Franchising impulsiona crescimento do setor calçadista e empresas do Paranhana se destacam

O setor calçadista brasileiro apresentou crescimento ao longo de 2021 – de 8% na produção até novembro, conforme dados oficiais mais recentes – e vem expandindo suas atividades no varejo nacional e internacional por meio do franchising. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) apontam que as mais de 2,5 mil redes de franquias e 150 mil unidades franqueadas no Brasil geraram mais de R$ 182 bilhões nos últimos 12 meses (sendo R$ 24 bilhões somente no setor de Moda), um crescimento de 8,4% em relação a 2020.

O presidente da ABF, André Friedheim, destaca que o setor de franchising já representa 2,7% do PIB brasileiro e vem registrando crescimento nos últimos anos. “O franchising tem demonstrado uma recuperação importante. A Pesquisa Trimestral de Desempenho do setor feita pela ABF mostra que chegamos aos meses de julho, agosto e setembro de 2021 no mesmo patamar de faturamento do terceiro trimestre de 2019, o que mostra uma franca recuperação”, avalia, ressaltando que a projeção da entidade é encerrar 2021 com um faturamento 9% maior do que em 2020. “No setor de Moda, no qual está inserido o Calçado, o crescimento deve ultrapassar 11%, portanto acima da média nacional”, prevê.

Entre as empresas calçadistas que se destacam como franqueadoras, algumas estão localizadas no Vale do Paranhana como é o caso das marcas Bibi, Jorge Bischoff, Piccadilly e Usaflex.

Bibi: transformação digital nas franquias
Com a abertura de 21 unidades de franquias no ano passado, a Bibi é um dos cases de sucesso do setor calçadista. Hoje com 146 unidades em operação no Brasil e na América Latina (Peru, Chile, Equador e Guatemala), a empresa enxerga no franchising uma forma rápida e rentável de crescimento. No segmento de franquias desde 2008, a Bibi conta com dois modelos de negócios. O formato de loja Standard, com investimento a partir de R$ 580 mil, criado para ser implantado em shopping centers de capitais e grandes metrópoles; e conceito Light, com custo de R$ 450 mil, indicado para cidades com, em média, 200 mil habitantes. Nos valores, já estão inclusos instalações, soluções tecnológicas, primeiro estoque, capital de giro e taxa de franquia.

A presidente da Bibi, Andrea Kohlrausch, conta que um dos segredos da rápida expansão da marca no franchising tem relação com a aceleração dos processos de transformação digital. “As cidades com franquias permitem uma maior agilidade nas vendas. Nessas, os consumidores podem contar com os benefícios do e-commerce, com Prateleira Infinita, Clique e Retire, Entrega Expressa, Bibi Delivery e Bibi em Casa. Dessa forma, a integração e diversificação de canais também auxilia no aumento das vendas e, consequentemente, do faturamento das lojas que fazem parte da rede”, conta a executiva, ressaltando que a Bibi acelerou ainda mais seus planos de transformação digital para consolidar as competências dos canais digitais da rede de franquias.

Para ser um franqueado da Bibi, Andrea explica que a empresa interessada deve estar em sinergia com a marca, além de passar por um período de avaliação, no qual são levados em consideração aspectos como propósito de vida, identificação com o universo de Varejo e da Bibi, capacidade financeira, experiência, ética, entre outros indicadores importantes. “Após ser aprovado, ele ainda passa pelo período de imersão cultural na Bibi, em que conhecerá mais afundo sobre a marca e seu propósito para, em seguida, desenvolvermos juntamente o plano de inauguração, levando como base a escolha do ponto, reforma do local, projeto arquitetônico, contratação da equipe etc”, conta a executiva, destacando que a Bibi presta todo o suporte necessário ao franqueado, por meio de consultores de campo que acompanham as lojas e o desempenho delas, além de um time de planejamento comercial, que apoia na parte de compra, provendo assim um controle efetivo do estoque.

Do total produzido pela Bibi, mais de dois milhões de pares de sapatos por ano, em 2021, 37% foi vendido por lojas multimarcas, 41% foi colocado no mercado por lojas próprias e franquias e os demais exportados. Em 2022, prevendo a abertura de 25 novas lojas, sendo 12 internacionais, a empresa estima que 43% das vendas serão via franquias, 35% via multimarcas e o restante será vendido para o mercado externo.

Jorge Bischoff: “embaixadores da marca”
A Jorge Bischoff vê os franqueados como “embaixadores da marca”. Com a inauguração de 15 lojas em 2021, a empresa aposta na diversificação de cidades de atuação, não ficando concentrada apenas nos grandes centros urbanos. A medida, conforme o designer e CEO, Jorge Bischoff, tem se mostrado acertada. Hoje são 96 lojas, sendo uma exclusiva para e-commerce. “Enfrentamos muitos desafios, como todo o mercado, mas nos posicionamos muito bem. Dezembro de 2021 teve o melhor resultado para o mês em toda nossa história. As franquias tiveram um faturamento 11% acima de dezembro de 2019, ou seja, superando patamar anterior à pandemia. Podemos dizer que fizemos um ano de 2021 sensacional em resultados”, comemora o empresário, destacando que as franquias são o principal ramo de atuação e também o principal foco em expansão de negócios da empresa, atualmente representando em torno de 60% das vendas.

