a ecoar como um chamado à valorização das vozes que emergem dos territórios periféricos e das margens do mercado editorial.
Reconhecer autores como Doralino é essencial para preservar memórias vivas, estimular novas produções e fortalecer o sentimento de pertencimento cultural. Sua obra e atuação são testemunhos de que a literatura regional, muitas vezes invisibilizada, tem potência transformadora — sobretudo quando ocupa espaços públicos e é celebrada com afeto, respeito e reconhecimento. A homenagem no festival não foi apenas um tributo à sua contribuição, mas também um gesto de continuidade: um convite para que novas vozes se levantem e deem sequência ao legado que ele deixou.
Em um país onde o acesso aos livros ainda é marcado por desigualdades, festivais como o do Paranhana funcionam como pontes entre mundos. Eles levam livros, autores e experiências de leitura a quem talvez não tenha acesso cotidiano a bibliotecas, livrarias ou espaços de formação literária. São ações como essa que ajudam a construir uma cultura leitora sólida, plural e democrática.
O Festival Literário do Paranhana não foi apenas um evento — foi um ato político, educativo e poético. Que ele inspire outras iniciativas e continue a crescer, levando a literatura cada vez mais longe, cada vez mais perto de todos.