Psicóloga e escritora Patrícia Ziani Benites lança livro de crônicas com reflexões sobre vida

Um convite a refletir sobre a vida contemporânea e a fazer pausas para respirar e aproveitar o momento. Em seu novo livro “Crônicas da Existência”, a escritora e psicóloga Patrícia Ziani Benites faz este pedido. A obra traz um compilado das crônicas que escreveu de 2020 a 2023, acrescida de uma escrita durante o desastre de 2024 e outra inédita. “O livro já estava finalizado, mas não havia como lançar um livro no segundo semestre de 2024 sem falar o que estávamos vivendo”, relembra.

Na noite da última quinta-feira (03), ela lançou a obra na Biblioteca Pública de Igrejinha, após uma série de ações realizadas ao longo dos últimos meses. Após precisar adiar o lançamento, que seria em meados do ano passado, e de ser necessário a troca da editora, o lançamento oficial aconteceu em outubro de 2024, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). De lá pra cá, Patrícia tem participado de feiras do livro e eventos em diversos municípios do estado, conciliando com o seu trabalho como servidora pública na área da psicologia. 

Atualmente morando e trabalhando em Porto Alegre, considera que não era possível não reunir os amigos do Vale do Paranhana para um momento de lançamento. “Nem sempre é fácil falar de Igrejinha sem me emocionar. Sou muito grata à Igrejinha. Sou grata às pessoas daqui usuárias e usuários que acompanhei, colegas, gestoras e gestores que embarcaram em tantas loucuras que propus que é inimaginável. Aqui tenho várias amigas e amigos. Como não fazer (um lançamento) aqui? Posso estar residindo em Porto Alegre, mas aqui continua sendo uma morada para mim. Um lugar que guardo com muito carinho e amor no meu coração.

Literatura e saúde mental: união que dá certo

Patrícia sempre leu muito. Na pré-adolescência, a escritora e sua prima Lilia Rosa do Nascimento, despertou muita admiração. Ainda na adolescência, participou de oficinas de escrita criativa na Casa Mário Quintana, mas quando entrou para a faculdade, se afastou da escrita. “Pelo menos assim imaginava. Eis que me dei conta há poucos anos que a escrita nunca saiu do meu radar. Isto porque sempre que finalizei projetos, lá estava eu escrevendo um poema, um pensamento, lembrando de uma música que fazia sentido para mim naquele momento”, relembra. 

Há muitos anos, quando escolheu a psicologia, não tinha ideia para onde estava caminhando. Formada há 28 anos, atua como trabalhadora de saúde mental coletiva e já passou por diferentes municípios, inclusive Igrejinha, onde participou da construção do Serviço de Atenção Integral à Saúde Mental Coletiva. “Pude viver tantas situações que, talvez, em algum momento se transforme em livro”, provoca.

Ela considera que foi uma workaholic e que se despojar disso foi difícil. “Mas venho me permitindo viver muitas situações que há uns 18, 20 anos seria muito difícil. Sempre me senti uma andarilha do mundo, com desejo de conhecer muitos lugares e culturas”.

Se por um lado, a entrada na faculdade a afastou da escrita, de outro, o trabalho em saúde mental coletiva fez com que retornasse. Assim surgiu seu primeiro livro “Tocando o Coração Enxergando a Alma”. De lá para cá, novos livros foram surgindo, projetos que estavam engavetados estão sobre a mesa. Depois disso, passou a escrever crônicas para o Paranhana Literário e, desde março de 2023, para o Zona Norte Jornal, de Porto Alegre.

Nos últimos anos, desde que enveredou para a literatura, mais um mundo de oportunidades surgiu. Ela trabalha muito para ampliar o olhar sobre a saúde mental e a arte tem sido o seu leme. Através dos livros, do seu canal do Youtube Tocando o Coração Enxergando a Alma, tem procurado mostrar às pessoas o quanto a Existência é valiosa e que cada momento é único. 

Para ela, a literatura e a arte são resiliência. “Se tivéssemos mais arte na vida, com certeza, teríamos mais oportunidades de lidar melhor com o sofrimento. Me preocupo (aliás eu e muita gente) com a medicalização da vida. Parece que a gente foi se automatizando, que não temos mais tolerância à frustração, somos impacientes, ansiosos, querendo que tudo ocorra rapidamente, na velocidade do ‘dedinho’ que desliza pelas telas. Claro que isto é um sintoma social, mas que precisamos trabalhar com diversas possibilidades para reaprendermos a ser e não ter. Aprender o quanto as relações verdadeiras são importantes. Aprender que precisamos ter convivência, que nem tudo vai ser como imaginamos e que não somos o centro do universo”.

Reflexão sobre identidade e caminhos

Em seu terceiro livro, Patrícia traz, mais uma vez, a existência. Termos que, agora, dá nome à obra. “Toda a minha escrita fala sobre a existência, em diferentes contornos, mas procuro refletir com as pessoas sobre o viver e sobre as infinitas possibilidades para o melhor viver possível. E, quando falo, possível, é isto mesmo. Nem sempre vamos estar plenos, alegres, satisfeitos. Mas como podemos tornar aqueles momentos difíceis, aprendizagens”, conta

A receptividade sobre o livro tem agradado a artista. “Está sendo bem bacana! Recebo muitas mensagens falando sobre a reflexão que se produziu a partir das crônicas. Na verdade, a crônica é uma forma ágil de interação e ter o retorno é muito especial. Reforça que estou no caminho”, conta e já adianta, vai ter o volume 2 das Crônicas da Existência. 

Em Igrejinha, o livro pode ser adquirido na Cia do Papel e na Manas Livraria, em Três Coroas, na Cinebox e, em Taquara, na Toca do Gnomo e Livraria da Faccat. Também é possível entrar em contato diretamente com a autora para adquirir – e já garantir o seu autógrafo.

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