Taquara realiza a primeira edição da Conferência Municipal dos Povos de Terreiros

Foi realizada na noite da última terça-feira (7), em Taquara, a 1ª Conferência Municipal dos Povos de Terreiros. No encontro, representantes de religiões de matriz africana relataram suas vivências com a prática religiosa, através da discussão de estratégias de promoção da liberdade de credo no Município. O evento foi realizado no Centro Educacional Indio Brasileiro Cezar, e foi promovido pela Prefeitura de Taquara, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Cidadania.

Aberto ao público, o evento trouxe como discussão central diretrizes que auxiliem na promoção da liberdade religiosa, através da possibilidade de criação do Conselho Municipal dos Povos de Terreiro, proposta que será encaminhada para a Câmara de Vereadores de Taquara. “A ideia é que, enquanto poder público, possamos dar o mesmo espaço de organização, assim como com outros grupos religiosos formados em nosso Município”, salienta o secretário de Desenvolvimento Social, Trabalho e Cidadania, Maurício Souza Rosa

Importância das ações

A prefeita Sirlei Silveira ressaltou a importância da promoção de debates que evidenciem a importância da liberdade religiosa e do respeito aos cultos de matriz africana, como forma de combate à intolerância e ao racismo estrutural. “Temos uma cultura religiosa miscigenada em Taquara. Dar espaço para que os povos de matriz africana possam se manifestar é também garantir o fortalecimento de discussões sobre políticas públicas a essa parcela da sociedade, que por muito tempo foi discriminada”.

Valorização da liberdade religiosa

Um dos participantes do encontro foi o babalorixá Pai Eduardo de Oxalá, dirigente do Ilê Axé Oxalá, no Bairro Jardim do Prado. Ao comentar como foi a Conferência, ele abordou sobre as demandas dos seguidores de religiões de matriz africana no Município, como locais apropriados para a realização de oferendas, formalização de uma cartilha ecológica para ser entregue às casas de religião da cidade, capacitação de educadores da rede pública sobre a cultura afro, entre outras pautas. “Foi um momento fundamental para a quebra de paradigmas e preconceitos estruturais na sociedade. Este espaço que a Prefeitura nos concedeu é essencial para o combate ao racismo estrutural e à intolerância religiosa que ainda persiste em nossa sociedade. Desta forma, a população taquarense passou a entender como um terreiro é atuante na própria comunidade”, destaca.

Além disso, o religioso lembrou que, além da prática religiosa, as casas de religião também são importantes parceiras na realização de práticas sociais. “Nós das comunidades africanistas também oferecemos acolhimento às parcelas marginalizadas da sociedade. O terreiro alimenta. O terreiro abraça. E a partir de agora, teremos mais espaço e parceria com o poder público, onde não precisaremos mais nos camuflar diante de nossas práticas. Desejo que a sociedade perceba o tamanho da cultura e da história que está dentro de uma casa de santo, que são heranças anteriores ao cristianismo, e que ficaram escondidas por nossas cortinas, mas que hoje podem vir para a rua de mãos dadas com o Município”, completa. 

*Foto: Cris Vargas/Prefeitura de Taquara

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