Para abrir uma loja Jorge Bischoff, que demanda um investimento médio a partir de R$ 385 mil, o interessado passa por uma seleção de parceiros. “São embaixadores da nossa marca, por isso temos um cuidado importante para que seja mantido o padrão da Jorge Bischoff”, conta o empresário. Segundo ele, após entrar para o time Jorge Bischoff, o franqueado poderá contar com todo o suporte necessário para a melhor gestão do negócio. “Isso se reflete nos resultados e na fidelidade dos nossos parceiros e a prova é que vários deles possuem mais de uma franquia da nossa marca. É espetacular perceber que as pessoas envolvidas na nossa rede de franquias são apaixonadas, cuidando da grife como um patrimônio, com muito carinho e dedicação”, avalia.

Para 2022, Bischoff conta que a expansão por meio de franquias seguirá forte. Já estão assinados contratos para abertura de 14 lojas, em Belo Horizonte-MG, São Paulo-SP, Curitiba-PR e Lajeado-RS. “A meta da empresa é fechar o ano com 125 lojas exclusivas. Uma das apostas é expandir ainda mais pelas cidades do interior do Brasil, que têm um gigantesco potencial econômico – muito por conta do agronegócio – e anseiam muito por receber lojas exclusivas da marca”, projeta o empresário.

Piccadilly: aposta no multicanal
Tradicional indústria de calçados femininos, a Piccadilly vem aumentando a sua experiência no varejo monomarca. Com uma produção anual de mais de 5 milhões de pares, a empresa conta atualmente com 14 franquias, número que pretende aumentar nos próximos anos.

O head de Franquias da Piccadilly, Marcos Vinícius Finokiet, destaca que os últimos dois anos foram bastante desafiadores para a empresa, que se viu impelida a buscar formas diferenciadas de atuação no mercado. “Precisamos ser ágeis e inovadores e conseguimos isso a partir de novos processos e ferramentas digitais que facilitaram a chegada de nossos produtos até nossos lojistas e consumidores. Em 2021, dobramos o nosso número de franquias e assumimos posições estratégicas nos melhores shoppings e mercados. Passamos a oferecer a conveniência e acesso a nossa marca no ambiente físico e no digital de forma integrada, apostando na multicanalidade”, conta.

Para operar uma franquia Piccadilly, que prevê um investimento entre R$ 350 mil e R$ 500 mil, o interessado passa por entrevistas e visita a sede da empresa, no Rio Grande do Sul. “Vencidas as etapas de aprovação do candidato, seguimos para o planejamento de abertura da franquia. Desde o processo de implantação até a abertura da franquia, nossos franqueados são acompanhados por nossa equipe de franchising, que é composta por um time experiente com múltiplas competências que oferece todas as informações necessárias para o sucesso do negócio”, conta Finokiet, ressaltando, ainda, que além do suporte permanente na operação, o franqueado pode contar com ferramentas de gestão que facilitam o dia a dia do negócio e um software exclusivo que reúne todos os dados das consumidoras, seus hábitos e preferências de consumo. Finokiet conta que, para 2022, a expectativa é encerrar o ano com mais 30 franquias inauguradas, consolidando o processo de expansão no varejo monomarca.

Usaflex: meteórica expansão no varejo
Tendo apostado fortemente no mercado de franquias há pouco mais de cinco anos, a Usaflex já contabiliza 254 unidades no território nacional – sendo 21 inauguradas em 2021. Conforme a empresa, as franquias já representam mais de um terço das vendas, que somaram mais de 2,9 milhões de pares no ano passado. Até 2024, segundo o diretor de Franquias da Usaflex, Elbio Armiliatto, existe um plano bastante agressivo de expansão: somar mais de 400 lojas no Brasil, com franquias respondendo por mais de 50% do faturamento da empresa no mercado doméstico. “A partir do crescimento do número de franquias no Brasil, a marca Usaflex ganhou muita visibilidade, de forma a mostrar para as consumidoras toda qualidade do seu mix de produtos”, avalia Armiliatto.

Para abrir uma franquia Usaflex, que prevê investimento de em torno de R$ 350 mil, o interessado deve passar por uma análise criteriosa, especialmente nos aspectos de capacidade financeira e operacional e disponibilidade para dedicação ao negócio. “Depois de validado no processo inicial, o candidato a franqueado conhece toda a empresa, seu processo interno e a operação de uma loja, passando por entrevistas finais com os diretores. Aprovado como franqueado, inicia-se o processo de busca de ponto comercial onde se pretende inaugurar a loja”, conta o diretor. Segundo ele, a Usaflex conta também com uma área de Operação de Loja que, além da equipe interna da empresa, soma o trabalho dos consultores de campo, que são o elo de ligação entre os franqueados e a Usaflex. “Os consultores de campo visitam as franquias, implementam e acompanham junto às lojas o Programa de Excelência de Franquias Usaflex, que orienta como deve ser operada uma Franquia Usaflex”, detalha Armiliatto, acrescentando que a Usaflex exige renovação do contrato para operação a cada cinco anos.

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